domingo, 2 de novembro de 2014

História Contada Por Sr. Exu Da Capa Preta

Salve Sr. Exu da Capa Preta - Por Cásso Ribeiro
O ônibus estava lotado, eu não conseguia vê-la, mas sabia que estava lá.
Podia senti-la, captava sua angustia, sua indecisão, e acima de tudo seu
medo. Ela não estava só, alem de mim, vi outros que a acompanhavam. Eram
de outra faixa vibratória, pertenciam ao passado.Tentavam envolvê-la com
uma energia densa e pegajosa. Sempre que faziam isso ela ficava mais
nervosa e também mais decidida. Eu os via, mas eles não me notavam. À
medida que o ônibus avançava pelas ruas centrais mais e mais pessoas
entravam. Todos apressados para chegar em casa. O coletivo corria em
direção a periferia da cidade. Ela esta lá, meio deslocada, olhava com
insistência um pedaço de papel. Ali em suas mãos o endereço que segundo
ela mudaria seu destino. Ato continuo ela toca a campainha, o ônibus
para, descemos... Aqueles que a acompanham, vibram, ela esta na
iminência de servir como instrumento na vingança que planejam há muito
tempo. Vibram com tanto ódio que ela enfureceu-se consigo mesma. Como se
deixara envolver por aquele rapaz? Tinha que resolver isso imediatamente
e tratar de seguir sua vida, sem que seus pais soubessem. Ela verifica o
número anotado, esta perto. Chega a uma casa humilde, como todas as
outras ali no bairro. Toca a campainha é atendida por uma senhora que
executara o serviço. A mulher a analisa rapidamente, já vira muitas
iguais a ela, não tem tempo para conversa fiada.Pede-lhe o dinheiro e
manda que espere, pois existem duas mulheres na frente dela. Ela
senta-se e aguarda. Eu tenho que agir rápido. Vibro minha espada no ar,
e os seres trevosos que a acompanham estarrecem ante minha presença.
Fatalmente eles me notam,agora ou correm ou me enfrentam. Decidem
sabiamente pela primeira opção, saem da casa, mas ficam do lado de fora,
tentando contatar outros que podem vir ajudá-los. Aproveito para me
aproximar dela. Envolvo-a com minha capa, ela se acalma, por um
instante, sugestionada por mim e titubeia. Já não tem certeza se deve
continuar. Eu vibro em seu mental para que saia dali vá tomar um ar
fresco lá fora. Ela me atende. Quando chega , ainda envolvida por minha
capa, torna-se invisível para os que a acompanham. Tenho que me
materializar. Ela assusta-se ao me ver, tenta gritar não consegue, tenta
voltar para dentro da casa, mas eu a impeço. Chamo-a pelo nome, digo-lhe
que não deve me temer, falo que venho em paz. Tenho uma missão: Evitar
que ela faça o aborto. Não deve impedir aquele espírito de vir ao mundo.
Pouco importa se a concepção fora fruto de uma aventura. Deve deixá-lo
vir. Será um menino, veio do passado para cumprir uma missão, ela não
deve abortá-lo. Sei que seus pais não aprovarão a gravidez, mas me
comprometo a acalmá-los e fazê-los aceitar. Ela chora, não entende como
pode estar ouvindo aquilo. Falo com tanta firmeza que ela quer saber
quem sou. Digo-lhe que me chamam de Exu Capa Preta, sou um guardião,
protegerei o menino que ela carrega no ventre. Estarei ao lado dele a
vida toda, acompanhando-o, guiando-o e protegendo-o. Portanto ele não
deve temer. Chorando ela consente, avança para a rua, toma um ônibus e
retorna para casa. Protejo-a durante a gravidez, o menino nasce forte e
saudável, cresce sem sobressaltos como prometi. Sempre que acho
conveniente deixo-o que me veja, aos poucos vou me apresentando. Hoje
ele esta feliz, acabara de completar 18 anos.Seus amigos comemoram a
data festiva. Movido pela curiosidade o rapaz resolve conhecer um
terreiro de Umbanda. Estou ansioso, chegou meu grande dia! Ele chega,
senta na assistência. Lá dentro uma gira de Exu. Eu já me entendi com o
Exu chefe da casa, somos bem vindos. Quando ele entra para tomar um
passe com linda Pomba Gira eu tomo-lhe à frente e incorporo. Abraço a
moça com carinho, já nos conhecemos de longa data, fumo, bebo, canto.
Daqui para frente haverei de incorporar sempre que necessário. E assim
foi. Ele desenvolveu, abriu seu próprio terreiro, cumpre com amor e
carinho sua missão. De minha parte não o abandono nunca. Estou sempre
disposto e feliz.




Dando início a uma destas reuniões mediúnica num centro espírita orientado pela doutrina de Allan Kardec, foi feita a prece de abertura por um dos presentes. Iniciando-se as manifestações, pequenas mensagens de consolo e apoio, foram dadas pelos desencarnados aos membros da reunião.

Quando se abriu o espaço destinado à comunicação de Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia fica sob a influência de um Espírito

O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas-vindas, em nome de Jesus.

- Seja bem-vindo, meu irmão, nesta casa de caridade, disse-lhe Dr. Anestor.

O espírito respondeu:

- Boa noite, Fio. Suncê me dá licença prá eu me aproximá de seus trabalhos, Fio?".

- Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor da mesa.

Todos os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, a entidade continuou:

-"Vósmecê não tem aí uma cachacinha prá eu bebê, Fio?".

- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz dos terreiros, que é o de ingerir bebidas alcoólicas.

O Espírito precisa evoluir, completou o dirigente.

- Vósmecê num tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Fio.

- Ora, meu irmão, você deve deixar o mais breve possível este hábito adquirido nas práticas de terreiro, se é que queres progredir. Que benefícios traria isso a você?

O preto-velho respondeu:

- Preto-véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos médiuns não faz uso do cigarro, Fio? Suncê mesmo num toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que beberica `whisky' lá fora, do meu Espírito que quer beber aqui dentro? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncês fuma na rua, daquele que eu quero pitar aqui dentro, Fio?

Dr. Anestor não pôde explicar, mas resolveu arriscar: - Ora, meu amigo, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar os trabalhos de Jesus. O preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:

- Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita.

Para nós, estudiosos da alma, o templo da verdade é o do Espírito. E é ele que está sendo profanado com o uso do álcool e do fumo, como vêm procedendo os senhores. Vosso exemplo na sociedade, perante os estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é fundamental na vida de quem quer ensinar.

Houve grande silêncio diante de tal argumentação segura. Pouco depois, o Espírito continuou:

- Suncê me adescurpa a visitação que fiz hoje, e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para donde vim, mas antes, Fio, queria deixar a suncês um conselho: que tomem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Sinhô', tem gente coando mosquito e engolindo camelos.

- Cuidado, irmãos, muito cuidado. Preto-véio deixa a todos um pouco da paz que vem de Deus. Ficam meus sinceros votos de progresso a todos os que militam nesta respeitável Seara".

Dado o conselho, afastou-se para o mundo invisível. Dr. Anestor ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma", mas não houve resposta. No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição para todos meditarem.

Autor Desconhecido

Preto_Velho1

Mensagem de Preto Velho
Pai Jerônimo

“Um certo dia, ele atendeu de uma senhora que lhe veio consultar sobre um tumor nos seios, diagnosticado por uma mamografia.
Passes daqui, trabalhos dali, enfim, uma consulta normal…vela, erva, água…
Disse o preto:
- É mizim fia… Tá feito…mas num deixa de procurá o Homi de branco, dispois vem contá pro nego…nego vai ficá no toco esperando zunce vortá…
E saiu a consulente.
Numa próxima gira, estava lá o preto no toco e chegou a sua consulente, já na segunda parte do trabalho.
- Podi entrá mi zim fia, tava le esperano….
- É meu Velho, fui no médico sim… ele disse que o tumor sumiu, vai ver foi engano, o que a mamografia mostrou foi uma sombra de um queloide, que eu já tinha de cirurgia anterior. mas vim lhe agradecer, pois sei que o Senhor me curou..
Diga, meu Pai, o que o Senhor quer de presente, quero lhe agradecer…
Em nossa casa, as entidades as vezes ganham presentes, charutos, bebidas, mas não que peçam, porque as pessoas trazem em agradecimento mesmo, como deve ser em todo lugar.
Mas naquele dia o preto pediu…
- Me traga um bolo de chocolate, mi zi fia, suncê pode faze isso…?? Mais tem qui ser na próxima gira… eu num vô tá aqui, mas fala com o caboclo chefe que ele manda mi chamá….
Todos estranharam, e eu mais ainda, passei a semana pensando naquele pedido, eu que amo bolo de chocolate, pensava comigo, Meu Velho… porque um bolo, Meu Pai… Até os filhos da casa acharam estranho e houve uma brincadeira ou outra… do tipo achando que iam comer o bolo….Alguém arriscou dizer que era a comemoração pela cura da mulher… Enfim… esperei ansiosa… Afinal… confio neles.
Em verdade torci para a mulher nem aparecer com aquele bolo…
Mas ela apareceu, e sentou na primeira fila, como tal bolo, todo confeitado de confetes coloridos.
Chegou o preto, com autorização do chefe do terreiro, que é Seu Serra Negra….
- Trouxe meu bolo, mi zim fia…
- Trouxe meu velho…
Então o preto levantou e disse que na assistência tinha uma menina, de cor morena, que estava fazendo aniversario, 14 anos, e chamou-a.
Disse à menina:
- Mi zim fia, esse é presente que sunce pediu ao seu anjo da guarda, ele não pode vir, mandou o nego te entregar…
A criança marejou os olhos e saiu com o bolo na mão, sentar ao lado da mãe, que chorava muito na assistência. Em 14 anos, nunca havia ganhado um bolo de chocolate….Nunca mais voltou, nunca mais vimos. E nunca esquecemos esta história.”
Autor desconhecido

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lições de um Preto Velho


LIÇÕES DE UM PRETO VELHO

Observe esta breve história. Uma história verídica que infelizmente ocorre com grande freqüência nas reuniões espíritas com os então ainda espectadores encarnados, incrédulos que necessitam da ilusão dos “nomes afamados e títulos memoráveis” para se dar a credibilidade ao espírito mensageiro iluminado.
Cenário: reunião mediúnica num Centro Espírita. A reunião na sua fase teórica desenrola-se sob a explanação do Evangelho Segundo o Espiritismo. Os membros da seleta assistência ouvem a lição atentamente. Sobre a mesa, a água a ser fluidificada e o Evangelho aberto na lição nona do capítulo dez: “O Argueiro e a trave no olho”.

Dr. Anestor, o dirigente dos trabalhos, tecia as últimas considerações a respeito da lição daquela noite. O ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras do Mestre: “Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu?”. Findos os esclarecimentos, apagaram-se as luzes principais, para que se desse abertura à comunicação dos Espíritos.

Um dos presentes fez a prece e deu-se início às manifestações mediúnicas. Pequenas mensagens, de consolo e de apoio, foram dadas aos presentes. Quando se abriu o espaço destinado à comunicação das entidades não habituais e para os Espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia, moça de educação esmerada, traços delicados, de quase trinta anos de idade, dez dos quais dedicados à educação da mediunidade, sentiu profundo arrepio percorrendo-lhe o corpo. Nunca, nas suas experiências de intercâmbio, tinha sentido coisa parecida. Tomada por uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea, foi “dominada” por um Espírito. Letícia nunca tinha visto tal coisa: estava consciente, mas seus pensamentos mantinham-se sob o controle da entidade, que tinha completo domínio da sua psiquê.

O dirigente, como sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas vindas, em nome de Jesus:

- Seja bem vindo, irmão, nesta Casa de Caridade, disse-lhe Dr. Anestor.
 
O Espírito respondeu:
 

“Zi-boa noite, zi-fio. Suncê me dá licença pra eu me aproximá de seus trabaios, fio?”.

- Claro, meu companheiro, nosso Centro Espírita está aberto a todos os que desejam progredir, respondeu o diretor dos trabalhos.

Os presentes perceberam que a entidade comunicante era um preto-velho, Espírito que habitualmente comunica-se em terreiros de Umbanda. A entidade comunicante continuou:

“Vós mecê não tem aí alguma coisa pra eu bebê, Zi-Fio ?”.

- Não, não temos, disse-lhe Dr. Anestor. Você precisa se libertar destes costumes que traz de terreiros, o de beber bebidas alcoólicas e café. O Espírito precisa evoluir, continuou o dirigente.

“Vós mecê não tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, Zi-fio”.

- Ora, irmão, você deve deixar o hábito adquirido nas sessões de Umbanda, se queres progredir. Que benefícios traria isso a você?

O preto-velho respondeu:

“Zi-preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos que aqui estão, não faz uso do cigarro lá fora, Zi-fio? Suncê mesmo, não toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu Espírito que bebe whisky, no fim de sumana, do meu Espírito que quer beber aqui? Ou explicá prá mim, a diferença do cigarrinho que suncê queima na rua, daquele que eu quero pitá aqui dentro?”.

O dirigente não pôde explicar, mas ainda tentou arriscar:

- Ora, meu irmão, nós estamos num templo espírita e é preciso respeitar o trabalho de Jesus.

O Espírito do preto-velho retrucou, agora já não mais falando como caipira:

“Caro dirigente, na Escola Espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais Centro Espírita. Para nós, estudiosos da alma, o verdadeiro templo é o templo do Espírito, e é ele que não deve ser profanado com o uso do álcool e fumo, como vem sendo feito pelos senhores. O exemplo que tens dado à sociedade, perante estranhos e mesmo seus familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é que é fundamental na vida de quem quer ensinar”.
 
Houve profundo silêncio diante de argumentos tão seguros. Pouco depois, o Espírito continuou:

“Desculpem a visita que fiz hoje e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para o lugar de onde vim, mas antes queria deixar a vocês um conselho: que tomassem cuidado com suas obras, pois, como diria Nosso Senhor, tem gente “coando mosquito e engolindo camelo”. Cuidado, irmãos, muito cuidado. Deixo a todos um pouco da paz que vem de Deus, com meus sinceros votos de progresso a todos que militam nesta respeitável Seara”.

Deu uma sacudida na médium, como nas manifestações de Umbanda, e afastou-se para o mundo invisível. O dirigente ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar “daquela forma”. Não houve resposta.

 

No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição: lição para os confrades meditarem sobre aquilo que creem ou que necessitam ter para crer!!!!
 
Saravá Yofá! Saravá os Preto-Velhos!!!
Saravá todo o povo do cativeiro!
Adorei as Almas!!!!!!
 
QUEM DECIDE COLOCAR-SE COMO JUIZ DA VERDADE E DO CONHECIMENTO É NAUFRAGADO PELA GARGALHADA DOS DEUSES.
PENSE NISSO!

ROSA BRANCA SEM ESPINHOS(PSICOGRAFIA DE VÓ MARIA)


“Minha família de fé,
Quando a ingratidão e a injustiça baterem a sua porta volte seus pensamentos ao bem,feche os olhos e mentalize o sorriso daqueles que foram beneficiados com o trabalho de amor e dedicação que tem dado frutos doces a muitos corações amargurados pela dor,agindo assim toda a ingratidão e injustiça sofridas serão ofuscadas pela luz que emana de suas ações.
Ah se eu fosse recuar cada vez que recebi uma chibatada, não teria feito nada de minha encarnação, não teria feito meu resgate cármico, não teria caminhado, ficaria encolhida no canto da senzala me lastimando… Agora estou me lembrando… já contei para vocês esse fato que ocorreu na fazenda, em minha última encarnação…
…Entrei na casa grande,já era madrugada, fui chamada pela sinhá,o sinhozinho Pedro Henrique, filho dela,um jovem de 18 anos, se encontrava muito enfermo, jazia sobre o leito, muito pálido delirava de febre. Chovia muito e a pequena ponte de madeira que dava travessia para a vila, havia sido levada pela chuva.Assim sendo,não havia como enviar um escravo para trazer o “doutor”.
Ao ver aquele menino,na hora eu soube que ele desencarnaria, havia chegado o momento dele e nem eu,o “doutor” ou qualquer encarnado poderíamos mantê-lo vivo.Eu Havia trazido aquele menino ao mundo,era eu quem realizava todos os partos da família,e foram muitos que eu trouxe ao mundo com minhas mãos de parteira,aquele menino era querido para mim,como um filho!
Ele me amava também e assim que cheguei perto da cama ele me olhou, sorriu e apertou minha mão. A mãe desesperada e ansiosa por notícias implorava com os olhos que eu salvasse seu filho, eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para mantê-lo confortável, troquei os lençóis baixei sua febre com ervas, ele melhorou… 
Quando o dia já amanhecia, ele sentou-se na cama, chamou sua mãe,disse que a amava, se despediu das irmãs,me deu um abraço apertado, deito-se,sorriu e partiu… Eu o vi sair do corpo e quando passou por mim, com´O VELHO ESCRAVO VÓ DITO AO SEU LADO, me disse “até logo vó, te amo!”e se foi…a família se desesperou, foi muito triste a ausência daquele menino tão alegre e generoso… a mãe se trancou no quarto e o pai, se revoltou e mandou me buscar na senzala, derramou sobre mim todo o seu ódio e sofrimento, mandou que esquentassem o ferro e fez uma marca nas minhas costas com ferro em brasa, ele sabia que eu não tinha culpa, mas precisava que o mundo sentisse sua dor, precisava me ver sofrer para ver se amenizava sua dor e para mim a pior dor era a saudade de meu menino,que eu vi crescer e que quando criança me acompanhava por aqueles campos,fazendo mil perguntas:
‘”VÓ,O QUE É ISSO?VÓ, PARA QUE SERVE ESSA ERVA?VÓ PORQUE A SENHORA É ESCRAVA?VÓ,QUANDO EU FOR DONO DESSA FAZENDA A SENHORA NÃO VAI MAIS SER ESCRAVA,VAI SER SÓ MINHA VÓ!”
era assim que ele era comigo e meu coração doía por sua partida, doía tanto que nem senti a queimadura…Passaram-se dois dias, a mãe, a sinhazinha, veio ao meu encontro, chorando pediu perdão pela atitude do marido, chorando nos abraçamos e juntas fomos ao túmulo do nosso menino, juntas fizemos nossas preces e ela me deu uma rosa branca, quando olhei vi que ela havia retirado todos os espinhos da rosa!
Então ela me disse:”ESSA É A PERFEITA REPRESENTAÇÃO DO AMOR QUE ME UNE AO MEU FILHO,UM AMOR SÓ DE PERFUME SEM A DOR DOS ESPINHOS,É ISSO QUE QUERO OFERECER AOS OUTROS, É ISSO QUE OFEREÇO A SENHORA, É ASSIM QUE SINTO MEU FILHO.”
E eu percebi o quanto é bom espalhar rosas sem espinhos,por mais que a dor visite seu coração, não pense em furar o coração dos outros com os espinhos de sua revolta. Conserve em seu coração sentimentos de amor, perdão e gratidão, os espinhos da ingratidão ferem tanto quanto os espinhos da revolta. Que o perfume da amizade, da fé em Deus e do amor ao próximo lhe ajudem a superar as agruras das provas terrenas.
Ofereço a vocês minha família de alma,
principalmente a você filha, minha rosa branca sem espinhos…PASSE ADIANTE…
Vó Maria”

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

« Faz Caridade Fio!


causosdeumbanda2.jpg
Leni W. Saviscki
“A ingratidão é um dos frutos mais imediatos do egoísmo; revolta sempre os corações honestos.”
Vovó Maria fumegava seu pito e batia seu pé ao som da curimba enquanto observava o terreiro, onde os cambones movimentavam-se atendendo aos pretos velhos e aos consulentes. Mandingueira, acostumada a enfrentar de tudo um pouco nos trabalhos de magia, sabia perfeitamente como o mal agia tentando disseminar o esforço do bem.
Sob variadas formas, as trevas vagavam por ali também.
Alguns em busca de socorro; outros, mal-intencionados, debochavam dos trabalhadores da luz. Muitos chegavam grudados no corpo das pessoas, qual parasitas sugando sua vitalidade.
Outros, por sobre seus ombros, arqueando e causando dores nos hospedeiros, ou amarrados nos tornozelos, arrastavam-se com gemidos de dor. Fora os tantos que eram barrados pela guarda do local, ainda na porta do terreiro e que, lá de fora, esbravejavam palavrões.
Da mesma forma, o movimento dos exus e outros falangeiros se fazia intenso no lado astral do ambiente, para que, dentro do merecimento de cada espírito, pudessem ser encaminhados.
Uma senhora com ares de madame se aproximou da preta velha para receber atendimento. Vinha arrastando uma perna que mantinha enfaixada.
– Saravá, filha – falou Vovó Maria, enquanto desinfetava o campo magnético da mulher com um galho verde, além de soprar a fumaça do palheiro em direção ao seu abdome, o que fez com que a mulher demonstrasse nojo em sua fisionomia.
Fingindo ignorar, a preta velha, cantarolando, continuou a sua limpeza. Riscando um ponto com sua pemba no chão do terreiro, pediu que a mulher colocasse sobre ele a perna ferida.
“Será que não vai pedir o que tenho?”, pensou a mulher, já arrependida por estar ali naquele lugar desagradável. “Vou sair daqui impregnada por estes cheiros!”
Vovó Maria sorriu, pois captara o pensamento da mulher, mas preferiu ignorar tudo isso. O que a mulher não sabia era a gravidade real do seu caso, ou seja, aquilo que não aparecia no físico. Se ela pudesse ver o que estava causando a dor e o inchaço na perna, aí sim, certamente ficaria muito enojada. Na contraparte energética, abundavam larvas que se abasteciam da vitalidade do que já era uma enorme ferida e que breve irromperia também no físico.
Além disso, uma entidade espiritual, em quase total deformação, mantinha-se algemada à sua perna, nutrindo, assim, essas larvas astrais. Para qualquer neófito, aquilo mais parecia um cadáver retirado da tumba mortal, inclusive pelo mau cheiro que exalava.
Com a destreza de um mago, a preta velha sabia como desvincular e transmutar toda essa parafernália de energias densas, libertando e socorrendo a entidade escravizada a ela.
Feitos os devidos “curativos” no corpo energético da mulher, Vovó Maria, que à visão dos encarnados não fez mais que um benzimento com ervas e algumas baforadas de palheiro, dirigiu-se agora com voz firme à consulente:
– Preta Velha até aqui ouviu calada o que a ilha pensou a respeito do seu trabalho.
Agora preciso abrir minhas tramelas e puxar sua orelha.
Ouvindo isso, a mulher afastou-se um pouco da entidade, assustada com a possibilidade de que ela viesse mesmo a lhe puxar a orelha.
“Escutou o que pensei? Ah, essa é boa. Ela está blefando comigo.”, pensou novamente a mulher.
– Se a madame não acredita em nosso trabalho, por que veio aqui buscar ajuda? Filha, não estamos aqui enganando ninguém. Procuramos fazer o que é possível, dentro do merecimento de cada um.
– É que me recomendaram vir me benzer, mas eu não gosto muito dessas coisas…– …e só veio porque está desesperada de dor e a medicina não lhe deu alento, não foi ilha? – complementou a preta velha.
– Os médicos querem drenar a perna e eu fiquei com medo, pois nos exames não aparece nada, mas a dor estava insuportável.
– Estava? Por quê, a dor já acalmou?
– É, agora acalmou, parece que minha perna está amortecida.
– E está mesmo, eu fiz um curativo.
A mulher, olhando a perna e não vendo curativo nenhum, já estava pronta para emitir um pensamento de desconfiança quando a preta velha interferiu:
– Vá para sua casa, ilha, e amanhã bem cedo colha uma rosa do seu jardim, ainda com orvalho, e lave a sua perna com ela, na água corrente. Ao meio-dia o inchaço vai sumir e sua perna estará curada.
Não ousando mais desconfiar, ela agradeceu e já estava saindo quando a preta velha a chamou e disse:
– Não se esqueça de pagar a promessa que fez pra Sinhá Maria, antes dela morrer…
Arregalando os olhos, a mulher quase enfartou e tratou de sair daquele lugar imediatamente.
O cambone, que a tudo assistia calado, não agüentando a curiosidade perguntou que promessa foi essa.
– Meu menino, o que nós escondemos dos homens fica gravado no mundo dos espíritos.
Essa filha, herdeira de um carma bastante pesado por ter sido dona de escravos em vida passada e, principalmente, por tê-los ferido a ferro e fogo, imprimindo sua marca na panturrilha dos negros, recebeu nesta encarnação, como sua fiel cozinheira, uma negra chamada Sinhá Maria.
Esse espírito mantinha laços de carinho profundo pela madame desde o tempo da escravidão, quando foi sua “Bá” e, por isso, única poupada de suas maldades. Nessa encarnação, juntaram-se novamente no intuito de que a bondosa negra pudesse despertar na mulher um pouco de humildade, para que esta tivesse a oportunidade de ressarcir os débitos, diante da necessidade que surgiria de auxiliar alguém envolvido na trama cármica.
Sinhá Maria, acometida de deficiência respiratória, antes de desencarnar solicitou à sua patroa que, na sua falta, assistisse seu esposo, que era paraplégico, faltando-lhe as duas pernas.
Deixou para isso todas as suas economias de anos a fio de trabalho e só lhe pediu que mantivesse com isso a alimentação e os medicamentos. Mas na primeira vez que ela foi até a favela onde morava o homem, desistiu da ajuda, pois aquele não era o seu “palco”. Tratou logo de ajustar uma vizinha do barraco, dando-lhe todo o dinheiro que Sinhá havia deixado, com a promessa de cuidar do pobre homem. Não é preciso dizer que rumo tomaram as economias da pobre negra; em pouco tempo, para evitar que ele morresse à míngua, a Assistência Social o internou em asilo público. Lá ele aguarda sua amada para buscá-lo, tirando-o do sofrimento do corpo físico. Nenhuma visita, nenhum cuidado especial. A madame se havia “esquecido” da promessa. Eu só iz lembrá-la para que não tenha que voltar aqui com as duas pernas inválidas. A Lei só nos cobra o que é de direito, mas ela é infalível. Quanto mais atrasamos o pagamento de nossas dívidas, maiores elas ficam. Por isso, camboninho, negra velha sempre diz para os filhos que a caridade é moeda valiosa que todos possuímos, mas que poucos de nós usam. Se não acordamos sozinhos, na hora exata a vida liga o “desperta-dor” e, às vezes, acordamos
assustados com a barulheira que ele faz… eh, eh, eh… Entendeu, meu menino?
– Sim, minha mãe. Lembrei que tenho de visitar meu avô que está no asilo…
Sorrindo e balançando a cabeça a bondosa preta velha falou com seus botões:
– Nega véia matô dois coelhos com uma cajadada só… eh, eh…
E, batendo o pé no chão, fumando seu pito e cantarolando, prosseguiu ela, socorrendo e curando até que, junto aos demais, voltou para as bandas de Aruanda.
Causos de Umbanda Volume 2 – Páginas 37 a 41 – Vovó Benta / Leni W. Saviscki

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MÃE DE NADA


Ele rapidamente lê a placa na parede daquela casa: “Joga-se búzios, tarô, faço trabalho de amarração. Mãe Vera da Bahia”. 
Resolve entrar. Na ante-sala varias pessoas aguardam para ser atendidas. Uma moça de olhar triste e perdido. Um homem de gestos afeminados. Uma senhora de idade avançada. 
La dentro do quarto penumbroso, luzes vindas de velas. Sente o cheiro forte de defumação que, não demora, invade a casa. 
Observa os moveis. Realmente mãe Vera vive bem: aparelhos novos estão por toda a espaçosa casa. Uma jovem auxiliar preocupa-se em receber antecipadamente o valor da consulta. 
A moça de olhar perdido puxa conversa com a outra mulher. Sussurra que precisa amarrar um homem casado. Envolvera-se com ele no ambiente de trabalho e mesmo sabendo que é casado, possui filhos, acha que precisa tê-lo a qualquer custo. Diz que já foi a vários terreiros, falou com Exus e Pombas-Gira que lhe recusaram o pedido. Alegaram que ela não deveria deixar um impulso, acabar com a vida daquele homem. Ainda segundo ela, os Exus ponderam que, se tivesse paciência, arrumaria alguém livre para amá-la com o desprendimento que merecia. Nada disso a comove, queria o tal homem casado e pagaria o que fosse preciso. 
A mulher que a ouvia calada concordou com os argumentos usados. Por sua vez disse que estava ali para acabar com sua vizinha, mulher nova e bonita que nunca havia lhe feito nada, ao contrario até tratava-a bem, mas ela não podia suportar a felicidade da vizinha. Já que ela mesma não era feliz, iria acabar com a felicidade da outra. Pagaria a dona Vera para matá-la com magia. 
O homossexual ouvindo a conversa resolve-se abrir: apaixonara-se por um homem e ele embora nunca tenha destratado, deixou claro que era noivo, feliz e nunca iria se envolver com ele. Sendo assim estava ali para que tal Mãe de Santo amarrasse seu homem... 
Embutidos em sua mesquinharia, não notam a presença de alguém, que em seu intimo, estava revoltado, pois tão poderosa Mãe de Santo não passava de uma mulher inescrupulosa que usava a baixa espiritualidade para alimentar a ganância, a cobiça, o ódio nas pessoas. Não percebe a tal mulher que, ao fazer isso esta apenas sendo instrumento dos kiumbas. 
Lá no quartinho, alheia ao que se passa na anta-sala, dona Vera acaba de atender mais um cliente. Envolta pela fumaça e com todas aquelas velas acesas, além de várias imagens de Exús, a mulher de fato impressiona. Ela não esta só: um grande kiumba e seu séquito estão ali prontos a usá-la e sugar as energias daquela gente que ela atende. O kiumba esta feliz: La fora à mais vitimas. 
Dona Vera também esta feliz, pois vai ganhar um bom dinheiro. 
Não sabem que terão uma bela surpresa. O homem que até então estivera ouvindo aquelas pessoas, pede licença para passar na frente, pois tem que viajar com urgência. Os três consulentes o medem de cima abaixo, vêem que estão diante de alguém importante e resolvem aceitar seu pedido. 
Ele entra no quarto. Dona Vera sente o coração bater mais forte. Acha graça aquele homem tão importante estar em sua casa. “Hoje – pensa ela – vou faturar alto!”. 
O kiumba se alvoroça, percebe que aquele homem esta olhando para ele. Mas como pode ser isso? Então percebe ter cometido um erro enorme: o tal homem era um Exu de Lei. A força do Exu lhe envolve de tal maneira que ele sente que precisa sair dali com urgência. E assim faz: desaparece deixando só a Mãe de Santo. 
Por sua vez dona Vera começa a suar frio. Tenta chamar ajuda, mas a voz lhe falta. Pensa que o estranho ira ajudá-la, mas ele se limita a olhar para ela sorrindo. Diz então que chagava a hora dela pagar por prejudicar e enganar tanta gente. Mostra que a mediunidade é como um dom Divino e como tal deve ser respeitada e usada para a pratica do bem, nunca para enganar, jamais para causar discórdias e dor. Completa o sermão e mostra que é um guardião de Exu de lei. 
Dona Vera esta embasbacada, não sabe o que fazer. Suas pernas não lhe obedecem... Exu aproxima-se dela e, à medida que ele avança, ela cai. Quando percebe, seu espírito esta ao lado do corpo. Desesperada ela grita, tenta voltar, mas já é tarde. Exu a agarra fortemente. 
Neste instante os consulentes ouvem um corpo que cai. Entram no quartinho a tempo de ver o homem que some diante dos seus olhos. Todos correm assustados. O Exu gargalha e some. 
Ele não mentiu: iria viajar sim, mas em direção ao Vale das Sombras... Tendo ao lado uma futura hospede. 
Laroiê Exu! 

COMENTÁRIO

Esse fabuloso texto publicado pela Revista Orixás (Especial n.° 5 - Editora Minuano Ltda.) nos faz refletir acerca de práticas infelizes existentes em nossas sociedade.
Quem nunca leu um anúncio como o da figura acima, "Lê-se Búzios, Tarô, Faz Todos os tipos de Trabalhos, traz a pessoa amada em 7 dias, etc." 
Primeiramente, cabe destacar que pessoas que colocam tais anúncios em postes, jornais, muros, etc., não são médiuns Umbandistas. Isso porque, o Umbandista verdadeiro em nenhum momento irá "anunciar" a prática de trabalhos de qualquer espécie, visto que só pratica a caridade. Ainda, não cobraria por qualquer atendimento, pois a caridade não tem preço, devendo dar de graça o que de graça recebeu. Assim, como a mediunidade é um dom concedido por Deus para ajudar o próximo e a nós mesmos, não temos qualquer autorização e motivo para exigir retorno financeiro.
Lugares como esses mencionado no texto são ambientes em que não existe luz. Apenas as trevas ali habitam, através dos Kiumbas (espíritos negativos, que muitas vezes se passam por Exu de Lei) . Infelizmente, em nossa sociedade existem "terreiros" que se dizem de Umbanda, mas que praticam magias baixas, como as de amarração, destruição, desunião, etc. Tais lugares devem ser evitados por qualquer pessoa, visto que nada de positivo se alcançará ali.
Em um verdadeiro Terreiro de Umbanda, os espíritos ali manifestados jamais aceitarão praticar o mal contra quem quer que seja! Ao revés, procurarão orientar o infeliz que busca tais artimanhas que só o amor e a caridade valem a pena e que nossos corações devem ser destituídos de qualquer sentimentos de ódio e rancor se quisermos evoluir. 
Mas, como dito acima, em nossa sociedade são muitas as casas que estão entregues à maldade. Temos notícias de trabalhos de feitiçaria, magia negra, promiscuidade e bebedeiras, tudo dentro de uma casa de deveria ser de oração e respeito. Existem terreiros que mais parecem baile à fantasia e até botecos do que uma casa de Umbanda.
Por isso, caros irmãos, alertamos através deste texto para que não acreditem em promessas fantasiosas. Não comprometa seu karma e sua existência procurando casas que praticam a maldade, que  realizam amarrações e desuniões. Não acredite em casas onde não há doutrina ou que se baseiam em superstições e crendices sem comprometimento.
Lembre-se, o verdadeiro terreiro de Umbanda é um local de respeito e oração, local onde só se pratica a caridade e se prega a evolução. Qualquer lugar onde se faz "algazarra", bebedeiras, evoca-se espíritos inferiores e praticam magias para prejudicar alguém,  não são casas de Umbanda, mas sim  casas de magia negra e devem ser evitadas e até denunciadas para as autoridades competentes.
  Que Oxalá nos ilumine!

domingo, 31 de agosto de 2014

Preto Velho ou Médico ????

Contou-nos uma confreira, das mais atuantes em nossa casa de caridade espiritual e material:
"Que em um certo Centro Espírita situado na cidade de São Paulo, Capital, havia uma noite de reuniões caritativas, que era dedicada a caridade física dos encarnados, isto é, somente para consultas com Entidades Médicas".

"Nas cabinas próprias para consultas médicas a secretária fazia a arrumação final dando os últimos retoques para que tudo estivesse de acordo ao se iniciar os trabalhos; isto incluindo os médiuns cada qual em seu lugar, quando de repente um dos médiuns deu sinal e manifestou-se uma Entidade".

- "A secretária correu para atender a Entidade recém chegada, e qual não foi sua surpresa ao deparar com uma Entidade de Pretos-Velhos".

"Usando sua amabilidade costumeira explicou à Entidade que ela não poderia dar consultas naquela noite, pois aquele dia da semana, era reservado às Entidades Médicas e não à Pretos-Velhos".

- "A Entidade, também, com aquela humildade que lhe era peculiar confirmou com a secretária:"

"Hoje eu não posso dar consulta só as Entidades Médicas?".

"Ao que confirmou a secretária pedindo desculpas e pedindo à Entidade que “subisse”".

- "A entidade se despediu, agradeceu e “subiu”".

- "Passados alguns minutos, se manifestou e se apresentou uma nova Entidade Médica, no mesmo médium, que passou a atender os pacientes nas mais variadas modalidades da medicina".

- "Terminado os trabalhos médicos, todos muito satisfeitos com os trabalhos da nova entidade médica, foram agradecê-la antes da “subida” e pedir o seu retorno".

- "Quando a secretária dos trabalhos, foi se despedir da Entidade, esta dirigiu-se a ela dizendo:"

"Este é um dia reservado para trabalhos só das Entidades Médicas, não podendo Entidades como Pretos-Velhos se manifestarem, não é assim?"
- "Ao que a secretária confirmou e aproveitou o ensejo para pedir à Entidade Médica, se conhecesse a Entidade que se manifestara antes, Pretos-Velhos, pedir as mais sinceras desculpas de coração, pois aquele dia era só de consultas médicas e não pretos-velhos; ao que a entidade aduziu:"

"Pode ficar tranqüila que aquela Entidade que esteve aqui no começo está sabendo e não esta aborrecida com a irmã, pois aquela entidade que esteve aqui no início e não pode trabalhar como tal, era eu mesmo".

A projeção e as formas-pensamentos


Há alguns anos atrás passei por algumas dificuldades, tanto ná área financeira quanto no campo afetivo. Foi uma fase muito difícil da minha vida, porém, analisando a fundo tudo o que estava passando e buscando despertar minha consciência, soube canalizar forças e superar minhas dificuldades

Para isso, contei com a ajuda de irmãos espirituais que estiveram ao meu lado, não como “babás espirituais”, mas como amigos dispostos a me orientar e amparar, sem a intenção paternalista de percorrer o caminho que só cabe a mim percorrer. Entre estes espíritos amigos, está um que se apresentou como sendo o exu Sr. Tranca-Ruas.
Certa noite, já de madrugada, despertei projetado fora do corpo físico, no corredor da minha casa, que liga a sala com a cozinha. Antes que pudesse pensar em fazer qualquer coisa, algo me chamou a atenção no fundo do corredor. Era uma forma monstruosa, parecida com aquele fantasma verde do filme Ghostbusters – Os caça-fantasmas!
Ela veio voando na minha direção e me atravessou. Olhei para trás e vi outro monstro, parecido com o primeiro, que também voou na minha direção, me atravessando.
Pensei, então: – Meu Deus, são espíritos obsessores! Estou sendo assediado.
Imediatamente, comecei a rezar o Pai- Nosso, mas não consegui terminar. Aqueles monstros não paravam de voar, atravessando meu perispírito, fazendo caretas e me provocando no intuito de me assustar. E estavam conseguindo! Recomecei a orar, e nada de conseguir terminar a prece. Então, não tem jeito! – pensei. Preciso pedir auxílio a algum guardião!

Iniciei, mentalmente, uma das preces cantadas do exu Sr. Tranca-Ruas. Assim que comecei a entoar seu ponto de evocação, um espírito de estatura mediana, vestindo uma camisa preta, lenço vermelho na cabeça e segurando uma espécie de cajado em uma das mãos, atravessou a porta que sai do terraço para a sala de estar.
Entrou e, antes que me dissesse qualquer coisa, fui logo pedindo socorro. Disse que estava sendo assediado por espíritos obsessores monstruosos. Ele, então, com muita serenidade e confiança me respondeu:
– Não são espíritos obsessores. São formas-pensamento. São criações emanadas da sua mente. Todos os seus medos e insegurança estão gerando essas formas que estão te assustando.
– E o que posso fazer para acabar com elas? – perguntei ansiosamente.
– Autoconfiança! Se você confiar mais em si mesmo, em seus potenciais, bastará dizer “sumam!” e elas desaparecerão para sempre. Quer ver?
Neste momento, ele ergueu seu cajado e bateu com força, mas sem violência, no chão, e imediatamente aquelas formas-pensamento desapareceram.
Senti uma força me puxar de volta ao corpo físico e acordei (na verdade já estava acordado, só que fora do corpo), voltando a manifestar minha consciência no plano físico denso.
Levantei-me da cama e fui beber um copo d’água, refletindo nos ensinamentos que aquele espírito amigo havia me passado.
Realmente, quantos de nós somos responsáveis pelas dificuldades por que passamos! Quantas vezes, devido a nossa imprudência, atraímos situações que nos causam sofrimento que poderíamos evitar se vivêssemos com maior lucidez espiritual. Quantas vezes geramos pensamentos de medo, acreditando que somos incapazes de superar determinada situação, nos sentindo cada vez mais fracos.
E o que é pior, passamos a usar drogas ou medicamentos na ânsia de acabar com nossa angústia. Isso quando não acreditamos que alguém fez magia negra contra nós ou que estamos sendo obsediados. Na maioria das vezes, nós mesmos é que somos os culpados. Podemos chamar isso de auto-obsessão. E quando determinada idéia é constante em nossa mente (monoideísmo) acabamos gerando as formas-pensamento. As formas-pensamento irão permanecer em torno do nosso campo mental, “gravitando” ao nosso redor, pois nós as alimentamos com nossa energia. Elas parecem ter vida própria, mas na verdade obedecem automaticamente a determinados padrões de manifestação, alguns, inclusive, que fazem parte do inconsciente coletivo. Muito médiuns clarividentes as confundem com espíritos, mas não são.
No meu caso, bastou que eu tomasse consciência de determinados pensamentos negativos que eram comuns, a ponto de serem gerados inconscientemente, para iniciar o processos de desintegração daquelas formas-pensamento.
O processo de autoconhecimento é eterno. Trabalhemos sempre nele para que possamos nos libertar da cadeia de sofrimento em que vivemos, o sansara, como diz a sabedoria oriental.

Conheça-te a ti mesmo!
Eis a lição libertadora!


Escrito por Victor Rebelo
Médium umbandista
Editor da Revista Cristã de Espiritismo

sábado, 16 de agosto de 2014

O Anfitrião do Campo Santo



Da porta do cemitério ao Cruzeiro das Almas, ando e posso perceber o quão é triste o resultado de uma vida inteira no plano material dominada por vaidade, pelo ego e pela ilusão.
Vejo espíritos que perambulam, choram, urram de dor. Sofrem pelos mais variados motivos.
Não aceitam a condição em que se encontram, mas, também nada fizeram, enquanto encarnados, para trilhar um caminho melhor.
Sou incompreendido, taxado de demônio, por que sou um aplicador da Lei, um servidor do Divino Pai Omolu. Ele, um Orixá também muito deturpado no plano material pelo mito, que o define como uma Divindade má e implacável, um demônio.
O homem, especialmente através das religiões mentalistas, conseguiu afastar-se de Deus, da grande Verdade que é nosso Pai Criador.
Quem pode me ver ou, ao menos, sentir minha presença, se não estiver esclarecido, dirá que há um espírito maligno por perto.
Maligno é o preconceito que separa a humanidade e, invariavelmente, conduz estas pessoas ao habitat onde impera a ignorância: as trevas humanas.
Mas, infelizmente, preciso dizer aos senhores e senhoras que leem esta mensagem, que as trevas não estão somente sob os vossos pés. Habitam os íntimos de muitos de vós.
Alguém poderá dizer: ” Como posso eu, um cristão, adorador de Deus, ter trevas em meu interior. O que o senhor está falando é uma heresia!”
E eu retruco: “Infelizmente,  muitos de vós, ainda que pensem desta forma, estão cultivando um pedaço das trevas em vossas almas, quando usam da língua para o próprio benefício e quando disseminam o preconceito.”
Aquele que olha para um semelhante, um irmão seu em Deus, com superioridade, está atravancando a evolução do Todo, que é a Criação do Pai.
Assim começam, sempre, os grandes problemas que hoje assolam o plano material.
Se você enxerga um Exu trabalhador como eu e se apavora, tenha certeza, você trabalhou muito, mesmo que inconscientemente, para a construção desse arquétipo.
Quando deparar-se comigo, seja no cemitério, num trabalho de Umbanda ou Quimbanda, ou, até mesmo, nas trevas, estará olhando para o seu interior.
Não tenha medo do meu corpo esquelético.  Por que posso ser seu amigo e auxiliá-lo a subir, a galgar novos degraus na sua escala evolutiva. Mas também posso ser aquele que aplicará a Lei de Deus, deixando-o nas trevas até que você reforme-se internamente e consciencialmente.
Só dependerá de você, tenha certeza!
Por isso, encerro esta mensagem suplicando a todos os humanos encarnados que joguem o preconceito para baixo dos seus pés, pra bem fundo, para que ele caia onde deve ficar,  nos domínios da ignorância. E que olhe para o Alto, eleve o pensamento ao Pai e se comprometa em contribuir na constante evolução da Criação.
Deixe o amor fluir. Então, olhará para mim e verá um amigo, um irmão que quer ajudá-lo a trilhar seu caminho sem percalços.
Venha! E, se precisar, apoie-se no meu cetro. Ele estará sempre á sua disposição, desde que queira ser mais um filho de Deus atuando dentro e em prol da Lei D’Ele.
Eu sou Exu Caveira!

Mensagem  Recebida por André Cozta
Rio de Janeiro- 25 de maio de 2012- 01:13h
http://terradeaganju.blogspot.com.br/2012/05/o-anfitriao-do-campo-santo.html

O GUARDIÃO DA MEIA-NOITE E O GUARDIÃO DAS 7 PORTAS

Reproduzimos abaixo, um trecho do livro O GUARDIÃO DA MEIA NOITE (Rubens Saraceni/Editora Madras) que compõe o material de apoio do curso virtual Teologia de Umbanda Sagrada, ministrado por Alexandre Cumino, através da plataforma UMBANDA EAD do Instituto Cultural Aruanda- www.ica.org.br-. Boa leitura!

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Diálogo entre o Guardião da Meia-Noite e o Guardião das Sete Portas

(Guardião da Meia Noite) E eu pensei:
“Como era poderoso o Guardião dos Sete Portais das Trevas”, que leu o meu pensamento.

(Guardião das Sete Portas) - Não pense que consegui o meu poder sendo um tolo. Sempre dormi com um olho aberto. Nunca deixei uma ofensa sem resposta, nem um inimigo mais fraco sem conhecer o meu poder.
Nunca deixei de respeitar um igual ou de temer a um mais forte. Foi assim que consegui tanto poder. Também nunca saí da lei do carma. Não derrubo quem não merece, nem elevo quem não fizer por merecer. Não traio a ninguém, mas também não deixo de castigar um traidor. Leve o tempo que for necessário, eu o castigo. Não castigo um inocente, mas não perdoo um culpado. Não dou a um devedor, mas não tiro de um credor. Não salvo a quem quer se perder, mas não ponho a perder quem quer se salvar. Não ajudo a morrer quem quer viver, mas não deixo vivo quem quer se matar. Não tomo de quem achar, mas não devolvo a quem perder. Não pego o poder do senhor da Luz, mas não recuso o poder do senhor das Trevas. Não induzo alguém a abandonar
o caminho da Lei, mas não culpo quem dele se afastou. Não ajudo alguém que não queira ser ajudado, mas não nego ajuda a quem merecer. Sirvo à Luz, mas também sirvo às Trevas. No meu reino eu mando e sei me comportar. Não peço o impossível, mas dou apenas o possível. Nem tudo que me pedem eu dou, mas nem tudo que dou é porque me pediram. Só respeito à Lei do Grande da Luz e das Trevas e nada mais. É por isso que o
Grande exige de mim, portanto, é isto que eu exijo dos que habitam o meu reino. Não faço chorar o inocente, mas não deixo sorrir o culpado. Não liberto o condenado, mas não aprisiono o inocente. Não revelo o oculto, mas não oculto ao que pode ser revelado. Não infrinjo a Lei e pela Lei não sou incomodado. Agora sabe de onde vem meu poder, senhor da Meia-Noite. Eu sou um dos sete guardiões da Lei nas Trevas; os outros seis, procure e a Lei lhe mostrará.

(Guardião da Meia Noite) - Por que o senhor não socorreu o Cavaleiro em sua queda?

(Guardião das Sete Portas) - Foi a Lei Maior que o determinou, por isto eu me calei. Mas quando Ela saiu em seu auxílio, eu arrasei o reino de Lúcifer para saber onde estava o Cavaleiro e acabei descobrindo, pois foi a Lei que me ordenou que assim o fizesse. Ele teve que calar-se e entregar-me o culpado.

(Guardião da Meia Noite) - Obrigado, Guardião dos Sete Portais das Trevas, deu-me uma lição sábia. Sou seu devedor.

(Guardião das Sete Portas) - Nada me deve, Senhor da Meia-Noite. Gosto de ensinar a quem quer aprender, mas também gosto de castigar a quem aprende e faz mau uso do saber.

(Guardião da Meia Noite) Ele bateu o pé esquerdo e o recinto se encheu de entidades que haviam sido religiosos quando na carne.

(Guardião das Sete Portas) - Eis aí um exemplo do mau uso do saber. Eles aprenderam tudo o que precisavam para suas missões na terra, mas não seguiram o que pregaram. Usaram do que sabiam em benefício próprio ou para arruinar aos que acreditaram neles.
Olhe bem, Guardião da Meia-Noite, e verá que os que se diziam sábios, iluminados, profetas, grandes lideres religiosos ou grandes sacerdotes não passavam de otários, idiotas, tolos, imbecis, cegos e mal intencionados. Verá entre eles todo tipo de defeito e nenhuma qualidade. Eram lobos uns, pois se aproveitavam e comiam suas ovelhas e hienas, outros pois se contentavam em consumir os restos deixados pelos lobos. Uns e outros hoje choram pelo erro cometido, pela oportunidade perdida e pela luz não
conquistada. Viveram do mundo e não pelo mundo. A Lei não os perdoou e os entregou a mim. Eu dou-lhes o que merecem porque sou um guardião da Lei das Trevas e esta é minha função. A Lei não iria colocar um ser bom e iluminado para castigar os canalhas nem colocaria um carrasco como eu para premiar aqueles que venceram suas provas. Não! Os guardiões da Lei na Luz têm uma função como a minha, mas afeta a Luz: não
deixam cair quem se fez por merecer à ascensão. Eu não deixo subir aos que se fizeram por merecer a queda.
Eu sou a mão que castiga, a outra é a que acaricia. Eu sou a mão que derruba, a outra a que levanta. Tudo isto eu sou e ainda assim não sou infeliz, triste, arrependido ou ruim. Não sofro de remorso por castigar aquele que a Lei derrubou, assim como um guardião da Lei na Luz nada sente ao premiar a quem merecer. Eu sou o que sou, um guardião da Lei nas Trevas e me orgulho disto porque sei que sou necessário à Lei. E tudo isto você
também é, ou será se assumir todo o seu passado, resgatá-lo e se sentir feliz em servir à Lei. Ela o recompensará quando assim quiser, não porque você peça qualquer recompensa pelo seu trabalho, mas porque a serve sem se lamentar por estar nas Trevas, pois Luz e Trevas são os dois lados do Criador. Há os que trabalham durante o dia e dormem à noite, mas também há os que trabalham de noite e dormem durante o
dia. Há os animais que só saem de sua morada sob o sol e aqueles que só o fazem sob o luar. Há o verão, mas há também o inverno. O que um aquece o outro esfria e vice-versa. Há a primavera, mas há também o outono: o que um faz brotar o outro faz se recolher e vice-versa. Há o fogo para queimar e a água para saciar a sede.
Há a terra para germinar e há o ar para oxigenar. Há tantas coisas, e no fim são somente partes do Um. Por isto lhe digo, Guardião da Meia-Noite, há os anjos e há os demônios. Os anjos habitam na Luz e os demônios nas Trevas. Uns não condenam aos outros, pois sabem que são o que são porque assim quis o Criador. Aqueles que vivem no meio é que criam tanta confusão com suas descidas na carne. Do nosso lado, não há nada disto.
Cada um sabe a que lado pertence. E os que não sabem, são os primeiros de quem nos apossamos. Esta é a Lei que nos rege e a todo o resto da Criação. Mais não vou falar, pois precisaria de muito tempo para tal coisa.
Espero que possa sair daqui melhor servidor da Lei do que quando chegou.

(Guardião da Meia Noite) - Eu agradeço suas palavras, Guardião dos Portais. Pena que eu seja muito pequeno para ajudá-lo, senão eu diria: se precisar de minha ajuda é só pedir!

(Guardião das Sete Portas) - Pois ainda lhe digo que a maior das pirâmides não prescinde da menor de suas pedras; a maior das aves de sua menor pena nem o maior teto de sua menor telha; e nem o maior corpo do seu menor dedo. O maior rio não rejeita a menor gota da chuva nem o maior exército ao seu mais fraco soldado. O maior rico é aquele que valoriza o menor dos seus bens. Muito mais eu poderia dizer, mas me satisfaço em dizer-lhe: obrigado Guardião da Meia-Noite! Se eu precisar de seu auxílio não terei vergonha em lhe pedir, pois por terem vergonha muitos morrem. Morrem por terem desejado algo e não terem provado seu gosto. Vergonha não faz parte do meu vocabulário e a palavra que mais prezo é a que se chama “respeito”. Aja assim e não será traído nem odiado, mas respeitado. Nem os maiores passarão por cima de você e nem os
menores lhe escaparão.

Ele parou de falar.

(Guardião da Meia Noite) - Até à vista, Guardião dos Sete Portais das Trevas!

(Guardião das Sete Portas) - Até à vista, Guardião da Meia-Noite!

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Caso passe este texto cite estas fontes: texto extraído do livro “O Guardião da Meia Noite” (Editora
Madras / Rubens Saraceni – Pai Benedito de Aruanda)

UM PASSEIO NO CEMITÉRIO- Por André Cozta


Aquele Preto Velho andava calmamente por entre as lápides daquele cemitério.
Pitava seu cachimbo marrom curvo, observava a todos que por ali perambulavam naquele dia.
Os espíritos humanos encarnados, depositavam flores nos túmulos, acendiam velas, choravam a saudade de seus entes queridos, de seus amigos, de seus amores. Alguns espíritos perdidos andavam também por ali, buscando algo que, em muitos casos, nem eles sabiam o que era.
Com a mão esquerda, o Preto Velho ajeitou seu enorme chapéu de palha, deixando-o caído para o lado esquerdo de sua cabeça, cobrindo parte de sua face. Pitou o cachimbo mais uma vez.
Um menino negro, aparentando 12 anos de idade aproximou-se dele.
Imediatamente, o Preto Velho olhou para o menino, e perguntou:
- O que você faz aqui, pequeno?
- Posso ficar com o senhor, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas? Gostaria de aprender um pouco mais sobre tudo.
O Preto Velho soltou uma suave gargalhada, pitou o cachimbo novamente, olhou para o menino e falou:
- Meu pequeno, você pode sim andar comigo, mas, saiba que verá coisas que não serão muito agradáveis aos seus olhos. Verá irmãos seus, encarnados e desencarnados se auto-torturando, verá irmãos seus, encarnados e desencarnados, sofrendo por perda e saudade, verá irmãos seus, encarnados e desencarnados, emitindo energias e vibrações baixas, fruto da ignorância pela qual, consciente ou inconscientemente, optaram.
O menino olhava fixamente para o Preto Velho, que prosseguiu:
- Mas você também verá, pequeno, pessoas que emitem, a partir de seus corações, vibrações de amor, de fraternidade. Muitas, menino, até se encontram perdidas pelas ilusões do materialismo (e olha que falo não somente de encarnados, mas de desencarnados também), porém, ainda assim, buscam um caminho de luz. É verdade que, com muita dificuldade, acabam trilhando um caminho mais longo, mas, tenha certeza, lá chegarão em algum momento.
O Preto Velho olhou para o menino, estendendo-lhe a mão, e falou:
- Venha comigo, meu pequeno!
Levou o menino até o Cruzeiro das Almas daquele Campo Santo.
Lá chegando, assentou-se, pôs o menino sentado sobre sua perna direita, afagou seus cabelos, olhou em seus olhos, e falou:
- Você, pequeno, representa a esperança a todos os espíritos humanos, encarnados e desencarnados, de uma caminhada limpa de volta aos braços do Pai.
O menino perguntou:
- O que isso quer dizer, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas?
- Isto quer dizer, pequeno, que Olodumaré, nosso Pai Maior, quer que todos nós caminhemos rumo a Ele com a pureza no coração que você tem e, quando aos Pés D’Ele chegarmos, continuemos com esta pureza, mas, tenhamos adquirido a vivência, a experiência, a sabedoria que os cabelos brancos desse Negro Velho trazem.
- E como pode uma pessoa conseguir isto, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas?
- Voltando-se para o seu interior, reconhecendo-se como um ser divino (pois é um filho de Deus), mas, reconhecendo também, suas limitações. E para isso, meu pequeno, há de se trilhar a jornada com humildade.
- É assim que eu devo fazer para ser como o senhor é, Pai Cipriano?
- Sim, meu pequeno, caminhe desta forma e você chegará a este ponto da jornada em que me encontro, sem sofrimentos.
O menino olhou fixamente nos olhos do Preto Velho. Olhou para espíritos que caminhavam atrás do Cruzeiro das Almas, perdidos, alguns com semblante maléfico (provocado pela opção à ignorância humana). Olhou para a esquerda, viu belíssimos guardiões e belíssimas guardiãs. Fixou seu olhar naqueles espíritos.
O Preto Velho pitou o cachimbo, sorriu e falou:
- São os guardiões e guardiãs, pequeno, deste Campo Santo. Mas também são aqueles que atuam na guarda dos humanos encarnados. São os Exus e Pombagiras.
O menino sacudiu a cabeça lentamente, afirmando ter compreendido.
Em seguida, olhou para a direita, viu espíritos que caminhavam em sua direção. Caboclos, Caboclas, Pretos Velhos, Pretas Velhas, Ciganos, Ciganas e Crianças (meninos e meninas) que corriam alegremente à volta deles.
O Preto Velho pitou o cachimbo, sorriu mais uma vez e falou:
- Estes espíritos à direita, meu pequeno, são aqueles que trazem as vibrações mais sutis, de cura espiritual, de abertura de caminhos e, principalmente, mostram aos humanos encarnados por onde trilhar os “Caminhos da Evolução”. Tanto eles, quanto os guardiões e guardiãs da esquerda, menino, trabalham sob a irradiação e tutela dos Sagrados Orixás.
- Mas, quem são os Sagrados Orixás, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas?
O Preto Velho sorriu, pitou o cachimbo, olhou para a frente. Imediatamente, o menino também olhou... e ficou maravilhado com o que viu.
Caminhavam em sua direção, 14 Orixás. Á frente, o Divino Obaluayê, acompanhado à sua direita da Divina Nanã Buruquê e à sua esquerda do Divino Omulu, conduziam aquele grupo que aproximava-se do Cruzeiro das Almas. Logo atrás, vinham o Senhor Ogum Megê, a Senhora Iansã das Almas, o Senhor Xangô da Calunga, acompanhado da Senhora Egunitá. A Divina Mãe Obá, vinha acompanhada do Sagrado Oxossi. Também estavam naquele grupo: a Divina Mãe Oxum e o Divino Oxumaré,
E, pelo alto, irradiando sobre aquele Campo Santo, o Sagrado Pai Oxalá, acompanhado da Divina Mãe Oiá-Tempo e da Senhora da Vida, a Sagrada Mãe Iemanjá.
O menino, emocionado com aquela visão, olhou novamente para o Preto Velho e falou:
- Agora eu compreendo tudo, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas! Deus está aqui no Campo Santo também, manifestando seus Poderes através dos Sagrados Orixás.
O Preto Velho soltou uma suave gargalhada.
O menino prosseguiu:
- Algumas pessoas falam tão negativamente deste ponto de forças que é o cemitério, não é Pai Cipriano?
- É sim, pequeno! Mas falam por desconhecimento de causa, tenha certeza! A ignorância é uma trava muito forte na evolução dos espíritos (encarnados e desencarnados), saiba disso! No momento em que os humanos banharem-se em humildade e buscarem o conhecimento, começando pelo auto-conhecimento, aí sim, pequeno, o planeta caminhará para a evolução e a ascensão como deve ser.
O menino sorriu. O Preto Velho prosseguiu:
- E, num dia como hoje, em que as pessoas adentram o Campo Santo a fim de chorar a saudade daqueles que foram e são para elas muito importantes, talvez, pequeno, elas passem a procurar este campo de forças com sorriso no rosto e com o intuito da celebração da vida, que é eterna. Quando os humanos conseguirem tirar de seus corações o muro que os separa da morte, aí, pequeno, verão que ela não existe e sorrirão, pois, terão plena certeza de que a vida é eterna.
O menino sorriu. O Preto Velho falou:
- Siga neste caminho, que é o da busca do conhecimento e você trilhará por um jardim muito florido, pequeno!
- Sim senhor, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas!
- Agora vá brincar, pequeno, por que é a melhor coisa que você pode faze por ora.
O menino beijou a face do Preto Velho, saiu correndo por entre as lápides, sorrindo e cantando.
Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas, satisfeito, sorriu, pitou seu cachimbo e permaneceu sentado observando os movimentos naquele Campo Santo.

http://terradeaganju.blogspot.com.br/2011/11/um-passeio-no-cemiterio-por-andre-cozta.html

A LIÇÃO DE PAI THOMÉ...


História inspirada por Vovó Benta
Médium: Mãe Leni Saviscki
Dirigente do Templo de Umbanda Vozes de Aruanda
Terreiro Filiado ao Centro Espiritualista Caboclo Pery
Nos atendimentos apométricos, muitas surpresas nos reservam. Enganam-se aqueles trabalhadores que pensam ser suficiente decorar as Leis da Apometria e realizar o trabalho com amor. Constantemente os benfeitores espirituais nos colocam situações, diante das quais percebemos a grandiosidade dessa técnica que aliada ao Evangelho de Jesus, nos torna não somente instrumentos curadores, como também magos manipuladores e trasformadores de energias. Situações outras que nos fazem perceber nossa pequenez diante da grandiosidade do Universo e desses comandantes que nos regem a nível espiritual. Todos os dias, sob todos os aspectos, temos tudo a aprender consolidando a realidade de que estar encarnado nesse abençoado planeta-escola, é uma oportunidade a qual não podemos desdenhar.
Naquela noite, após o atendimento normal da agenda, apresentou-se um espírito pedindo oportunidade para nos contar sua história. Estava acompanhado por um preto velho, o qual já conhecíamos, pois era trabalhador da Casa. Pelo cordão brilhante que saía de sua nuca, deduzimos tratar-se de um ser encarnado em desdobramento do sono o que imediatamente suscitou dúvidas em nossa mente acostumada a tudo interrogar.
– Como poderia alguém encarnado estar ali presente se não havíamos solicitado pelos costumeiros “pulsos energéticos” o seu desdobramento? Captando a dúvida, o bondoso preto velho nos assegurou de que ele não vinha para atendimento, e sim, sob sua tutela para nos trazer aprendizado. Ligado ao médium, o nosso amigo iniciou sua narrativa:
“Encarcerado dentro de um corpo frágil e adoentado, além da idiotia que me acomete no físico, sou uma espécie diferente aos olhos dos que passam pela rua e me vêem sentado na porta de minha casa.
- Coitado! Seria melhor morrer- É comum ouvir esta frase. Ou então, a mãe passando com o filho pela mão, naturalmente manifesta:
- Meu filho, se você não obedecer, vou te entregar para aquele homem feio.
Outras vezes, mulheres grávidas evitam olhar-me para que seus bebês que foram projetados perfeitos e saudáveis, não venham a ser iguais a esta bestialidade humana.
Minha consciência mais profunda está recebendo e percebendo tudo isso, porém presa dentro da cela que eu mesmo criei no passado, não pode reagir. Se sofro com isso hoje? É inevitável. Se me revolto? Não, a minha consciência sabe que é um mal necessário. Nas poucas vezes em que me é permitido "voar" para longe deste corpo eu já tenho caminho traçado. Vou me refugiar nos braços de Pai Thomé. Lá está ele, na sua humilde tenda, cantarolando ou assobiando, enquanto mexe nas suas ervas. Negro velho mandingueiro sabe quando chego, sente minha presença e trata logo de sentar-se em seu toco, acender o pito e com uma risada gostosa inicia a doutrinação. Conversamos por horas a fio e saio de lá me sentindo gente, apesar de tudo. Não sei quando foi a primeira vez que o visitei. Acho que na noite em que minha mãe foi àquele Centro de Umbanda, desesperada pois achou que desta vez a convulsão iria me matar. Ele estava lá, incorporado em outra pessoa e me deu seu "endereço".
Hoje, a cada visita que meu espírito faz ao bom negro velho, algo se modifica no meu corpo físico. Já consegui deixar de babar constantemente, melhorando assim meu aspecto. Até já sou capaz de chorar, sem fazer aquele grunhido horrível, vejam só! Tudo por conta das mandingas de Pai Thomé que por saber de minha verdadeira história, me ajuda com muito amor.
Precisou que eu quebrasse meu orgulho para aceitar tal ajuda, pois estou em colheita de um plantio desastroso. Em encarnação anterior, vivi como feitor de uma rica fazenda e com maldade cobrindo meu coração, além de outras coisas, eu era um verdadeiro matador de aluguel. Cheguei ao cúmulo de fazer filho com escrava para poder vender mestiço nas feiras do porto, como "escravo especial". Hoje estou tendo essa benéfica oportunidade e mesmo encarcerado num corpo limitado, com uma mente debilóide, de cor negra, aspecto físico sem nenhum atrativo, servindo de modelo do ridículo para muita gente, estou aprendendo que tenho muito mais do que mereço.
Um dia desses, chorei muito quando Pai Thomé me fez relembrar quem foi ele naquela minha desastrosa encarnação, e por momentos me senti muito mal, vindo a ter fortes convulsões no físico. Não fosse o bom velho me chamar à realidade, teria desencarnado para fugir...
Ele foi naquele passado um "mestiço especial" que eu vendera como escravo.
Não há nada mais doloroso do que a fúria de um remorso. Dores ou limitações físicas, são um pequeno nada para uma encarnação, diante de lembranças de nossos plantios infames. Pai Thomé, entre outras coisas me ensina o auto-perdão e sobre a bondade divina em nos dar um corpo físico aliado ao esquecimento. Mas me ensina também que esse "esquecimento" não pode servir como desculpa para novos erros. Por isso, somos levados em espírito durante o sono para verificarmos certos pontos que precisam ser revistos em nossa história. Ele me diz que nem sempre lembramos do aprendizado sonambúlico, mas que ele está registrado à nossa disposição, para uso em momentos propícios.
Me restam alguns anos ainda nessa vida, porém nem a dor, a pobreza e o desleixo de meus familiares é pior do que imaginar voltando sem ter expurgado esse lixo todo que agreguei no meu corpo espiritual. Quero a renovação e se essa me custa tanto, sei que o preço fui eu mesmo que estipulei. Nada me foi imposto.
Colheitas... de um plantio impensado. Apenas colheitas!
Após despedir-se agradecido, aquele menino voltou ao seu corpo físico que dormia no leito pobre onde nascera, deixando-nos emocionados e calados. Todos retornamos aos nossos lares pensativos, refletindo sobre o que ouvíramos naquela noite.
Em ocasião posterior, o caso foi comentado e alguém nos propôs que deveríamos solicitar ao Pai Thomé um atendimento apométrico para o menino, uma vez que, estando encarnado, isso possibilitaria uma melhora dos sintomas físicos. Com as técnicas decoradas, já deduzimos que tratando seu Corpo Astral, por ser ele o Modelo Organizador Biológico, poderíamos quem sabe, melhorar sua aparência. No final do debate, antes do encerramento sentimos forte cheiro de ervas e imediatamente Pai Thomé apresentou-se através de um médium e nos esclareceu:
- “Pai velho admira e abraça os filhos pela boa vontade demonstrada em auxiliar o meu menino. Mas posso afirmar que a tentativa seria muito proveitosa em espírito renitente na aceitação do resgate cármico a que se impôs, o que não acontece com ele. Como viram, meu menino está espiritualmente lúcido e aceitando a colheita. Seu Corpo Astral, por ser constituído de matéria moldável, foi plasmado em encarnação anterior por seus próprios atos insanos. Sempre é assim meus irmãos. Enquanto na carne, nossos atos e pensamentos modelam a nova encarnação, além de nos conduzir no após morte para estância de luz ou trevas. Deus não castiga ninguém, disso sois sabedores, Ele apenas nos deu o livre-arbítrio e todas as oportunidades de escolhas nos são colocadas à frente durante uma vida. Não nos faltará assistência espiritual e mesmo que seja através da dor, o expurgo se faz necessário para drenar do agregado espiritual os ácidos ali impregnados.
Nossos pensamentos modelam o nosso futuro Corpo Mental, nossas emoções o Corpo Astral e assim quando reencarnamos trazemos gravados em nossos átomos aquilo que precisa ser melhorado. Por isso surgem as dificuldades a serem vencidas, e não haveria mérito se aqui estivéssemos só para sofrer sem que isso trouxesse alguma lição e aprendizado. Essa drenagem se dá através do nosso Corpo Etérico que intermediando o Corpo Físico e o Corpo Astral, atua como usina recicladora através do trabalho dos nosso Chácras, repassando para o Corpo Físico que age como mata-borrão. Todas as doenças, sejam físicas ou psíquicas nada mais são que limpeza de nosso corpo espiritual como um todo. Por isso aconselho os filhos dessa Seara para que sempre respeitem as leis em qualquer atendimento ou ajuda a que forem induzidos. Procurem sempre verificar se existe interesse e vontade em receber essa ajuda da apometria, seja pela pessoa necessitada se essa estiver consciente, ou por parte de familiares quando esse estiver incapacitado de raciocínio próprio, para que não ultrapassem a barreira do livre-arbítrio, contrariando assim as Leis Divinas. Sois sabedores que Apometria é manipulação energética, portanto “magia”. E magia é coisa séria meus filhos, assim como ela nos dá o poder de provocar uma modificação na matéria, através do poder mental, sendo regida pela lei da causalidade produzirá sempre um efeito, seja imediato ou tardio. Existem coisas no Universo de meu Deus que podem e devem ser mudadas, mas sempre respeitando a vontade e exigindo esforço próprio de cada criatura ligada ao fato. A oportunidade de ajuda que nos faculta a Apometria vem trazer alento e apressar a evolução dos homens acomodados que estão no ir e vir na carne, e que embora alertados constantemente pela dor torturante, tardam em realizar as mudanças. Porém, esse “poder” está sujeito e deve sempre ser colocado à luz da razão, nunca querendo realizar “milagres” que possam comprometer o trabalho laborioso do grupo, adquirindo com isso um carma coletivo. O equilíbrio e a compreensão de limite, aliados à sabedoria e o amor serão os temperos que farão sempre com que os filhos possam auxiliar sem se macular.”
Mais uma vez a lição do bom amigo espiritual colocada com tanta humildade e sabedoria, fez com que vários membros do grupo que ainda tinham preconceito com a presença dos pretos velhos nos trabalhos apométricos, repensassem sobre isso.

http://terradeaganju.blogspot.com.br/2009/09/licao-de-pai-thome.html