quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

– Elementos de Magia – Pemba, Pedras, Ervas, Águas -

O que é a pemba?

 A pemba é nada mais do que um giz, um mineral e é feita do mesmo material que se faz o giz de quadro negro, o valor da pemba é ser um mineral.

Desde o início da religião, a pemba é utilizada na Umbanda, a magia de pemba  é uma magia legítima da religião de Umbanda.

Na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, no Terreiro de Zélio de Moraes, antes de se começar os trabalhos, com a pemba são riscados no chão os pontos dos Orixás e dos Guias.

Quando você firma um ponto de um Orixá com a pemba, você está fazendo uma firmeza, você faz um símbolo, o símbolo de Ogum são duas espadas cruzadas, de Oxóssi: duas flechas cruzadas; símbolo de Obaluayê: um cruzeiro; de Oxalá: um sol ou uma estrela de cinco pontas ou uma cruz sozinha; de Oxum: um coração; de Oxumaré: um arco-íris; de Logunan: uma espiral, de Xangô: um machado ou uma estrela de seis pontas; de Egunitá: uma estrela de seis pontas cruzada no centro ou um raio; de Yansã: pode ser um raio curvilíneo ou uma estrela feita com as linhas curvas - uma estrela de cinco pontas feita com as linhas curvas; símbolo de Nanã: a lua crescente e a lua decrescente; de Omulu: uma foice ou uma cruz equilátera dentro de um círculo ou círculos no centro com uma cruz; de Yemanjá: pode ser as ondas do mar ou uma estrela com uma reta que fecha em curva em baixo – como uma bengala, esses são símbolos dos Orixás.

São apenas estes os símbolos dos Orixás?

Não, existem muitos outros símbolos para os Orixás.

 Há literaturas de Umbanda que mostram esses símbolos para o Orixá Oxalá, Oxum, Oxossi, porém outra literatura pode mostrar outro símbolo.

Existe uma grande quantidade de símbolos, a estrela de cinco pontas é símbolo de Oxalá, a cruz é símbolo de Oxalá, o sol pode ser símbolo de Oxalá, mas existem outros símbolos que pertencem a Oxalá, então, não são apenas esses símbolos.

 O símbolo é algo que traz a força, a energia do Orixá, traz uma simbologia, o símbolo traz algo relacionado  àquele Orixá, traz algo da vibração do Orixá, da energia do Orixá, da força do Orixá.

Se eu risco o símbolo de um Orixá – e eu posso riscar e você pode riscar – o símbolo de um Orixá e coloco uma vela do Orixá, aquilo é uma firmeza da força daquele Orixá.

Qualquer adepto, qualquer médium de Umbanda pode riscar o símbolo do Orixá de forma religiosa e não de forma iniciática, ou seja, na magia pura você precisa de iniciação, mas de forma religiosa não. Então, dentro do que é magia religiosa, você pode riscar uma estrela de cinco pontas para Oxalá e oferecer em cima dessa estrela, um prato de canjica com uma vela de sete dias dentro ou um prato com água da fonte e uma vela de sete dias branca dentro, isso é magia religiosa, você pode fazer magia religiosa e trazer a magia de pemba para essa magia.

Por que usar a pemba e não o giz de cera?

 Por que a gente não risca com o carvão?

Por que a gente não risca com um lápis? Por que não usa uma canetinha?

 Porque a pemba é um mineral.

Quando você risca com um mineral, esse mineral dá força para aquele símbolo, o mineral riscado cria uma onda, uma vibração, uma frequência em torno daquele símbolo.

Cada símbolo gera um tipo de frequência, de energia, de vibração e entra em sintonia com a tela vibratória dos Orixás.

O que é a tela vibratória?

É o conjunto de energias e vibrações de cada Orixá que envolve o Planeta, quando o meu símbolo tem sintonia com esta ou aquela tela, porque o símbolo gera uma frequência de onda, uma vibração fundamentada numa geometria sagrada que encontra sintonia com a geometria das ondas e vibrações e energia presente na tela desta ou daquela divindade.

 Por isso cada símbolo de cada Orixá encontra sintonia, ressonância, na tela daquele Orixá que envolve o Planeta.

 Temos os símbolos sagrados de Umbanda, a Umbanda tem uma simbologia própria. “Ah, mas a estrela de cinco pontas é usada em outras culturas também”, pois é. Mas, na Umbanda ela tem um significado próprio, a estrela de seis pontas tem um significado para o Judaísmo, mas na Umbanda a estrela de seis pontas tem outro significado, aqui a estrela de seis pontas é a estrela da justiça, a estrela de Xangô.

Podemos, como magia religiosa, riscar uma estrela de seis pontas, colocar um prato de azeite em cima - azeite de oliva porque o azeite de oliva tem propriedades purificadoras da energia negativa - e colocar uma vela vermelha de sete dias ou marrom dentro desse azeite e oferecer para Xangô em cima do símbolo sagrado de Xangô.

E podemos nos ajoelhar e clamar a Deus, a sua Lei Maior e a sua Justiça Divina, a força e a proteção de Pai Xangô e oferecer a ele esse símbolo sagrado, esse azeite, essa vela que por meio dessa magia, desse recurso, Xangô possa afastar os inimigos da vida, cortar as demandas, limpar e purificar toda e qualquer energia negativa, isso é magia.

Eu posso fazer o símbolo de Yansã, partindo de um ponto central, posso fazer sete arcos voltados para fora ou uma estrela de cinco pontas feita com curvas, posso oferecer água de chuva num prato em cima de uma estrela de Yansã.

Cada Orixá tem a sua estrela.

Podemos ofertar água de chuva a Yansã em cima da estrela de Yansã, isso é magia. Eu risco uma estrela para Yansã e coloco quatro peras em volta e peço a Yansã para me dar força, poder, energia, coloco a vela amarela de sete dias no centro.

O símbolo de Obaluayê, por exemplo, pode ser um cruzeiro com três degraus e três cruzes, uma cruz no centro, no alto, e mais duas, uma de cada lado, no cruzeiro de Obaluayê.

Há ainda o octágono; uma cruz cruzada, como um asterisco, quatro retas que dá um total de oito pontas é um símbolo de Obaluayê.

Podemos colocar um prato com terra em cima e uma vela violeta para Obaluayê.

 Há uma ciência, qual é a cor? É violeta. Qual elemento de Obaluayê? É terra. Qual o símbolo de Obaluayê? Pode ser uma cruz, pode ser um cruzeiro, pode ser um octágono, isso é magia.

Podemos nos ajoelhar e evocar a força de Obaluayê elevando o pensamento a Deus, Pai Criador, sua Lei Maior e sua Justiça Divina e invoco, evoco e clamo a partir da minha fé, a força e a proteção de Obaluayê para me ajudar nesse sentido da vida, me ajudar a passar por essas dificuldades, me ajudar a evoluir.

Para cura, podemos colocar terra por baixo e estourar pipocas, as pipocas trabalham na força de Obaluayê, risco o símbolo de Obaluayê, coloco terra e pipoca por cima e peço a Obaluayê que me ajude a curar essa doença, aquela enfermidade, essa dificuldade.

Podemos riscar a estrela de Yemanjá, se pode riscar uma estrela de sete pontas, que é a estrela de Yemanjá, feita com sete pontas e em cima colocar um prato com água do mar – você não tem água do mar, coloque um prato com água e misture com sal grosso - ofereça a Yemanjá, isso é magia de Umbanda, é simples. Alguns podem dizer: “Ah, isso é uma simpatia”. O que é uma simpatia? Uma magia que perdeu o seu fundamento.

Quando você não sabe o fundamento de algo, você faz só por repetição, isso é simpatia. Agora, quando você sabe o fundamento é magia, então, se eu risco uma estrela de sete pontas com a pemba, se eu coloco um prato com água do mar, se eu pego uma rosa branca e coloco as pétalas da rosa em cima dessa água, coloco uma vela azul claro de sete dias e ofereço para minha mãe Yemanjá e peçoa ela para me ajudar a lidar com a força criacionista, geracionista, que ela me dê o poder de criar, que ela me dê o poder de gerar, que ela me traga criatividade, que ela me traga a força da mãe, que ela me ajude a cuidar dos meus filhos, que ela traga força, o poder, a energia do mar pra limpar e descarregar qualquer energia negativa no meu lar, na minha casa.

Eu posso fazer isso dentro de casa, uma magia de Umbanda que nesse caso não requer iniciação, porque é uma magia religiosa, você está fazendo enquanto religioso. Esse é o símbolo de Yemanjá. Apenas a estrela de sete pontas com uma vela dentro já tem um poder incrível porque é um espaço mágico, você tem um espaço formado por um símbolo, então, as estrelas dos Orixás criam espaços mágicos.

Logunan nos protege contra o mal religioso.

Logunan é a senhora que encaminha os espíritos perturbados e perturbadores. Logunan é a senhora da religiosidade, é o Orixá do tempo, é a mãe que faz par com Oxalá – Oxalá é o espaço, Logunan é o tempo – o símbolo de Logunan é uma espiral, você começa de fora para dentro ou de dentro para fora, comece do ponto central para fora girando no sentido anti-horário para fora e termina apontando para cima. Depois você começa de fora para dentro, girando para dentro ou você simplesmente faz uma espiral, como um caracol, risque uma espiral no chão, coloque uma vela em cima, ofereça para Logunan, ali está uma firmeza de Logunan pra você pedir a proteção de Logunan.

Há ainda a firmeza de Logunan com o bambu, coloca-se um bambu, uma cabacinha na ponta, com a tampinha da cabacinha cortada, coloca-se água dentro e oferece-se isso para Logunan, você pode acender uma vela branca e uma preta ou você pode acender uma vela azul petróleo, azul bem escuro. Agora, você pode fazer uma firmeza interna de Logunan, riscando o símbolo de Logunan e colocando uma vela branca no centro, pedindo a força de Logunan, o amparo de Logunan para sua religiosidade, para que ela proteja a sua religiosidade.

Para Omulu, quando se quer cortar demanda, você faz uma cruz com quatro lados iguais e risca um círculo ou você risca um círculo e faz uma cruz dentro dele e oferece uma vela roxa pra Omulu, é uma firmeza de Omulu pra quebrar demanda, pra cortar demanda, pra paralisar uma ação negativa, podemos nos ajoelhar, evocar a força de Omulu, religiosamente, e pedir para Omulu paralisar toda força negativa que estiver indo ao seu encontro..

Temos símbolos de Oxalá, Logunan, de Oxum – o coração;  risque com a pemba um coração, experimente fazer, pegue a pemba e risque um coração, coloque dentro dele uma vela de sete dias cor de rosa, ofereça pra Oxum, peça a ela força e proteção.

Faça um arco-íris, você pode pegar pembas coloridas e fazer um arco-íris religiosamente, faça um arco-íris ou faça um circulo e coloque sete velas coloridas para Oxumaré, coloque o seu nome no centro com uma vela de sete dias branca em cima, peça a Oxumaré para renovar o seu amor, diluir o seu ciúme, o seu negativismo.

O que eu peço a Oxóssi?

 Fartura, expansão, conhecimento, faça a firmeza dele, experimente fazer a firmeza de Oxóssi com a pemba.

 Obá: você faz o símbolo de Obá que é um losango, risque um losango e coloque uma vela vermelha ou magenta – a cor é magenta, mas você não encontra magenta, coloque uma vela vermelha dentro de um losango ou risque a estrela de Obá, que é linda.

Como é a estrela de Obá? Como uma flor, faça um círculo e comece a riscar pétalas em volta, pétalas e mais pétalas até que forme uma flor de lótus; uma flor olhada de cima é símbolo de Obá.

Pede-se a Obá foco, determinação, você pode colocar também um prato de terra úmida ou molhada para Obá, você oferece uma vela, pede a ela para te dar foco, quando você está distraído, disperso ou quando você vai fazer uma prova. Se você vai fazer uma prova, se você está passando por uma avaliação. Quem pode lhe ajudar? Obá, porque ela te dá concentração, foco, objetividade, faça uma flor de lótus vista  por cima e coloque uma vela e seu nome em baixo.

Em todas essas firmezas você pode escrever o seu nome e colocar em baixo da vela. Por que então há outro elemento na magia, o nome representa a sua presença, colocar o nome debaixo da vela é mais um elemento de magia, é trazer essa magia para sua identidade.
Símbolo de Nanã: risque uma lua decrescente ao lado de uma lua crescente, duas luas, uma sobre a outra é símbolo de Nanã Buroquê.

Se você quiser, pode riscar uma lua voltada para direita e uma lua voltada para esquerda, uma lua voltada para cima e outra voltada para baixo, você tem uma cruz feita com luas: símbolo de Nanã Buroquê, ali você coloca uma vela lilás.

Além disso, temos na Umbanda, o ponto riscado que entra nesse mérito da magia de pemba; dentro da Umbanda é uma polêmica. O primeiro autor a afirmar isso foi Aloisio Fontenelle. Começou afirmando que aqueles pontinhos de Umbanda, de flechinha, solzinho, eram fracos e que tinha que ter uma alta magia de Umbanda que é a magia com símbolos e signos cabalísticos derivados de uma escrita perdida, sabe-se lá qual e só você lendo os livros dele vai saber por que senão você não vai saber e tirando o mérito da escrita mágica de Umbanda, de pemba.

Nossos Caboclos, Pretos Velhos, Baianos, Boiadeiros, riscam ponto. O ponto riscado, às vezes, está dentro do círculo, às vezes está sem círculo, então, quando está dentro do círculo é ponto riscado fechado, sem círculo é ponto riscado aberto; quando o ponto riscado está dentro do círculo é porque a ação mágica vai ocorrer dentro do círculo. E no ponto riscado pode ter flechinha, solzinho, cruzinha, pois todos têm um poder incrível de ação, atuação.

Todo ponto riscado tem valor, poder e é mágico.


Existem ainda, autores de Umbanda que dizem que a mulher não pode fazer magia,  não pode riscar ponto e se a mulher estiver menstruada então, ela não deve nem sair de casa porque a menstruação vai atrair obsessor.

A obra de Elifas Levi de alta magia dá um descrédito total para a mulher porque a base é o Judaísmo.

No Judaísmo, a mulher não podia fazer nada de magia, a mulher nunca estudava Cabala Hebraica, nunca iria se iniciar na magia por ser mulher, sabe por quê? Porque as mulheres são muito melhores, não é? É por isso. Você ensina e ela logo está fazendo melhor que você, que também é uma bobagem, uma crença tola e preconceituosa infelizmente absorvida por alguns Umbandistas até os dias atuais.

Não faz diferença se é homem ou mulher na prática da magia, mulheres riscam magia. E dizer que esses pontos de Umbanda não têm valor, o que tem valor é a alta magia riscada é uma bobagem porque se o Caboclo está incorporado, o Preto Velho está incorporado, o Baiano está incorporado e ele riscou aquilo tem poder de realização, o que importa na magia é o poder de realização e aí há uma ciência para explicar, para se entender como funciona o ponto riscado.

Temos de abandonar a ideia de que existem pontos riscados válidos e pontos riscados inválidos. O ponto riscado, quando é feito pela mão de uma entidade, sempre tem valor, sempre funciona. E esse tipo de escrita mágica é algo milenar, mas na Umbanda tem a sua forma de ser, na Cabala Hebraica tem uma escrita mágica, é feita a partir das letras hebraicas, no Sufismo há uma escrita mágica feita a partir da escrita sagrada daquele povo, nas culturas indígenas existe a escrita mágica. Existe um Reik Xamânico ou método Amadeus que fala sobre uma escrita mágica dos índios, eles tem símbolos mágicos.

No Hinduísmo existe escrita mágica e você tem o estudo das mandalas, a mandala é um espaço mágico por excelência, é uma construção geométrica que parte de um ponto central para todos os lados, ela se multiplica de forma harmônica, isso é uma mandala, há mandalas específicas pra cada coisa que aquela forma geométrica desperta dentro de você.

Isso é magia simbólica, geométrica, existe uma geometria sagrada na construção de uma mandala. As igrejas, as catedrais têm rosáceas que são enormes janelas redondas, aqueles vitrais que são mandalas, têm uma geometria sagrada e é calculado a que horas e quando o sol bate naquela rosácea, a imagem então é refletida num lugar exato, determinado por cálculos, dentro da igreja, quando o sol bate, a luz, toda colorida, que passou por essa mandala, vai alcançar o altar, antes de alcançar o altar o sol está se movimentando e ela alcançou todo o interior da igreja.

Existe a geometria sagrada que estudava e calculava como construir um Templo, uma geometria sagrada que diz qual é a força que tem o triângulo, o quadrado, a estrela de cinco pontas, de seis, de sete, de oito, de nove e aí tem uma relação com os números.

Que força e energia tem o número um do círculo, a unidade? Que força e energia tem o número dois? O círculo cortado ao meio ou aquele yin e yang a energia do número dois, a dualidade na criação: masculino e feminino, luz e trevas, positivo e negativo, é a força do número dois, do círculo cortado ao meio. Que energia tem o triângulo? A energia multiplicadora, o número três é multiplicador. Do quatro? Dos quatros elementos: norte, sul, leste e oeste. Do quadrado? Da cruz? O poder da cruz que pode ser riscada num círculo.

O círculo é o todo, com um ponto no meio representa Deus, o ponto no meio é o lado interno da criação, o arco é o lado externo da criação, é o criador e a sua criação: o ponto e a circunferência – criador e criação – ali está o tudo, o todo na circunferência.

O circulo dividido ao meio tem o mistério do número dois: masculino e feminino, positivo e negativo, se houver um triângulo dentro, você tem o mistério do número três, do multiplicador, do gerador, ligado a pai Oxóssi. O quatro é a cruz, o mistério da cruz, do quadrado. O cinco: estrela de cinco pontas. O seis: estrela de seis pontas. Sete: estrela de sete pontas. Oito: o octágono. Nove: estrela de nove pontas.

Então, você tem o mistério das estrelas, das pontas, do círculo para entender a magia da mandala, a magia do ponto riscado que é feito dentro de um círculo.

O Guia espiritual, quando usa a pemba, sabe o que ele está fazendo e é isso que importa, o que ele faz ali não precisa estar escrito em algum livro, você pode ler livros pra tentar entender o que ele faz, mas ele não está preso a dogmática e ao ensino de determinada escrita mágica desse ou daquele livro.

Mesmo que você não saiba, o Caboclo sabe o que está fazendo com uma pemba na mão. Ele risca um círculo que é um espaço mágico, quando ele risca um espaço mágico é muito importante o que é que está na mente dele, ele mentalmente determina de qual base ele vai usar para esse círculo, esse espaço mágico.

No espaço mágico ele pode riscar uma estrela de cinco pontas em cima do círculo, no norte do círculo, se ele riscar em baixo, essa estrela já está num outro quadrante e diz respeito a um campo de atuação de outro Orixá. Então, esse círculo pode ser mentalmente dividido em sete, as sete vibrações num círculo.

 Esse círculo pode ser mentalmente dividido em quatorze, então, se esse círculo está dividido em quatorze, está de forma implícita a presença dos quatorze Orixás na circunferência, no círculo que é o todo, é Deus.

Se ele risca uma estrela de cinco pontas em cima está no campo de Oxalá e vai dando a volta, você pega o círculo e divide em quatorze pontos no sentido horário, no primeiro ponto em cima que é o ponto do meio dia – do relógio–  você tem Oxalá e vai fazendo o giro no sentido horário, você terá Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluayê, Yemanjá em baixo, o próximo ponto Logunan – Logunan está no extremo oposto a Oxalá, Oxalá em cima, Logunan embaixo.. Oxalá no meio dia, Logunan embaixo no ponto das seis. Depois vem o oposto a Oxum Oxumaré, a Oxóssi: Obá, a Xangô: Egunitá, a Ogum: Yansã, a Obaluayê: Nanã, a Yemanjá: Omulu – lá em cima do lado de Oxalá.

Quando o Caboclo risca o círculo, se isto está na mente dele, ele coloca uma estrela em cima no ponto de Oxalá, coloca uma estrela embaixo e está no ponto de Logunan, o Caboclo coloca uma estrela aqui na direita, ele está no ponto de Ogum ou de Xangô, na esquerda está no ponto de Yansã ou de Egunitá. E se esta estrela estiver mais para dentro, você começa a entender que está na vibração interna, mais para fora, na vibração externa dessa circunferência.

Há uma graduação, de dentro para fora existe graduação e essa graduação alcança as sete vibrações: fé, amor, conhecimento, lei, justiça, evolução e geração de dentro para fora.

O Caboclo fez um círculo, riscou uma estrelinha lá dentro, esta estrela não está perdida lá dentro. Agora, quando ele riscou o círculo, na mente do Caboclo está em cima o norte, embaixo é o sul, direita é a leste, esquerda é oeste, então, ele vai trabalhar os mistérios do alto, do embaixo, da direita e da esquerda da pessoa que ele está consultando.

Ele risca a estrela ou uma cruz ou uma flecha, em cima ele está trabalhando os mistérios do alto daquela pessoa ali, risca uma estrela embaixo está riscando os mistérios do embaixo, da direita vai trabalhar a direita dessa pessoa ou a esquerda.

O que está dentro do círculo pode dizer respeito aos sete campos, aos sete sentidos, aos quatorze Orixás ou ao alto, ao embaixo, à direita e a esquerda, quem está riscando sabe onde está colocando cada símbolo.

Essa é uma magia muito mais profunda, muito mais complexa do que se imagina. O Caboclo fez um círculo e colocou no centro dele uma estrela de cinco pontas, então, a partir do eixo central do sagrado, do interno da criação, de Deus para fora, o Caboclo riscou ali uma estrela de cinco pontas, uma estrela da fé; riscou uma estrela de seis pontas; riscou um cruzeiro, colocou em cima uma cruz, o mistério do alto do pai Oxalá ele está chamando para a evolução, embaixo é uma estrela, ele está pedindo descarga.

Dentro de um ponto riscado pode se trabalhar embaixo o que é para descarregar, na direita o que é para trabalhar as virtudes, na esquerda o que é para trabalhar os vícios, no alto o que é para trabalhar de natureza ancestral.

Duas flechas cruzadas, quando essas duas flechas se cruzam, logo se pensa: “Flecha é de Oxóssi”, mas elas se cruzaram com um ângulo de 90º graus, 90º graus pertence a Xangô; elas estão com ângulo de 45º graus pertence a Ogum; elas estão com ângulo de 60º graus pertence a Oxalá, então, cada Orixá tem um ângulo específico. Você corta o círculo em seis e dá triângulos com 60º graus, então, quando divide um círculo em certo número, divide um círculo em quatro tem uma cruz, cada quatro triângulos com 90º graus que é o ângulo reto, esse ângulo pertence a Xangô.

 Você corta outra vez dá ângulos, mais uma vez você faz mais quatro, mais quatro riscos dividindo esse triângulo, do centro para o em torno surgem triângulos de 45º graus que pertencem a Ogum, tem muita coisa por trás da magia, muita coisa por trás da escrita mágica e tem muito mais coisas que a gente desconhece, isso é um pouco do que a gente conhece, é um pedacinho, é geometria sagrada, é uma magia riscada, é uma magia de pemba.

O Guia vai lá e risca o seu ponto, quando o Guia risca um ponto, pode ser o ponto dele, mas pode ser um ponto de descarga, um ponto de firmeza, um ponto de corte de demanda, ponto para várias coisas e aí dentro desse ponto ele coloca um copo de água, ele põe o seu cachimbo, o charuto, o café, a pinga.

Exu incorpora faz um ponto riscado e põe lá dentro um copo de pinga, então, ele está usando os símbolos dos Orixás, dos mistérios de Deus, ele está usando um elemento.

A que divindade está ligado esse elemento? Ele coloca uma erva, coloca uma flor: a Pombagira risca um ponto e coloca uma rosa vermelha. A gente risca um ponto e coloca palmas para Oxalá. Cada flor está ligada a uma divindade diferente. Eu posso pegar pela cor, flores amarelas para Yansã, flores cor-de-rosa para Oxum, flores vermelhas para Ogum ou para Pombagira ou Xangô, flores violetas para Obaluayê, flor lilás para Nanã Buroquê, flores brancas para Oxalá.

Temos a magia das sete flores sagradas, das sete pembas sagradas porque o Caboclo usou pemba amarela, usou pemba verde, usou pemba roxa; magia das sete águas sagradas porque usou uma água de cachoeira, usou uma água de mar, porque usou água de rio. O Caboclo tirou a sua guia e colocou no ponto riscado, magia das sete guias sagradas. Por que magia das sete águas? Por que eu estou falando magia das sete pembas?

Porque cada magia tem um mistério, cada elemento que entra no ponto riscado tem um mistério e aí o Caboclo abre aquele mistério e com isso, no ponto riscado, ele abriu um portal, coloca você dentro do portal e só de você estar lá dentro começa a ser limpo e descarregado de tudo quanto é energia negativa, isso é magia de Umbanda. É linda, fascinante, encantadora, é simples e poderosa.

É simples de fazer, é simples de riscar, é poderosa, mas a compreensão e o entendimento dessa magia implica numa profundidade de saberes, de conhecimento, de conhecer os símbolos, os signos, as pedras, as ervas, as folhas, quais são as cores, quais são as ondas, as vibrações, as energias de cada divindade, de cada Orixá, de cada mistério. Como, quando e onde usar isso?

E tem gente que é contra o estudo, mas você acha que o Caboclo aprendeu a fazer ponto riscado sem estudar?

 Nossos Guias não são nosso exemplo?

Será que o Preto Velho faz ponto riscado só de intuição? Não estudou? Não tem o conhecimento para saber quando pedem pra você tomar um banho de erva, banho de erva também é magia.

Se o Preto Velho fala: “Tome um banho de arruda, filha”, “Tome um banho de guiné, meu filho”, “Tome um banho de manjericão”, “Tome um banho de alfazema”, tem uma ciência, tem um conhecimento, ele estudou para saber isso.

É comum o Terreiro de Umbanda ser um pronto-socorro, as pessoas vão correndo com “dor de barriga” ao Terreiro de Umbanda porque querem resolver algum problema, isso ou aquilo, mas às vezes falta despertar uma religiosidade nessas pessoas que acorrem aos Terreiros sem nenhum conhecimento acerca da religião.

Uma forma de trabalhar a religiosidade e despertar-la é trabalhar a ideia de culto coletivo. O que é um culto coletivo? Um culto coletivo é promover o encontro dos irmãos e da consulência para fazer um trabalho espiritual de limpeza, de reza, de oração, mas sem o atendimento particular.

O culto coletivo pode ser feito para Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô que é a ideia de desenvolver a religiosidade, desenvolver no consulente o sentido de religiosidade, ajudar a despertar a religiosidade para que ele não fique vendo a Umbanda apenas como magia, para que ele entenda que a Umbanda não é um balcão de negócios, a Umbanda não é um balcão de milagres e nem uma casa de negócios, Umbanda não é lugar de ficar fazendo troca, Umbanda não é um lugar em que você vai só para fazer magia, Umbanda é uma religião.

E, às vezes, falta colocar a Umbanda como religião, falta convidarmos os consulentes para um culto. Como seria esse culto? Na sequência normal de Gira, faz-se oração, saudação à esquerda, uma defumação coletiva, se chama a consulência para o meio, faz-se um círculo de médiuns em torno da consulência, a consulência pode ficar sentada no meio do Terreiro enquanto se defuma, faz-se um culto coletivo para Oxalá, consagra-se uma água para Oxalá antes, compartilhe a água, consagre pão para Oxalá, compartilhe pão, faça um culto, convide todos para rezar para Oxalá, cantar para Oxalá, cultuar  Oxalá, se levantar, se movimentar, cultuando Oxalá, fazendo o culto coletivo a Oxalá.

 Pode-se chamar em Terra a pai Oxalá para que se manifeste no médium e todos possam cultuá-lo, louvá-lo, podem-se chamar os Caboclos de Oxalá, a linha dos Caboclos de Oxalá em torno desses consulentes, pode-se, com os Guias em Terra, no culto coletivo, dar um passe coletivo nas pessoas, desenvolver a ideia de culto coletivo.

Se for fazer o culto coletivo para Xangô? Preparar o Terreiro para Xangô, pode se montar uma oferenda para Xangô, uma mandala de Xangô, um ponto riscado de Xangô, o símbolo de Xangô, pode-se distribuir um folheto: Culto Coletivo de Xangô para equilibrar a sua vida e as suas emoções, um culto temático na força de Xangô, distribuindo folhetos e explicando quem é o Orixá Xangô, o pai Xangô, qual é o sincretismo, a força, a energia e a cor, o ponto de força de Xangô, como Xangô atua na nossa vida.

Pode-se fazer um culto coletivo para Ogum, para abertura dos caminhos, para arrumar emprego, monte um folheto, faça um ponto riscado de Ogum, monte uma oferenda para Ogum, chame as pessoas para comungar, compartilhar da força de Ogum, temos ponto cantado de Ogum, enquanto está cantando os pontos de Ogum, coloque o povo para louvar, para cantar, para sentir a força de Ogum.

 Ensine que nesse momento em que você estiver louvando para
Ogum, cultuando pai Ogum, nesse momento se faz a chamada da vibração ou um médium incorpora Ogum ou que todos incorporem Ogum em torno para que a consulência apenas possa sentir a energia de Ogum e que pai Ogum limpe e descarregue todos de forma coletiva.

Essa é a ideia do culto coletivo, despertar a religiosidade. No dia normal de Gira, a gente já deve ter a preleção, deve ter um esclarecimento, um folheto, alguma coisa que explique as coisas para quem está ali dentro do Terreiro.

Vamos desenvolver e despertar a religiosidade, a espiritualidade, fazendo culto coletivo aos nossos pais e mães Orixás.

Essa é uma ideia nova dentro da religião, uma ideia trazida pelo Rubens, desenvolva essa ideia, trabalhe essa ideia, traga elementos que possam complementar esse culto. Consagre a água, consagre o pão, consagre sementes, folhas, algo que a pessoa possa levar para casa, peça ao Orixá que ampare nesse ou naquele sentido, criando um culto coletivo, um culto religioso Umbandista para mudar a postura do consulente, para que o consulente não fique no Terreiro só para pedir alguma coisa, que ele tome um passe coletivo e que no dia desse passe você fale, dê uma palavra sobre a religião, a religiosidade para que o consulente entenda melhor, para que ele deixe de ser apenas um consulente para poder se tornar um religioso.

Abra as portas do Terreiro para um culto, faça de seus consulentes religiosos de Umbanda, ensine o consulente a tomar banho de erva, ensine o consulente a acender vela para o Anjo da Guarda, ensine o consulente a fazer firmeza para os Orixás na casa dele, ensine o consulente a ser um religioso Umbandista, ensine práticas religiosas e devocionais a seu consulente, faça do frequentador um religioso de Umbanda, você pode, demonstre, mostre seu amor pela religião.

Annapon

( Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino - )

O Sacerdócio de Umbanda





O Sacerdócio de Umbanda

O que é Sacerdócio? – Quem é o Sacerdote de Umbanda? – Sacerdócio Vertical e Horizontal –


O Xamanismo é a expressão primeira da religiosidade do ser humano, é uma expressão natural a do Xamanismo primitivo.

O Xamanismo mostra que a expressão do êxtase, do transe religioso, do estado alterado de consciência, vai muito além daquilo que classificamos e rotulamos como mediunidade.

 O Xamã é alguém que se torna Xamã por dois caminhos, ele é um homem normal, comum, que passa a ter dificuldades emocionais, espirituais, ele vê coisas, ele sente coisas e muitas vezes ele fica até doente com doenças que não têm explicação, isso se conhece por doença Xamânica.

Em algum momento, ele se auto cura, ele tem uma visão, um encontro com um espírito ou com uma divindade, com um ser, com uma força, com um mistério, ele passa a ser portador desse mistério, se torna um Xamã, isso é o Xamanismo de investidura vertical.

Ele se torna Xamã pelo contato direto com o transcendente, com aquilo que vai ser sagrado na vida dele. E há o preparo do Xamã que é feito por outro Xamã, o Xamã mais velho prepara um Xamã mais novo para dar continuidade a uma linhagem Xamânica.


 Na história da humanidade houve homens, na origem do que chamamos de história, civilização, já havia homens que tinham essa expressão e se tornavam a referência espiritual para sua comunidade, para sua tribo, para aquele coletivo, ali ele se torna a expressão. Esse homem se tornava a expressão da espiritualidade do que chamamos de religiosidade porque mesmo que não houvesse uma religião organizada, ali estava a fé daquele grupo.

Esta é a sua religião, mesmo que não tenha nenhuma organização, passa a existir um conjunto de conhecimentos, de informações baseadas na prática desse Xamã que começa a explicar quem é o sagrado / quem é Deus / quem é o transcendente, como ele se manifesta.

Nesse momento, ele começa a organizar as coisas e passa a ser o representante da espiritualidade, não só da espiritualidade como também o Xamã, ele era, ao mesmo tempo, o médico, o filósofo, o mestre, o professor, uma figura importantíssima que até hoje vemos em algumas culturas tribais que ainda sobrevivem.

Esse Xamã é um líder espiritual, é um sacerdote que foi investido de poder de forma vertical, ele foi preparado de uma forma direta, por uma experiência transcendente ou de forma horizontal quando outro lhe preparou.

E com o tempo, a experiência dos Xamãs, dos místicos, desses homens que são como profetas, passou a ser organizada, a sua experiência é o conjunto de informações que eles coletaram acerca de uma experiência forte para conduzir a sua comunidade e isso passou a ser organizado na forma daquilo que  chamamos de religião.

E pela investidura horizontal alguém, que viveu isso, preparou outra pessoa, que preparou outra e assim sucessivamente, assim surgiu a hierarquia sacerdotal no Judaísmo que é descrita na Bíblia, onde Moisés, que tem o contato direto com Deus – da forma como está descrito no Velho Testamento –  prepara Arão e coloca a responsabilidade dos descendente de Arão – irmão de Moisés – que constitui os descendentes da tribo de Levi, de terem a investidura sacerdotal.

Em Levíticos estão os detalhes do que é pertinente ao sacerdócio sobre a investidura sacerdotal e como preparar um sacerdote, lá está escrito ainda como um sacerdote Judeu deve se vestir, está escrito nos mínimos detalhes, como é confeccionada a roupa do sacerdote, os detalhes da roupa, o sacerdote Judeu deve usar um efode – efode é um peitoral, um tecido que vai ao peitoral e nesse efode vão incrustradas doze pedras entre elas estão o ônix, o quartzo e algumas outras pedras, sendo que, cada uma das doze pedras simbolizava uma das doze tribos de Judá e ele usava mais duas pedras nos ombros, que são aquelas pedras chamadas de Urim e Tumim que é algo como uma pedra branca e uma pedra preta que são colocadas dentro de um saco e esse é o oráculo do sacerdote, quando ele não sabe se a resposta é sim ou não, ele reza a Deus e pede para que Deus lhe dê a resposta certa, ele busca a resposta tirando uma pedra daquele saco, se a pedra é branca a resposta é sim e se a pedra é preta a resposta é não ou vice e versa.

Esse sacerdote tem um oráculo que são duas pedras para responder sim ou não, tem um efode de doze pedras que vai ao seu peito, tem uma roupa sacerdotal, ele passou por uma investidura, na Bíblia, no Velho
Testamento está descrito como é feita a investidura desse sacerdote.

Jesus é tido como sacerdote, não da linhagem de Judá, mas da linhagem de Melquisedeque porque na Bíblia também está escrito que Abraão encontra um sacerdote do Altíssimo e seu nome é Melquisedeque, quer dizer: O rei justo.

Abrahão encontra esse sacerdote Melquisedeque que não tem pai, nem mãe, na linhagem sempre aparece quem é o pai e quem é a mãe, Melquisedeque aparece sem pai, nem mãe, então, ele pode ser um Anjo, ele é um sacerdote do Altíssimo.

O sacerdócio Judaico é um sacerdócio, o Cristão é outro, o sacerdócio Cristão segue Cristo. Cristo não é da tribo de Judá, ele não usa as roupas sacerdotais, não passou por uma investidura sacerdotal, mas ele é reconhecido como descendente da linhagem de Melquisedeque que é uma linhagem que não tem sacrifício animal porque Melquisedeque senta-se junto com Abrahão e ele comunga do pão e do vinho com Abrahão e não faz sacrifício animal, é de uma linha não cruenta.

Jesus é de uma linhagem sacerdotal não cruenta, ele é um Judeu da linhagem de Melquisedeque que não é uma linhagem consanguínea, é uma linhagem independente da tribo. Jesus é um leão de Judá, ele é da tribo de Judá, mas os seus descendentes, os seus sacerdotes, da sua hierarquia, ou seja, os doze apóstolos, são de qualquer tribo, não importa qual é a tribo.

 No Cristianismo, a hierarquia sacerdotal, a linhagem sacerdotal, já é diferente do Judaísmo clássico, do Judaísmo tradicional e ortodoxo, existe outro sacerdócio. E a igreja Católica vai criar a sua investidura sacerdotal, há uma forma, que Roma criou, de dar a investidura sacerdotal que é uma investidura horizontal, um sacerdote prepara outro sacerdote, é outra leitura.

Jesus era um rabino, um mestre, mas não tinha investidura sacerdotal, mas passa a ser sacerdote da linhagem de Melquisedeque.

O rabino deve ser respeitado como sacerdote enquanto líder religioso.

Todo médium de Umbanda já é um sacerdote em potencial, mas ele será o líder da comunidade quando for o dirigente espiritual e ele é um sacerdote quando assume a responsabilidade do Templo e da comunidade.

Temos de entender o que é o sacerdote a rigor, um líder religioso é visto como um sacerdote porque ele está à frente de uma comunidade. Agora, eu tenho o sacerdócio como um ofício por aqueles que passaram por uma investidura sacerdotal, muitos passam por uma investidura sacerdotal, são preparados como sacerdotes, por exemplo, no caso dos padres. Há padre que foi ordenado padre, mas não está à frente de nenhuma igreja.

Aquele que foi ordenado como padre, que foi preparado para ser padre – para ser padre, meu amigo, você tem que estudar muito, tem que se formar em Teologia, tem que ter cultura, tem que ter conhecimento, tem que ter embasamento para se ordenar padre, você tem que saber o que está fazendo, a pessoa se ordenou, ela recebeu investidura sacerdotal e que naquela tradição Católica ele é chamado padre, ele é um sacerdote.

Mesmo que ele não seja um líder de nenhuma comunidade, ele já é um sacerdote porque ele já foi ordenado, mas não é líder de nenhuma comunidade porque ele não está à frente de nenhuma, não é responsável por nenhuma igreja, mas ele é um sacerdote que foi ordenado. Agora, aquele que está à frente de uma comunidade tendo passado ou não por uma ordenação horizontal é um líder religioso, logo, é um sacerdote. Por que essa conversa toda? Porque existe uma enorme discussão de quem é sacerdote ou quem pode ser sacerdote.

No Xamanismo antigo, o representante da comunidade é um sacerdote que recebeu investidura direta do astral.

No Catolicismo, é sacerdote aquele que foi ordenado sacerdote.

No Islã, o Sheik não passa por uma ordenação de sacerdócio de templo porque a Mesquita é uma casa de oração e ele não é ponte, mas ele é um sacerdote enquanto líder religioso.

O Rabino é a figura do sacerdote enquanto líder religioso, mas tecnicamente ele não teve uma investidura para estar à frente do templo porque a Sinagoga é uma casa de oração. Mas, ele é o líder religioso daquele povo, então, ele é visto como um sacerdote.

Esse é o ponto, na Umbanda, quem é sacerdote?

 Vamos começar com Zélio de Moraes. O que aconteceu com Zélio de Moraes? Ele tinha dores pelo corpo, o Zélio teve todos os traços da doença Xamânica, de uma mediunidade descontrolada, ele já incorporava antes de descobrir a sua mediunidade, passava mal, ficou doente, foi levado para um padre exorcizar, foi levado para um médico psiquiatra, ele foi levado a benzedeira, foi para um Centro Espírita, incorporou um espírito e o espírito disse “Amanhã, eu vou criar uma nova religião” no dia 14 de novembro de 1908.

Zélio era um jovem rapaz que não sabia o que fazer da sua mediunidade.

No dia 15 de novembro, incorporado nele um Caboclo, anunciou uma religião, no dia 16 de novembro, o Zélio de Moraes estava inaugurando, incorporado,  um Templo, no dia 16 de novembro o Zélio já estava como sacerdote da Umbanda – olha que loucura – por uma ordenação vertical, os espíritos fizeram de Zélio de Moraes o sacerdote da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, ali ele preparou outros sacerdotes e é o fundador da religião, que é o primeiro Umbandista e criou o primeiro Templo.

Por qual preparo Zélio passou?

Zélio de Moraes não foi raspado, não foi burilado, não deitou, não fez coroação, não fez nada disso porque ele não vinha do Candomblé, a sua mediunidade eclodiu, ele veio tendo manifestações mediúnicas que é aquela história “quem não vem pelo amor, vem pela dor”, Zélio estava vindo pela dor e no momento que ele entra no Centro Espírita, sua mediunidade eclode, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorpora e fala “Estou aqui. Estou dando minha mensagem e tenho uma missão de trazer uma nova religião, esse rapaz vai estar à frente”.

Por qual preparo sacerdotal de investidura horizontal o Zélio passou? Nenhum. Horizontal? Não tinha alguém mais velho na Umbanda para prepará-lo, ele foi preparado direto do astral por investidura vertical.

Zélio preparou médiuns, como é que Zélio de Moraes preparava médiuns?

Fazendo desenvolvimento mediúnico, é simples.

E aí, quando o médium, por meio do desenvolvimento mediúnico, mostrava aptidões ou o Zélio reconhecia a missão de líder religioso, de sacerdote, ele era distinguido como dirigente espiritual, não tinha o conceito de hierarquias sacerdotais, mas Zélio preparou médiuns na qualidade de dirigentes para tomar conta de outros Templos, outras Tendas, só o Zélio fundou sete Tendas além da Tenda Nossa Senhora da Piedade e além da Cabana de Pai Antônio, Zélio fundou sete Tendas, no total sete Tendas com a Tenda Nossa Senhora da Piedade, sete Tendas sob a ordenação do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Mas, esse preparo não vinha do Candomblé, esse preparo não veio do Espiritismo, Zélio os preparou mediunicamente e eles tinham uma missão.

Quem é, afinal, independente da história de Zélio de Moraes, do Xamanismo, do Catolicismo, do Islã, do Budismo, do Hinduísmo - quem é o sacerdote ou quem pode ser sacerdote de Umbanda e na Umbanda?

Respondemos essa pergunta, pelo menos, em três instâncias: quem é um sacerdote perante a lei independente da religião ou do segmento religioso? Perante a lei, o Estado, quem é que valida a condição do sacerdote, do sacerdócio perante as nossas leis? Legalmente falando quem é sacerdote?

A resposta é essa: legalmente falando, é sacerdote o líder religioso ou o ministro religioso que está à frente de uma comunidade devidamente registrado em cartório.

Essa comunidade, que é uma comunidade religiosa, deve ter um estatuto e nesse estatuto, os membros da comunidade fazem saber a quem possa interessar que fulano de tal é o sacerdote, o líder religioso, o ministro religioso dessa comunidade, então, ele é um sacerdote reconhecido por essa comunidade e isso é registrado em cartório, a partir desse estatuto, essa comunidade faz saber ao Estado de forma legal que essa pessoa é sacerdote, ou seja, é o líder religioso, o responsável espiritual por aquela comunidade.

 Legalmente é esse estatuto registrado em cartório que diz quem é o sacerdote, que é um sacerdote independente da religião.

Quem é o sacerdote perante a sua comunidade no conceito da Umbanda?

 É o dirigente espiritual.

O dirigente espiritual use ou não essa terminologia, é um sacerdote.

O seu dirigente, seu padrinho, sua madrinha, seu Babá, sua Babá, o comandante de Terreiro, o cacique da sua Tenda, seu Babalaô, Babalorixá, use a palavra que quiser, o pai de santo, a mãe de santo, o pai no santo, a mãe no santo, o pai espiritual, use a terminologia que quiser, esse dirigente espiritual é o sacerdote daquela comunidade.

Qual comunidade?

 A comunidade que frequenta o Templo onde ele é o sacerdote, o líder.

E perante o astral quem é sacerdote?

Perante o astral é sacerdote aquele que encarnou com a missão sacerdotal ou durante a encarnação recebeu a incumbência da missão sacerdotal.

E como é que a gente sabe que é um sacerdote reconhecido pelo astral?

É simples, ele está incorporado, o seu Caboclo informou que ele tem a missão de sacerdote, quem faz validar isso? O seu Caboclo, o seu Guia incorporado, os seus Guias fazem valer a sua missão sacerdotal perante o astral.

Quando o astral reconhece que você tem a missão de sacerdote, você é visto como sacerdote perante o astral.

Há quem não recebeu investidura sacerdotal ou não é reconhecido pelo astral e quer abrir o Terreiro, abre, mesmo porque, para abrir um Terreiro, perante a lei, é só fazer o estatuto e registrar em cartório, mas e depois, vai fazer o quê?

Muita gente gostaria de ser sacerdote e existe curso de sacerdote, mas o curso de sacerdócio ministrado pelo saudoso Rubens Saraceni, e que pai Ronaldo ministra e tantos outros ministram e ministraram esse curso não faz de você um sacerdote porque por mais que você receba todo o preparo sacerdotal, na Umbanda, se você não incorporar um Guia espiritual e esse Guia não confirmar que você tem a missão de sacerdote, você é alguém que foi preparado para sacerdócio e ponto, apenas isso, sem validação da espiritualidade.

Qualquer pessoa pode ser preparada, mas é o seu Guia que confirma que você tem essa missão. E por que preparar alguém para o sacerdócio se antigamente só era feito dentro do Terreiro?

 Ainda é feito no Terreiro, o curso de sacerdócio é uma vivência, é uma experiência de Terreiro, isso é feito dentro do Terreiro, isso não é feito fora do Terreiro.

Para ensinar teoria ensinamos em qualquer ambiente, mas o preparo sacerdotal é presencial, é feito no Templo, no ambiente do Templo.

 A teoria, a doutrina, a teologia, a cultura de Umbanda Sagrada, isso nós devemos ensinar de qualquer ambiente, principalmente porque muitos que frequentam o Terreiro não tem lá dentro um espaço para estudar teoricamente a religião, não tem tempo pra ficar um ano estudando teologia com cada médium que entra no seu Terreiro, não é isso?

 O tempo todo tem médium entrando para o Terreiro, como é que você vai dar teologia de Umbanda para todos eles que estão entrando no seu Terreiro? Não tem condição.

A crítica ao curso de sacerdócio, o contestamento, o enfrentamento, a tentativa de desvalorizar um curso de sacerdócio é totalmente uma bobagem porque o curso de sacerdócio é para o médium de Umbanda desenvolvido e praticante da religião que já frequenta o Terreiro.

O sacerdócio é algo a mais para quem já é sacerdote ou para quem é médium mesmo que você nunca venha a ser um sacerdote, um líder religioso de Umbanda, mesmo que você nunca venha ser um dirigente espiritual, conhecimento não ocupa espaço. O aprendizado sacerdotal não vai te fazer menos, vai te fazer mais porque o objetivo não é inventar coisas, é aprender coisas, viver experiências, é burilar a questão mediúnica, lapidar o relacionamento entre você e a sua espiritualidade, trabalhar a ideia do sacerdócio que diz que todo médium de incorporação é um sacerdote em potencial.

Fazer um curso de sacerdócio é você entender melhor as dificuldades, a problemática e a complexidade do seu Templo, que você é só um médium, você tem o seu sacerdote, pra você entender melhor o seu sacerdote, pra você ter mais tranquilidade e segurança se você já é sacerdote, pra você ter tranquilidade e segurança se um dia você vier a se tornar um dirigente espiritual, tudo isso está no curso de sacerdócio.

O que é um curso de sacerdócio?

É um preparo horizontal, de investidura horizontal em que nós estamos passando conhecimento e experiência e que tem um lastro, esse conhecimento sacerdotal tem um histórico.

Pai Ronaldo Linares conheceu Zélio de Moraes na década de 70 e Pai Ronaldo Linares desde a década 50/ 60 vinha preparando um curso de doutrina de Umbanda, um curso de médiuns que evoluiu para curso de sacerdócio.

Quando Pai Ronaldo conheceu Zélio de Moraes ele já tinha o curso de sacerdócio e Zélio de Moraes viu com bons olhos, Zélio de Moraes fundador da Umbanda viu com bons olhos o curso de sacerdócio de Pai Ronaldo Linares, tanto que, em muitas formaturas de sacerdócio de Pai Ronaldo Linares, as filhas de Zélio de Moraes: Zélia e Zilméia estiveram presentes no momento da formatura.

Num livro chamado “Umbanda, Religião Cristã e Brasileira”, o autor fez uma entrevista com Zélio de Moraes onde ele comenta sobre o trabalho de Pai Ronaldo Linares, da Federação Umbandista do Grande ABC e da organização da religião pelo sacerdócio.

 Rubens Saraceni foi preparado por Pai Ronaldo Linares de forma horizontal, foi preparado pelos seus Guias e Orixás de forma vertical e idealizou uma teologia, um sacerdócio fundamentado em todo um conhecimento trazido do astral.

Quem é o sacerdote de Umbanda?

 Ele é o dirigente espiritual, ele é o líder espiritual, esse dirigente pode e deve fazer um curso de sacerdócio para conhecer mais sobre a religião, só isso.

 Ele pode e deve ser preparado dentro de um Terreiro, de qualquer forma ele está sendo preparado dentro do Terreiro, não tem como ser preparado em outro ambiente porque o Terreiro é o Templo. Agora, quem é o sacerdote? O que é a figura do sacerdote para sua comunidade? Isso é importante, ele é acima de tudo alguém interessado no elemento humano.

O sacerdote de Umbanda é um médium de incorporação desenvolvido que recebeu a missão de dirigente espiritual, mas para exercer a função do sacerdócio, ele deve conhecer acerca dos fundamentos da religião, das firmezas, dos assentamentos, dos banhos, acima de tudo de como cuidar da mediunidade do outro porque algum dia alguém cuidou da mediunidade dele.

Agora, é fundamental que o sacerdote seja alguém interessado no elemento humano, no ser humano. O maior problema da religião de Umbanda e de todas as religiões é o ser humano.

A maior dificuldade de um sacerdote não é nem quebrar demanda, não é desobsessão, não é cuidar, o maior problema de um sacerdote, dentro de um Terreiro de Umbanda é o relacionamento humano.

O sacerdote é um líder e ele deve exercer liderança, você não ensina alguém a ter fé, mas você ensina alguém a entender a sua fé. Você ensina o sacerdócio, você pratica junto, é um conjunto de experiências. Agora, liderar é algo que pode ser trabalhado, lapidado.

Todo sacerdote de Umbanda deveria estudar um pouco sobre liderança, existe um livrinho chamado “O Monge e o Executivo” sobre liderança, a arte da liderança, da editora Madras, existe também um livro chamado “Krishna e a Arte de Liderar”, excelente.

O sacerdote deve aprender como lidar com o ser humano e não apenas como lidar com a mediunidade, não apenas como lidar com a  Umbanda, ele tem que saber lidar com o ser humano, saber ouvir.

O sacerdote tem que ser acima de tudo alguém que quer se tornar uma pessoa melhor para ajudar o outro a se tornar uma pessoa melhor. Agora, o sacerdote  não é um iluminado, ele não é um santo, o sacerdote de Umbanda não é um avatar, é uma pessoa comum que quer se tornar alguém melhor e quer ajudar o próximo a se tornar uma pessoa melhor.

O sacerdote de Umbanda é alguém que tem na religião de Umbanda um sentido para sua vida e ajuda para que outras pessoas possam dar sentido para suas vidas.

O sacerdote de Umbanda é alguém interessado no ser humano, mas não é alguém perfeito. É alguém que de vez em quando pode e deve dançar cantar, namorar, beijar na boca, tomar uma cervejinha, tem família, tem um emprego, tem uma vida fora do Templo e é uma pessoa que tem dificuldades, problemas, que, às vezes, pisa na bola porque não é um ser humano perfeito.

Se você idealizar o seu sacerdote como se ele fosse um avatar, um mestre ascensionado, uma pessoa perfeita, você vai se decepcionar, se você é médium aprenda a ver seu sacerdote como uma pessoa comum, se você é sacerdote mostre para o seu médium que você não está em cima do altar, que em cima do altar está Oxalá, Xangô, Obaluayê, Nanã, Yemanjá, você não, você está no chão, estabeleça uma relação saudável.

 O sacerdote é um pai espiritual, a sacerdotisa é uma mãe espiritual. E a Umbanda é uma religião onde você tem: sacerdote e sacerdotisa no mesmo nível. Os Terreiros podem ter um sacerdote ou sacerdote e uma sacerdotisa ou uma sacerdotisa, tem Terreiro que tem um sacerdote: um pai e uma mãe pequena que são sacerdotes auxiliares.

É importante estabelecer uma relação saudável, se você é sacerdote, com a comunidade que dirige.

 Não usar o sacerdócio como ferramenta da sua vaidade, do seu ego, não usar o sacerdócio para se sentir melhor ou mais importante, para se colocar acima dos outros, não usar o sacerdócio para humilhar, não usar o sacerdócio para expor alguém ao ridículo.

O Sacerdote moderno entende que velhos modelos já não servem mais, não se encaixam numa sociedade voltada à tecnologia que, a cada dia, disponibiliza novidades.
O novo Sacerdote tem a preocupação de ensinar, sabe que segredos já não mais satisfazem os médiuns de hoje, mesmo porque são jovens que se valem dos recursos tecnológicos capazes de acessar, facilmente, qualquer informação, portanto, busca, na religião, uma trégua nas tribulações da vida sem dispensar o conhecimento acerca da religião e do templo que freqüentam.

 Respostas vazias, frias, que demonstrem desconhecimento, enfraquecem a relação entre partes tão sensíveis como essas.

O Novo Sacertode, de quaquer religião, deve ser aquele que incentiva o estudo, que se abre às novas ideias, pois o novo bate à porta todos os dias.

Exemplo claro é o novo Papa que tem conquistado a simpatia de todos, dentro e fora da religião católica. Ele sabe que velhos modelos já não mais satisfazem a ninguém, principalmente aos que buscam, junto à espiritualidade, viver melhor e com mais qualidade.

Vejo o novo Sacerdote de Umbanda como alguém que se aproxima mais do povo e de seus seguidores, como um homem, ou mulher, disposto a ensinar e a aprender todos os dias, algo novo que possa ser aplicado dentro da religião ou de seu templo.

Sem idealizar, vejo o novo Sacerdote de Umbanda como um estudioso disposto a romper com velhas e já inúteis crenças que o impedem de evoluir e que impedem ainda, aqueles que o cercam, de também evoluírem.

Tudo e todos evoluímos afinal, o progresso não espera ninguém, ele simplesmente acontece, espontaneamente a cada dia, cabendo a cada um de nós, segui-lo, para o nosso bem e para o bem de todos que estão a nossa volta.

Sempre é tempo de rever posturas, ajustar crenças, abrir a mente a novas ideias, isso acontece em todos os segmentos de nossas vidas e, com nossa religião, não deve ser diferente.

O Jovem Umbandista tem sede de conhecimento, não aceita velhas e mal acabadas posturas, ele quer um Sacerdote amigo, acolhedor, que incentive o estudo, que saiba lidar com as dificuldades de cada um dos seus seguidores sem com isso se prevalecer de sua posição.

Respeito muito a todos os Sacerdotes de Umbanda que batalham todos os dias para conseguirem manter de pé os templos que fundaram. Não é tarefa fácil assumir tal compromisso junto à espiritualidade e à comunidade.

Existe a questão financeira, a pessoal, relações de difícil enfrentamento que requerem preparo, dedicação, não basta querer, é preciso muita disposição, fé e perseverança no cumprimento da missão Sacerdotal, principalmente na Umbanda que não deve explorar a fé alheia extorquindo seus fiéis.

É uma missão árdua essa, mas, certamente, prazerosa, pois cumprir um compromisso, muitas vezes, pré estabelecido, antes da encarnação, tem de ser uma benção, um grande e honroso prazer mesmo com todas as dificuldades e impedimentos.

É claro que existem os bons e os maus Sacerdotes, como em todos os setores onde atua o ser humano, reconhecer os bons, a fim de segui-los, não é tão difícil assim como pensam alguns, basta não idolatrar, verificar a postura do Sacerdote diante daquela comunidade religiosa procurando não confundir as coisas, certificar-se da gratuidade nos atendimentos realizados pelo Sacerdote e, é claro, sentir simpatia, alguma afinidade com sua postura para que a relação seja saudável e longa.

O Sacerdote seja de Umbanda ou de qualquer religião é um ser humano sujeito a erros e acertos como qualquer outro, muitos dissabores poderiam ser evitados se as pessoas conseguissem entender isso.

É claro que o Sacerdote, como cidadão, deve manter uma postura que não o contradiga como religioso, é natural que seja assim, porém, as pessoas que o seguem, ou pretendem seguir, devem, por sua vez entender que o Sacerdote é humano, não é um Santo, não é alguém que já atingiu a iluminação, é apenas alguém que está buscando ser melhor e querendo compartilhar com os outros esse desejo.

Muito se fala sobre os deveres do Sacerdote, pouco se fala sobre seus direitos. O Sacerdote é extremamente cobrado, constantemente sabatinado, muitas vezes passa pelo constrangimento de não saber a resposta para todas as perguntas que lhe são feitas, exigindo assim que se mantenha, o máximo possível, informado sobre a religião e assuntos gerais que afetam a vida cotidiana de todos.

Nem todo Sacerdote é ou foi estudioso, alguns não tiveram acesso ao estudo, porém, cumprem com amor, humildade e fé a missão do Sacerdócio. Exigir de pessoas assim alguma erudição é falta de caridade, compreensão, significa que a pessoa está no lugar errado, que deve buscar outro Sacerdote que o satisfaça intimamente, se é que seja possível encontrar porque ninguém é perfeito, mas afinidade é fato.

O Sacerdote tem muitos direitos, caminham lado a lado com seus deveres e obrigações. O direito de ser uma pessoa comum é um deles, de viver sua vida fora do templo como bem entender é outro e assim por diante porque nenhum Sacerdote atingiu a angelitude, sabe tudo ou está à disposição de seus seguidores 24 horas por dia como fosse o setor de emergência de um hospital.

O Sacerdote tem direito à privacidade, deve, pelo seu próprio bem, estabelecer controle sobre o acesso a ele fora do templo, do contrário terá uma vida controlada, sufocada e, penso eu, isso não é saudável. Estabelecer a dependência de seus seguidores não é algo bom, pelo contrário.

É claro que alguma atenção deve ser concedida, porém, que seja com equilíbrio, controle e, acima de tudo, bom senso de ambas as partes, sim, porque, em contra partida, existem aqueles Sacerdotes que não dão sossego aos seus seguidores, por isso, bom senso para os dois lados é garantia de uma boa e saudável relação.

E que as advertências do Caboclo das Sete Encruzilhadas possam ser sempre relembradas, são roteiro seguro a seguir.

Annapon


(Texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda Sagrada – Desenvolvido por Rubens Saraceni – Ministrado por Alexandre Cumino)

Criança em Gira de Esquerda

Muitos dizem que não se deve levar crianças a linha da esquerda, pois geralmente nessa linha se usam bebidas, charutos cigarros e dependendo da Casa até alguns palavrões são ouvidos. Fora o ambiente mais escuro, com as imagens que convenhamos não são tão “belas”. Acredito que a soma desses fatores te coloca a pensar se realmente é um ambiente propício a se levar uma criança.
Mas sempre existe aquele contra ponto…
“Por acaso deixamos de levar nossas crianças para festas, churrascos, ou encontros de amigos, que contém cigarros, bebidas e etc ?!”
Bom isso tudo o que falamos é apenas o lado físico! Tudo o que vemos em nosso plano material.
Mas vocês já pensaram em como seria o plano espiritual durante uma Gira de Esquerda ?
Sabendo que os Exus e Pomba Giras são entidades de Luz, Guardiões que trabalham em plano espiritual mais denso e próximo ao nosso plano terrestre. Vamos analisar agora o que acontece onde não conseguimos enxergar.

Muitos além do que se pode ver

O mais comum dos pedidos que levam uma pessoa a visitar uma Gira de Esquerda, é relacionado ao emprego, amores não correspondidos, entre outros problemas terremos geralmente relacionados a bens materiais.
Mas o Trabalho de um Exu vai bem além disso, trabalhando nas trevas a serviço da Luz, eles lidam com todo tipo de espírito desencarnado, desenganado que vagam presos entre o mundo material e espiritual. Eles recolhem e amparam esses espíritos (de acordo com o querer de cada um) e os energizam encaminhando para a luz.
Em muitos trabalhos de esquerda, algumas pessoas chegam com a energia tão baixa e densa e quase sempre acompanhada de um espírito obsessor, que se alimenta dessa energia negativa. Durante a Gira da Casa essa pessoa será atendida, será orientada, e da mesma forma os Exus e Pomba Giras ali presentes, atenderam e orientaram esse espírito obsessor afim de que esse não permaneça nas trevas.
Durante qualquer trabalho espiritual em um Terreiro ou Casa de Umbanda (Candomblé, Kardecista, ou qualquer outro nome) esse local se torna um ponto de luz (no plano espiritual) atraindo todo tipo de espírito, que ali rodeiam a região. É como ascender uma lanterna em campo escuro, todos iram para perto dela. Nesse momento é que está a verdadeira atuação dos Guardiões (Exus e Pomba Giras),  protegem o terreiro e todos que estão dentro, e ao mesmo tempo acolhem aqueles que vierem em busca de ajuda. Claro que isso acontece da mesma forma em Giras de Caboclos, Baianos, e tantas outras linhas da Umbanda. Aí vem a pergunta, qual a diferença na Linha da Esquerda ?
Eu te respondo, junte tudo que você leu em um único ambiente. As imagens, as entidades, os obsessores, os obsediados, as ferramentas de trabalho (imagens, charutos, bebidas etc), as pessoas de baixa vibração, imagine tudo isso em único “espaço físico”, aí sim você terá ideia do que é uma Gira de Esquerda.
Todos os obsessores resgatados durante os trabalhos de esquerda, permanecem ali junto com todos até o “fim dos trabalhos” (pelo menos o fim dos trabalhos no nosso plano), e quando este termina o trabalho dos Guaridões ainda está mal começando. Pois estes são quem energizaram e encaminharam cada alma perdida que veio em busca de amparo e luz.

Conclusão

Um ambiente assim, não acrescentaria nada á uma criança. Não há motivos para que esta participe de um trabalho como esse. Expor uma criança a tantas energias densas e diferentes só fará mal a ela, pois a mesma ainda não tem preparo ou discernimento para entender o que ali se passa. Se muitos “adultos” ainda não entendem o real significado do trabalho de um Exu, quem dirá uma criança…
Claro que respeitamos a Doutrina de cada Casa, sempre existiram aqueles que permitem, e muitos iram discorda de nossa postura, mas esse é o nosso entendimento em ralação a esse assunto.