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terça-feira, 3 de julho de 2018

ESTUDANDO OS EXUS DE UMBANDA

Nas lendas africanas que originaram os candomblés, Exu é o primeiro filho de Iemanjá, irmão de Ogun. Este Orixá está presente em todos os locais. Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação, é cumpridor da Lei, Exú é esperto, Exú é guardião, Exú é trabalho, é alegria veloz, Exú é viver, é a magia, é o encanto, é o fogo, é o sangue na veia vibrando, Exú é prazer. Entendemos Exu como a energia do movimento, dos caminhos, da virilidade, do sexo, dos sentidos, da força, do viver, é a energia guardiã dos templos, casas, lojas; é a energia mais próxima dos humanos, energia terra-terra, é o senhor dos limites, dos portais, das fronteiras e, por tanto, é o mensageiro entre os homens e os demais orixás. Pelo gosto do que é fino, assim como nós humanos, tal como bebidas, bons fumos; pelos sacrifícios ritualísticos oriundos da mãe África, por estar também no limite entre o bem e o mal; pelos seus símbolos, tal como o tridente ( que é também um símbolo presente em várias culturas, como na mitologia grega ) exu é confundido até hoje com o diabo criado na cultura cristã. A partir daí, muitos equivocadamente criaram imagens diabólicas para representar os exus, além de pontos e cantigas. Exu, que também é irreverente, se utiliza dessas cantigas e das imagens as quais o associaram, espantando os inimigos espirituais, trevosos, mostrando que estes são menores do que eles.  Na doutrina umbandista a energia de exu se apresenta nos médiuns através dos espíritos falangeiros que trabalham em diversos planos; são os exus e pombagiras da nossa querida umbanda.
            Exus são espíritos que já encarnaram na terra.  Na sua maioria, tiveram vida difícil como  mulheres da vida; boêmios; dançarinas de cabaré, entre tantos outros perfis de vidas comuns e conturbadas. Estes espíritos optaram por prosseguir sua evolução espiritual através da prática da caridade,  incorporando nos terreiros de Umbanda. São muito amigos, quando tratados com respeito e carinho, são desconfiados mas gostam de ser presenteados e sempre lembrados. Estes espíritos, assim como os Preto-velhos, crianças e caboclos, são servidores dos Orixás. Apesar das imagens de Exus, fazerem referência ao "Diabo" medieval (herança do Sincretismo religioso), eles não devem ser associados a prática do "Mal", pois como são servidores dos Orixás, todos tem funções específicas e seguem as ordens de seus "patrões".  Dentre várias, duas das principais funções dos Exus são: a abertura dos caminhos e a proteção de terreiros e médiuns contra espíritos perturbadores durante a gira ou obrigações.   
Desta forma estes espíritos não trabalham somente durante a "gira de Exus" dando consultas, onde resolvem problemas de emprego, pessoal, demanda e  etc. de seus consulentes.  Mas também durante as outras giras (Caboclos, Preto-velhos, Crianças e Orixás), protegendo o terreiro  e os médiuns, para que a caridade possa ser praticada.
            Ele é o guardião dos caminhos, soldado dos Pretos-velhos e Caboclos, emissário entre os homens e os Orixás, lutador contra o mal, sempre de frente, sem medo, sem mandar recado.Verdadeiros cobradores do carma e responsáveis pelos espíritos humanos caídos representam e são o braço armado e a espada divina do Criador nas Trevas, combatendo o mal e responsáveis pela estabilidade astral na escuridão. Senhores do plano negativo atuam dentro de seus mistérios regendo seus domínios e os caminhos por onde percorre a humanidade. Em seus trabalhos Exu corta demandas, desfaz trabalhos e feitiços e magia negra, feitos por espíritos malignos. Ajudam nos descarregos e desobsessões retirando os espíritos obsessores e os trevosos, e os encaminhando para luz ou para que possam cumprir suas penas em outros lugares do astral inferior. Seu dia é a Segunda-feira, seu patrono é Santo Antônio, em cuja data comemorativa tem também sua comemoração. Sua bebida ritual é a cachaça. Sua roupa, quando lhe é permitido usá-la tem as cores preta e vermelha, podendo também ser preta e branca, ou conter outras cores, dependendo da irradiação a qual correspondem. Completa a vestimenta o uso de cartolas (ou chapéus diversos), capas, véus, e até mesmo bengalas e punhais em alguns casos.
A roupagem fluídica dos Exus varia de acordo com o seu grau evolutivo, função, missão e localização. Normalmente, em campos de batalhas, eles usam o uniforme adequado. Seu aspecto tem sempre a função de amedrontar e intimidar. Suas emanações vibratórias são pesadas, perturbadoras. Suas irradiações magnéticas causam sensações mórbidas e de pavor.
É claro que em determinados lugares, eles se apresentarão de maneira diversa. Em centros espíritas, podem aparecer como "guardas". Em caravanas espirituais, como lanceiros. Já foi verificado que alguns se apresentam de maneira fina: com ternos, chapéus, etc. Eles têm grande capacidade de mudar a aparência, podem surgir como seres horrendos, animais grotescos, etc.
Às vezes temido, às vezes amado, mas sempre alegre, honesto e combatente da maldade no mundo, assim é Exú.
Ao contrário do que se pensa, os exus não são os diabos e espíritos malignos ou imundos que algumas religiões pregam, tampouco são espíritos endurecidos ou obsessores que um grande número de espíritas crêem. Os "diabos" ou demônios são seres mitológicos, já "desvendados" pela doutrina espírita, portanto, não existem.Espíritos trevosos ou obsessores são espíritos que se encontram desajustados perante a Lei. Provocam os mais variados distúrbios morais e mentais nas pessoas, desde pequenas confusões, até as mais duras e tristes obsessões. São espíritos que se comprazem na prática do mal, apenas por sentirem prazer ou por vinganças, calcadas no ódio doentio. Aguardam, enfim, que a Lei os "recupere" da melhor maneira possível (voluntária ou involuntariamente). São conhecidos, pelos umbandistas, como kiumbas. Vivem no baixo astral, onde as vibrações energéticas são densas. Este baixo astral é uma enorme "egrégora" formada pelos maus pensamentos e atitudes dos espíritos encarnados ou desencarnados. Sentimentos baixos, vãs paixões, ódios, rancores, raivas, vinganças, sensualidade desenfreada, vícios de toda estirpe, alimentam esta faixa vibracional e os kiumbas se comprazem nisso, já que se sentem mais fortalecidos. O baixo astral, mesmo sendo um imenso caos, tem diversas organizações, fortemente esquematizadas e hierarquizadas. Planos bem elaborados, mentes prodigiosas, táticas de guerrilhas, precisões cirúrgicas, exércitos bem aparelhados e treinados, compõe o quadro destas organizações. Muitas delas agem na plena certeza de cumprirem os desígnios da Lei Divina, onde confundem a Lei da Ação e Reação com o "olho por olho, dente por dente". Vingam-se pensando que fazem a coisa certa.  Algumas agem no mal, mesmo sabendo que estão contra a Lei, mas enquanto a vingança não se consumar, não haverá trégua para os seus "inimigos". Acham que não plantam o mal, nem que a reação se voltará mais cedo ou mais tarde.
 Cada mal praticado por um espírito, o leva a cada vez mais para "baixo". As quedas são freqüentes e provocam mais e mais revoltas.
Alguns espíritos caem tanto que perdem a consciência humana, transformando-se (ou plasmando) os seus corpos astrais (perispíritos) em verdadeiras feras, animais, bestas e assim são usados por outros espíritos como tais. Alguns se transformam em lobos, cães, cobras, lagartos, aves, etc. Outros espíritos chegam ao cúmulo da queda que perdem as características humanas, transformando os seus perispíritos em ovóides. Esta queda provoca além da perda de energias, a perda da consciência; ficando, com isso subjugados por outros espíritos. Apesar de todo este quadro, pouco esperançoso, das trevas. Mesmo sabendo que no nosso orbe o mal prevalece sobre o bem, há também o lado da Luz, da Lei, do Bem. E este lado é ainda mais organizado que as organizações das trevas. Existem, também, diversas organizações, com variados trabalhos e ações, mas com um único objetivo de resgatar das trevas e do mal, os espíritos "caídos". Vemos colônias espirituais, hospitais no astral, postos avançados da Luz nos Umbrais, caravanas de tarefeiros, correntes de cura, socorristas, etc., afeitos e afinizados aos trabalhos dos centros espíritas. Vemos também, outros trabalhadores espirituais, ligados aos cultos afros. Especificamente, na Umbanda, vemos através das Sete Linhas, vários Orixás hierarquizados. Existem vários níveis na hierarquia dos Orixás. Começando pelos mais altos espíritos, que estão próximos do Criador, até os Orixás Menores ou Planetários (aqueles que são ligados e responsáveis por cada orbe, pela sua evolução). Os Exus são os "mensageiros" dos Orixás aqui na Terra. Através deles, os Orixás podem se manifestar nas trevas. Os exus são considerados como "policiais” que agem pela Lei, no submundo do "crime" organizado. As "equipes" de Exus sempre estão nestas zonas infernais, mas, não vivem nela. Passam a maior parte do tempo nela, mas, não fazem parte dela. Devido a esta característica, os Exus, são confundidos com os kiumbas. Videntes os vêem nestes lugares e erroneamente dizem que eles são de lá.
A maneira dos Exus atuarem, às vezes nos choca, pois achamos que eles devem ser caridosos, benevolentes, etc. Mas, como podemos tratar mentes transviadas no mal? Os exus usam as ferramentas que sabem usar: a força, o medo, as magias, as capturas, etc. Os métodos podem parecer, para nós, um pouco sem "amor", mas eles sabem como agir quando necessitam que a Lei chegue às trevas. Eles ajudam aqueles que querem retornar à Luz, mas não auxiliam aqueles que querem "cair" nas trevas. Quando a Lei deve ser executada, Eles a executam da melhor maneira possível doa a quem doer. Os exus, como executores da Lei e do Karma, esgotam os vícios humanos, de maneira intensiva. Às vezes, um veneno é combatido com o próprio veneno, como se fosse a picada de uma cobra venenosa. Assim, muitos vícios e desvios, são combatidos com eles mesmos. Um exemplo, para ilustrar:  Uma pessoa quando está desequilibrada no campo da fé, precisa de um tratamento de choque. Normalmente ela, após muitas quedas, recorre a uma religião e torna-se fanática, ou seja, ela esgota o seu desequilíbrio, com outro desequilíbrio: a falta de fé com o fanatismo. Parece um paradoxo? Sim, parece, mas é extremamente necessário. Outro exemplo é o vicio as drogas, onde é preciso de algo maior para esgotar este vicio: ou a prisão, a morte, uma doença, etc. A Lei é sempre justa, às vezes somente um tratamento de choque remove um espírito do mau caminho. E são os exus que aplicam o antídoto para os diversos venenos. Os Exus estão ligados de maneira intensiva com os assuntos terra-a-terra (dinheiro, disputas, sexo, etc.). Quando a Lei permite, Eles atendem aos diversos pedidos materiais dos encarnados. Os Exus tem sob o domínio todas as energias livres, contidas em: sangue, cadáveres, esperma, etc. Por isso, seus campos de atuação são: cemitérios, matadouros, prostíbulos, boates, necrotérios, etc. Eles lá estão, porque frenam (bloqueiam) as investidas dos kiumbas e espíritos endurecidos que se comprazem nos vícios e na matéria. Os kiumbas, seres astutos, conseguem se manifestar como um Exu, usam até os nomes dos verdadeiros exus, pois um exu de lei sabe o que é o bem e o que é o mal, num terreiro muito preso às magias negras e assuntos que nada trazem elevação espiritual. Ao se manifestarem, pedem inúmeras oferendas, trabalhos, despachos, em troca destes favores fúteis. Normalmente eles pedem muito sangue, bebidas alcóolicas e fumo.
O sangue utilizado em oferendas em alguns terreiros, servem de recarga de baterias para os exus. O sangue representa energia vital, material e também a energia que é capaz de manter vida. Esse elemento é alvo de muita polêmica dentre os umbandistas, porém os verdadeiros exus sabem como utilizar a energia do sangue, quando têem pela frente muito combate espiritual com espíritos presos à energia da Terra, por isso do sangue, por isso do uso de uma bateria também terra-terra, o fluido da vida. A prática do sacrifício é antiga na humanidade e na religiosidade, relatada até na bíblia, quando o homem fazia sacrifícios para Deus, é comum em diversas culturas de todo o mundo, porém é alvo de crítica por parte dos protestantes que a associam ao demônio. Não há nada de demoníaco em um sacrifício religioso, há um intuito nele, diferente de um sacrifício realizado num abatedouro, num aviário, praticado a todo instante para que nos alimentemos de carne. Porém tudo que é diferente da maioria em nossa sociedade, choca e é associado ao mal. Como umbandistas que somos, nossa fé descende também de tribos africanas, onde esse rito era comum, devemos então sempre estudar, refletir, para que não sejamos manipulados mentalmente por estes “detentores” da verdade. Contudo, os sacrifícios são trabalhos muito sérios e devem ser realizados apenas em extremas necessidades litúrgicas.
O termo Pombo-Gira ou pombagira é corruptela do termo "Bombogira" que significa em Nagô, Exu. A origem do termo Pomba-Gira, também é encontrada na história. No passado, ocorreu uma luta entre a ordem dórica e a ordem iônica. A primeira guardava a tradição e seus puros conhecimentos. Já a iônica tinha-os totalmente deturpados. O símbolo desta ordem era uma pomba-vermelha, a pomba de Yona. Como estes contribuíram para a deturpação da tradição e foi uma ordem formada em sua maioria por mulheres, daí a associação. Se Exu já é mal interpretado, confundindo-o com o Diabo, quem dirá a Pomba-Gira? Dizem que Pomba-Gira é uma mulher da rua, uma prostituta. Que Pomba-Gira é mulher de Sete Exus! As distorções e preconceitos são características dos seres humanos, quando eles não entendem corretamente algo, querendo trazer ou materializar conceitos abstratos, distorcendo-os.
Pombo-Gira é um Exu Feminino, na verdade, dos Sete Exus Chefes de Legião, apenas um Exu é feminino, ou seja, ocorreu uma inversão destes conceitos, dizendo que a Pombo-gira é mulher de Sete Exus e, por isso, prostituta. É claro que em alguns casos, podem ocorrer que uma delas, em alguma encarnação tivesse sido uma prostituta, mas, isso não significa que as pombo-giras tenham sido todas prostitutas e que assim agem. A função das pombo-giras, está relacionada à sensualidade. Elas frenam os desvios sexuais dos seres humanos, direcionam as energias sexuais para a construção e evitam as destruições.
A sensualidade desenfreada é um dos "sete pecados capitais" que destroem o homem: a volúpia. Este vicio é alimentado tanto pelos encarnados, quanto pelos desencarnados, criando um ciclo ininterrupto, caso as pombo-giras não atuassem neste campo emocional. As pombo-giras são grandes magas e conhecedoras das fraquezas humanas. São, como qualquer exu, executoras da Lei e do Karma. Cabe a elas esgotar os vícios ligados ao sexo. Quando um espírito é extremamente viciado ao sexo, elas, às vezes, dão a ele "overdoses" de energia sexual, para esgotá-lo de uma vez por todas.
Elas, ao se manifestarem, carregam em si, grande energia sensual, não significa que elas sejam desequilibradas, mas sim que elas recorrem a este expediente para "descarregar" o ambiente deste tipo de energia negativa, atraindo consigo espíritos maus, viciados em energia sexual e que muitas vezes estão acompanhando mulheres e homens ali presentes, disvirtuando-os, levando-os aos caminhos da infidelidade, entre outros caminhos.
São espíritos alegres e gostam de conversar sobre a vida. São astutas, pois conhecem a maioria das más intenções. Devemos conhecer cada vez mais o trabalho dos guardiões, pois eles estão do lado da Lei e não contra ela. Vamos encará-los de maneira racional e não como bichos-papões. Eles estão sempre dispostos ao esclarecimento. Através de uma conversa franca, honesta e respeitosa, podemos aprender muito com eles.
Os Exus são espíritos que, como nós, buscam a evolução, a elevação, empenhando-se o mais que podem para aplicarem as diretrizes traçadas pelo Mestre Jesus. É bem verdade que em seu estágio inicial os Exus ainda têm um comportamento às vezes instável, cabendo aos verdadeiros umbandistas o dever de não deixar que se desvirtuem de seu avanço espiritual.
Pelo contrário... Os Exus, são os Senhores Agentes da Justiça Kármica, são quem guardam a cada um de nós e ao terreiro como um todo (Quem você acha quem são os vigilantes tão mencionados nos livros de Chico Xavier/ André Luiz?).
Estão acima dos princípios do bem e do mal. Tem-se que entender que "demônio" vem do grego "demo". Termo utilizado por Sócrates para definir "espírito" e "alma". Por sua vez, em função dos valores "do bem e do mal", pelo fato de vivermos no mundo da forma, precisou-se estereotipar este "mal". Na realidade, "os demônios" estão dentro de cada um.
Com relação aos espetáculos, que certas religiões mostram na televisão, com incorporação de “Exus” que dizem querer destruir a vida dos encarnados; podem até ocorrer manifestações mediúnicas, mas com certeza não são os Verdadeiros Exus da Umbanda que conhecemos. E sim os obsessores, vampirizadores e Kiumbas que usando o nome dos Exus, que os combatem, tentam marginalizá-los e difamá-los junto ao povo, que em geral não tem acesso a uma informação completa sobre a natureza dos nossos irmãos Exus.
"Orai e vigiai" é o lema de todo médium. Devemos estar atentos não com os vícios alheios, mas com os nossos. Devemos direcionar as energias desequilibrantes e transformá-las em energias salutares, em ações benéficas.   Resumindo, EXU NÃO É O DIABO!!!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Exu Pemba Negra:

Um Sentinela do Portal da Escuridão!

Esse Exu viveu muitas vidas e muitas histórias, mas somente uma delas, ele nos permitiu contar e a narrou por si mesmo: "Eu vivi minha última existência em 1530, em Amsterdã, hoje Holanda. Muitos huguenotes, judeus e pagãos refugiaram-se em Amsterdã nessa época, por ser uma cidade com pouco contato com o mundo europeu. Porém, teve início uma guerra que durou oitenta anos e determinou o futuro de muitos 'holandeses'.
Eu era de uma família judaico-cristã, portanto, não tivemos problemas com a Igreja da Europa. Desde cedo frequentei abadias, conventos, monastérios e ordens eclesiásticas para estudar. Tornei-me um dos preferidos dos cardeais e passei a ter certos privilégios, como: aprender a manusear armas de todas as espécies e atuar como espião junto aos governos.
E assim, com a idade de 23 anos eu já era respeitado e requisitado por todos aqueles que queriam fazer uso de minhas habilidades de 'espião-duplo'. Vocês pensam que a espionagem é privilégio do tempo de vocês; mas, eu lhes digo, ela é tão velha quanto o próprio Salomão! (Basta ler na Bíblia que, o próprio Caim matou Abel, após espionar suas conversas com Deus.)
Bom, voltando à minha história, eu tornei-me um excelente espião e entregava literalmente a todos que, segundo minha crença, mereciam o justo castigo. Muitos foram aos calabouços, à forca, à tortura e à morte de diversas maneiras, por minhas mãos. Tornei-me especialista em denunciar e, quanto mais o fazia, menos remorso sentia! Eu até havia me afastado de meus pais e de meus irmãos.
Tornei-me um prisioneiro de mim mesmo e de minhas armadilhas. Mas, dizem, porém, que nosso destino nos procura e o meu bateu-me à porta. Conheci, nessa época, uma linda mulher, que afeiçoou-se a mim, tanto quanto eu a ela. Tornamo-nos amantes ardentes e nada mais nos importava. Esquecemos do mundo lá fora. Mas, não tardou para que eu vivesse o pior dos horrores...
Um dia fui chamado à presença do Cardeal Hispânico e este solicitou-me descobrir o paradeiro de uma jovem, que fora esposa de um Grão-duque da Toscana e fugiu sem deixar vestígios. Diziam ser ela uma "huguenote" e líder da rebelião nos países baixos, pois era descendente de uma importante família etrusca. Quando solicitavam-me o serviço eu nada perguntava, apenas executava-o.
E assim, busquei informações que me levaram ao paradeiro da moça. Surpreso descobri tratar-se da pessoa com quem me relacionava. Eu não sabia se aquilo era um teste da Igreja ou uma armadilha do destino. Por um tempo fiquei sem saber como proceder, até que decidi contar a ela toda a verdade sobre a minha pessoa. Percebi em seu olhar um brilho de pavor, quando lhe relatei a minha profissão. Mas, ela dormiu comigo mesmo assim... Porém, ao despertar pela manhã, não a vi. Procurei por toda parte e não a encontrei.
Ao retornar de minha missão precisava passar um relatório de viagem aos superiores, mas eu era tão vigiado, quanto pensava vigiar! Foi, então, que me declararam que ela encontrava-se presa e eu seria grandemente elogiado por entregá-la de maneira tão sutil e 'elegante'. Nessa hora eu percebi o golpe do destino e das autoridades: fui punido por mim mesmo!
Caí por terra, despenquei, precisava resgatá-la! Pedir clemência ao Cardeal não adiantaria, pois mulher adúltera não tinha perdão. E ela tinha dois agravantes: era huguenote e etrusca. Meu Deus, como colhemos o que plantamos! Eu consegui vê-la após alguns dias e seu estado era deplorável! Olhou-me nos olhos e sorriu, mas nada disse e foi a pior punhalada que recebi! Eu fui um covarde, eu não lutei naquele momento!
Eles sabiam que para libertá-la eu teria que entregar-me e, ao entregar-me, eu seria réu confesso e pagaria caro por esse crime de amor! Como se amar fosse um crime! As mortes que eu causei eram muito mais graves que meu amor por ela... Então, decidi lutar. Eu era excelente no que fazia e poderia libertá-la! Planejei tudo minuciosamente e em dia apropriado apliquei meu plano.
Mas, eles já sabiam e esperavam pelos acontecimentos. Eu fui preso e condenado como espião-duplo e traidor do reino. Como castigo puseram-me acorrentado em uma cela ao lado. Eu a vi ser maltratada dia após dia e nada pude fazer. Seu ex-marido comprazia-se em ver seu sofrimento ser aumentado gradativamente. Que dias terríveis foram aqueles!!! Pareciam não ter fim...
Então, chegou o dia da execução e ambos fomos levados em Praça Pública. Eles me forçaram a olhar para tudo o que fizeram com ela: enforcamento, esquartejamento e cremação. Por fim, eu fui degolado, pois era membro eclesiástico e minha sentença era proferida dessa forma. Eu e ela encontramo-nos do outro lado. Ela estava linda, translúcida, parecia uma Princesa de Luz. Ela seguiu seu caminho de iluminação e eu fiquei nas trevas.
Eu era um farrapo humano e muitos espíritos que persegui exigiam minha punição. Eu fui entregue a um grupo de vingadores para que fizessem o que quisessem comigo. Enquanto exigiam minha condenação, um senhor todo trajado de preto, com um manto a lhe cobrir da cabeça aos pés, aproximou-se do grupo. Percebi que o grupo silenciou e observou, pois respeitavam-no. Então, ele falou que meu destino já estava selado e eu devia cumprí-lo imediatamente. Tirou-me do meio deles e levou-me por um portal.
Chegamos a um pequeno Cemitério, onde ele determinou: -Você recolherá todas as almas que caírem nas Trevas da Ignorância. Depois, encaminhará cada uma delas ao seu desfecho final, dentro do Umbral. Seu nome a partir de hoje será Exu Pemba Negra - como um Guardião das Poeiras e dos Nevoeiros da Escuridão. Eu perguntei: -Por quanto tempo ficarei nessa tarefa? E ele respondeu: -Não há um tempo determinado...
A partir desse momento, eu 'desci' para cumprir minha missão de morte. Perdi o contato com minha família e com ela (a etrusca). Apenas sei onde vivem e o que fazem, mas não posso vê-los ou visitá-los. Ainda cumpro meu trabalho e sou solicitado a todo momento. Essa é minha história; é assim que eu vivo agora."
 

quinta-feira, 8 de março de 2018

EXU DO LODO



Sobre a sua origem conta-se que ele teria sido um médico pesquisador muito conceituado em Amsterdã durante o século XVIII. Salvou a vida de muitas pessoas ricas e importantes mas sempre se recusou a tratar qualquer pessoa pobre que não tivesse dinheiro. Nunca fez caridade a pessoa alguma e só se importava com a fama e o status. Ele chegou a construir dois hospitais mas apesar da insistência de sua mãe em que ele começasse a ajudar também os mais necessitados, em momento algum dispensou qualquer atenção aos doentes que não lhe trouxessem algum benefício financeiro. Sua mãe acabou falecendo e o seu coração continuou sendo guiado pela arrogância e pelo interesse. Depois de muitos anos ele próprio veio a falecer e para sua surpresa ele acabou indo para as profundezas das regiões umbralinas (umbral corresponde ao inferno para os espíritas). Chafurdou no lodo das regiões infernais em grande sofrimento. Pois desperdiçou sua vida em interesses egoístas e mesquinhos. Mas após algum tempo de sofrimento sua mãe o socorreu e resgatou dessas regiões de sofrimento. Ele reconheceu seu erro e se arrependeu profundamente. Assim foi lhe dada nova chance de redenção e ele voltou a reencarnar. Dessa vez renasceu no Brasil, em uma família indígena. Mas veio a falecer cedo, com apenas 8 anos de idade foi mordido por uma cobra venenosa e veio a desencarnar. Novamente sua mãe o socorreu e no Plano espiritual retomou sua forma adulta (de sua antiga vida), estudou e pediu para cumprir sua missão como médico dos espíritos imundos. Dessa vez não reencarnaria, mas assumiria a forma de um Guardião do Lodo e recolheria todos aqueles que caíssem nas ilusões (todos que caíssem na lama)  da vida assim como ele próprio havia caído. Assim se tornou a entidade conhecida como Exu do lodo.

Fonte: ocalafrio.blogspot.com.br

EXU PORTEIRA



O Senhor Exu Porteira não cuida apenas das "porteiras" de um cemitério. A palavra porteira, na verdade, refere-se a "passagem" ou porta. Um Exu Porteira cuida de todos os portais e passagens de diversos lugares nos Planos Espirituais. Ele é o intermediário entre dois planos, sejam eles: espiritual e terreno, ígneo e telúrico, etérico e astral, ou outros.

Bom, o Exu Porteira desta seara nos contou a seguinte história: "Nasceu em Londres no século XVI, foi um Lorde inglês e aristocrata. Trabalhou junto ao governo da Coroa Britânica, servindo a Rainha da Escócia. Viveu uma vida de luxo e tradição junto ao Reino Unido por sessenta anos. Morreu em 1564, de parada cardíaca. Teve uma entrevida sem grande importância e depois reencarnou no Brasil, no ano de 1688. Tornou-se produtor de café nas terras do estado de São Paulo, durante o século XVIII, pois o café estava se poupularizando na Europa. Viveu novamente uma vida de luxo e aristocracia, dessa vez, junto ao governo português. Desencarnou aos 80 anos... Em suas vidas de aristocracia viajou muito e conheceu diversas culturas. Sempre foi um espírito muito inteligente, conhecedor das diferenças sociais e dos mistérios da vida. Ao chegar ao Plano Espiritual decidiu estudar e trabalhar. Queria entender os mistérios da vida e do Universo. Assim, tornou-se o Guardião das Sete Porteiras Espirituais!"

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Quiumbas x Exus





Este relato foi feito por um membro de uma comunidade do Orkut, o qual não lembro o nome, do contrário, mencionaria aqui.
" Em nossa ultima reunião uma das médiuns foi levada a um local no umbral onde ela viu umas lanças em pé e um ser do outro lado, parecia preso.
Era uma criatura muito feia, peluda. Nós a libertamos e a trouxemos até nós.
Outra médium achou o ser muito feio mesmo e comentou em voz alta, ao que ele, já incorporando em outra médium do grupo, questionou por que ela tinha dito isso, já que ele era muito bonito.
Falou a outra médium que o ser horrível que ela viu não era ele.
Reclamou que a médium de incorporação não permitiu que ele chegasse dançando por que não pode apresentar a sua "graça" e quando questionado, afirmou ser o Exu Tiriri.
Disse que era muito bonito e que nos terreiros quando baixava, só faltava as mulheres 'tirarem a calcinha pra ele', segundo afirmou orgulhoso. Ainda complementando disse que se quisesse faria sexo com qualquer uma delas.
Conversando conosco ele revelou que fazia muitos tipos de trabalho para prejudicar as pessoas e que se alimentava de sangue e que precisava disso. Afirmou que gostava de negociar, que onde estavam brigavam até por um galo podre e que um 'quatro patas' é o que ele gostava mesmo (se referia a animais de quatro patas, geralmente cabritos, que são oferecidos a eles em troca de seus trabalhos).
Dialogamos com esse irmão perturbado e mostramos a ele primeiramente que ele não era 'bonito' como imaginava e ele ficou chocado quando percebeu que ele era o ser horrível visto pela outra médium.
Depois ainda lhe mostramos o futuro provável que ele teria em consequencia de suas ações e também como poderia ser esse futuro se mudasse de atitude.
Quando lhe dissemos que ele não era um 'exu' mas sim um 'quiumba' ele disse que sempre lhe disseram que ele era um exu e que as pessoas o chamavam e respeitavam nos terreiros e lhe ofereciam comida (sangue) e oferendas, em troca de seus serviços.
Perguntamos se ele queria ver um exu de verdade ele afirmou que agora já tinha visto, e apontou em uma direção da sala onde disse estar o exu que ele viu, e que ele sim era muito bonito.
Apos conversarmos mais com esse espírito e 'negociarmos' com ele dizendo que ele teria comida para onde iria (em dado momento ele afirmou que um dos motivos dele aceitar isso é por que  morreu de fome e que quem disse a ele que ele era um exu afirmou a ele que nunca passaria fome pois as pessoas sempre procuram os exus e lhe dão de comer para ele realizar os trabalhos).
Expliquei que ele não se alimentaria mais de sangue e que aprenderia a obter alimento de outras formas para onde iria e o incitei a nos ajudar a libertar os outros 'exus' que estavam no mesmo local onde ele se encontrava.
Ele aceitou e voltou lá com uma das médiuns videntes, que viu uma cena que lhe pareceu dantesca, pois os tais 'exus' estavam todos presos em jaulas que estavam empilhadas umas sobre as outras. Estavam tão hipnotizados se achando exus que mesmo após desmaterializarmos as jaulas não queriam sair de onde estavam sem que se cantasse algum ponto cantado (pequenos versos que se usa para invocar a entidade nos terreiros). Ele então entoou alguns pontos por que disse que também havia muitas Padilhas por lá, Sete Saias, etc (nomes de pomba-gira, exu feminino). Colocamos todos em uma enorme bolha que plasmamos e eles foram encaminhados para outro local pela equipe espiritual, a fim de serem tratados.
Muitas pessoas simploriamente classificam todas as entidades que se manifestam como boas ou más. Muitos desses espíritos que estão por ai fazendo coisas erradas são seres ainda ignorantes e que são escravizados e dirigidos por mentes poderosas ainda devotadas ao mal.
Sempre que se apresenta algum irmão perturbado, mesmo com a intenção declarada de nos prejudicar, tentamos demovê-lo de suas intenções lhe mostrando o mal que esta causando a si mesmo. Em muitos casos esses seres são libertados e encaminhados para uma vida nova, onde lhe serão apresentados os reais valores do espírito."

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

ALGUNS TIPOS DE ENCRUZILHADAS

As encruzilhadas da figura acima, são utilizadas para a entrega de agrados ou descargas, na forma seguinte:
Encruzilhadas abertas: para todos Exus (indistintamente)
Encruzilhadas fechadas: para todos os Exus (indistintamente)
Porteira de Curral: Exu das Sete Porteiras
Encruzilhadas Mistas: Exus mirins, etc...
Encruzilhadas em "S" ou curvas: Exu Tira-teima
Encruzilhadas em pé de galinha: Dona Pomba-gira
Encruzilhadas de estrada de ferro: Dona Maria Padilha
Encruzilhadas de caminho do mato: Dona Maria Molambo

NOTA: Nas curvas em S nunca se caminha pelo lado do ângulo da curva. Nunca se deve atravessar as encruzilhadas em diagonal, principalmente as de dentro do cemitério. Ao utilizar-se uma porteira de curral, entra-se pelo lado direito e sai-se pelo esquerdo.

a tronqueira

A tronqueira é um assunto bem abrangente, embora não pareça. O princípio vem do tronco, onde os negros eram amarrados e açoitados. E que há uma interpretação simbolicamente sagrada, e pela qual se tem uma firmeza. Por isso, há todo um significado a partir desta interpretação, pois que ali escorreu um sangue, um sangue sagrado, que tornou alguns espíritos imortais...
O tronco é o símbolo do alicerce, do princípio, da força. A força que resistiu o braço do feitor, a injustiça e o “fogo da punição”. Muitas pessoas ainda não refletiram acerca disso e, por exemplo, ficam estagnados ante a histeria de um evangélico quando grita... “O sangue de Cristo tem poder!” Ai eu já respondo de imediato... “O sangue dos escravos também tem poder!”
Assim sendo, a tronqueira é como o alicerce de uma casa. Não se constrói uma casa, começando pelo telhado. E boa parte deste alicerce fica a baixo do solo. Ou como alguns preferem ao referir-se ao mistério... “O que não é visto, não é lembrado”. Eis ai a “pedra fundamental” de um terreiro.


Por outro lado, a tronqueira também pode ser compreendida como a encruzilhada. Neste reino há inúmeras encruzas, macho e fêmea, pares e ímpares. Normalmente subentende-se encruzilhada por “caminhos que se cruzam” simplesmente. Porém, tanto há cruzamentos de dois caminhos, como pode haver cruzamentos de mais que dois.
É o caso da encruza em forma de “Y”, que para os kimbandeiros chama-se tronqueira, e nela, reina um Exu de mesmo nome. Exu Tronqueira. Esta entidade desapareceu dos terreiros por alguma razão descabida, mas “os antigos” lembram bem do caráter deste Exu. A atuação do mesmo, e como ele se apresenta.
Mas aquilo que usualmente no referimos como tronqueira, é nada mais que um assentamento, uma firmeza. E dali parte toda uma estrutura que tem a finalidade de segurar uma corrente mediúnica. Neste momento entra o papel de Exu. A pedra fundamental que “segura” toda a carga gerada pelos trabalhos.

OS EXUS ESTÃO DIVIDIDOS EM 7 GRANDES LINHAS.

Exus do Cemitério: É formada por Exus sérios de Omulú (Rei dos Cemitérios). Não costumam dar consulta, se apresentam principalmente em grandes obrigações, trabalhos e descarrego.Ex: Sr. Tata, Sr. João Caveira; D.Maria Quitéria; D. Rosa Caveira; Sr. sete Catacumbas; Sr. sete Facas, etc...
Exus da justiça: Esta linha é formada por Exus que sevem ao Orixá Xangô, são os mais sérios, carrancudos, não aceitam brincadeiras, dificilmente se percebe estes exus dando um gargalha ou fazendo rodeio para falar. Ex. Marabá, Exu dos Raios, Capa Preta, Pedra Preta, Exu da Pedra Quente, Cigana Esmeralda, Maria das Montanhas, etc...
Exus da Encruzilhada: Esta linha é formada por Exus que servem ao Orixá Ogum. Não são brincalhões como os Exus da estrada, mas também não são tão fechados como os do cemitério. Gostam de dar consulta e também de participar em obrigações e descarrego. Alguns deles se aproximam muito da linha do cemitério, são os que chamamos de "Encruza pesada", enquanto outros se aproximam mais da linha da estrada, "Encruza leve".Ex: Sr. Tranca Rua; Sr. Veludo; Maria das sete Encruzilhadas; Sr. sete Encruzilhadas; D. Maria Mulambo; etc...
Exus dos Caminhos: Esta linha é formada por Exus que servem ao Orixá Oxossi, São os mais "carismáticos". Suas consultas são sempre recheadas de boas gargalhadas, porém é bom lembrar que como em qualquer consulta com um guia incorporado, o respeito deve ser mantido e sendo assim estas "brincadeiras" devem partir SEMPRE do guia e nunca do consulente. São os mais dão consultas em uma gira de Exu, se movimentam muito e também falam bastante, alguns chegam a dar consulta a várias pessoas ao mesmo tempo.
Nesta linha trabalham vários Exus dos caminhos propriamente dito, como também os Ciganos, Ex: D. Maria Padilha; Sr. Zé Pelintra; D. Rosa Vermelha; Sr. Tiriri; A Cigana a Ciganinha, Exu Mangueira, etc...
Fazemos uma observação valiosa, que o Exu Mangueira e o Exu do Tiriri, em especial, apesar de já terem atingido um certo grau de evolução, optaram por continuar sua jornada espiritual trabalhando como Exus, por serem os últimos de uma hierarquia importantíssima, que realizaram com sabedoria sua missão, e agora colaboraram com todos que um dia os ajudaram na evolução do seus superiores diretos.
Exus das Águas: Esta linha é formada por Exus que servem aos Orixás Nanã, Oxum, Yemanja, em suas apresentações se mostram pacientes e atenciosos, mas limitam as suas ações aos campos sentimentais e da fertilidade.
Gostam de auxiliar e amparar os trabalhos direcionados para os campos sentimentais e emocionais gostam de dar consulta demoradas e não participam com simpatia de obrigações de demandas. Alguns deles se aproximam muito da linha dos caminhos, são os que chamamos de "Encruza leve". Ex. Exu do Lodo, Exu da Pedra Fria,
Exus do Tempo: Esta linha é formada por Exus que servem a Orixá Yansã, São os mais "ecléticos e versáteis". Em suas consultas devemos estar preparados para escutar muitas vezes o que não desejamos. Eles atuam em todos os campos em todos os lugares abertos, auxiliam todos sempre que necessário, em muitas oportunidades são responsáveis pelas mensagens entre as varias faixas existente. Ex. Exu Ventania, Exu gira Mundo, Exu Corre Gira, Maria da gira, Ciganinha da Roda,
Exus Reis: Esta linha é formada por Exus que servem ao Orixá Oxalá, São os mais "ecléticos e versáteis". Suas consultas são sempre recheadas de ensinamentos e de informações, que induzem os presentes a pensar e se analisar.
Eles atuam em todos os campos vitalizando em todos os lugares, auxiliam todos os outros em todas as atividades, poucas vezes vemos eles à frente dos trabalhos, mas em muitas oportunidades são responsáveis por tudo. Ex. Exu Rei, Exu maioral, Exu Maior, Maria Padilha, Maria Cigana, etc.
São exigentes quanto ao preparo do filho de fé (moral, físico, espiritual e ritual);
São exigentes quanto à limpeza e ordem, tanto dos seus objetos quanto do ambiente;em palavra e honra;