quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Jurupari (mitologia)

Jurupari (mitologia)

Jurupari é um personagem mitológico dos povos indígenas da América do Sul. O povo Mawé retrata Yurupari não apenas como um demônio, mas o próprio Mal, aquele que deu origem à outros demônios (como os Ahiag̃ ou os Mapinguary).[1]
Na época da chegada dos primeiros europeus ao continente (século 16), Jurupari era o culto mais difundido. Visando a combatê-lo, os missionários católicos passaram a associar Jurupari ao diabo cristãoVárias teorias procuram explicar o significado do termo "Jurupari":
  • Segundo o tupinólogo Eduardo Navarro, viria do tupi antigo Îurupari, que significa "boca torta" (îuru, "boca" + apar, "torta").[4]
  • Segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo, a palavra "jurupari" parece corruptela de "jurupoari", descrita por Couto de Magalhães no curso sobre nheengatu (língua geral) "O selvagem". Na obra, "Jurupari" literalmente é traduzido por "boca, mão sobre; tirar da boca"; che jurupoari - "tirou-me a palavra da boca", ou de iuru (boca) e pari (armadilha de talas para peixes, com que se fecha os igarapés), além de referir aos diversos significados míticos, entre os quais o que corresponde à expressão "ser que vem à nossa rede" (lugar onde dormimos), e "gerado da fruta".[5]
  • Segundo o padre Constant Tastevin (1880-1958), apud Faulhaber,[6] o nome "Jurupari" pode corresponder ao nome próprio de um antigo legislador índio, de quem conservam ainda os usos, leis e tradições lembradas nas danças mascaradas de Jurupari. O nome, segundo esse autor, parece significar "máscara", pari, "da boca" ou "do rosto": iu-ru-pari: "meter um pari no próprio rosto".
O dicionário Aurélio[7] reforça a etimologia tupi e o significado de "demônio", estendendo o seu significado a:
  • um peixe de rio, ciclídeo (jeropari, Geophagus daemon);
  • ao macaco-de-cheiro;
  • e à planta da família das leguminosas (Eperua grandiflora), que podem ou não ter relações com esse signo mítico, o que é evidente no nome do peixe (Geophagus daemon ou Satanoperca jurupari).
Jurupari também é o nome do peixe da família cichlidae

O Legislador[editar | editar código-fonte]

A primeira versão conta a história de uma índia chamada Ceuci que, tal qual a Virgem Maria, teve uma concepção miraculosa. Conta a lenda que Ceuci estava repousando abaixo de uma árvore e, acometida de fome, comeu seu fruto, o mapati (uacu, em algumas variantes), cuja ingestão era proibida às moças no dia em que estivessem em período fértil. O sumo da fruta teria então escorrido pelo seu corpo nu e alcançado o meio de suas coxas, fecundando-a. A notícia chegou à aldeia, e o conselho de anciãos, diante da revolta do povo, resolveu punir Ceuci com o exílio, onde teve seu filho.
Esta criança, chamada Jurupari, era na verdade o enviado do Sol (Guaraci), pelo qual foi ordenado reformar os costumes dos homens e encontrar uma esposa para ele. Com sete dias de vida, já aparentava ter 10 anos, e sua sabedoria atraiu a atenção de todos, que passaram a ouvir suas palavras e o ensinamento dos novos costumes que o Sol dizia que deveriam seguir. É chamado legislador porque alterou as leis (leia-se costumes) do mundo, transformando-o de matriarcal para patriarcal.

Demônio dos Sonhos[editar | editar código-fonte]

Na mais conhecida das duas lendas, Jurupari seria, na verdade, o deus da escuridão e do mal, que visitaria os índios em sonhos, assustando-os com pesadelos e presságios de perigos horríveis, impedindo, entretanto, que suas vítimas gritassem - o que, por vezes, causava asfixia. Esta é a mais "provável", já que o significado da palavra Jurupari seja algo como "aquele que cala", "que tapa a boca", ou ainda "aquele que visita nossa rede". Os jesuítas estimularam esta versão da lenda, alguns mesmo dizendo que foram eles que a criaram, sendo imediatamente aceita pelos indígenas, ávidos por uma explicação sobre o porquê de terem pesadelos. Para Câmara Cascudo, essa concepção de criatura dos "pesadelos" é um amálgama de lendas europeias e africanas, inventadas pelas amas de leite para o controle do comportamento das crianças.

Aparência[editar | editar código-fonte]

Por vezes, é visto como um caboclo medonho que está sempre rindo, aleijão de boca torta, sendo muito cruel e vingativo. Em algumas culturas indígenas, é descrito como uma cobra com braços; em outras, como um índio comum dotado de grande sabedoria e poderes divinos. Já foi descrito como um bebê invisível, ou simplesmente como uma "presença" (espírito).
Em alguns dos mitos que envolvem o jurupari, esse herói morre queimado, e, das suas cinzas, nasce a palmeira de paxiúba (Socratea exorrhiza), uma árvore de cuja madeira são feitos os instrumentos juruparis tocados nesse ritual. Entre os índios tucanos, a flauta (simiômi’i-põrero) é feita da madeira do uacu (Monopteryx angustifolia). Segundo Piedade,[8] é um instrumento sagrado que tem som de trovão, tendo sido utilizado pelos homens para recuperar os instrumentos juruparis que as mulheres haviam roubado.

Ritual do Jurupari[editar | editar código-fonte]

Além de o nome Jurupari corresponder a uma lenda tupi e a um conjunto de animais e árvores que o mito relaciona entre si, ainda existem diversas variantes desse mito em outras etnias. Corresponde também a um ritual com flautas em que só os homens podem participar, entre os índios do noroeste da Amazônia (Rios Negro e Uaupés), como os tucanos e os tarianas, descrito por Ermanno Stradelli (1852-1926).[9] Outros ritos e mitos também são conhecidos pelo nome de Jurupari, a exemplo dos encontrados nas tribos:
Segundo descrição de Carvalho[11] do que denomina a "religião de jurupari", na região amazônica alto do Rio Negro, esta compreende um culto secreto masculino, revelado aos iniciados principalmente na segunda iniciação: seus ritos incluem flagelações, uso do tabaco e coca, ilusógenos como o yagé (caapi), e, mais no extremo oeste, também o paricá.

Bicho da fortaleza

Bicho da fortaleza


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Uma das formas de aparição do Bicho da Fortaleza é como Lobisomem.
O bicho da fortaleza é a lenda de um monstro que aterroriza as crianças do Vale do Jequitinhonha e de boa parte das regiões vizinhas, em Minas Gerais e na Bahia, é o Bicho da Carneira, também chamado de Bicho da Fortaleza, Bicho de Pedra Azul, Bicho da Rodagem e Lanudo. Esse monstro da mitologia popular assume diferentes formas. A mais frequente é a de um cachorro preto e grande que aparece ao entardecer ou depois que a noite cai. Também é descrito como a figura de um lobisomem ou animal peludo desconhecido na nossa fauna – o Lanudo –, ou um homem sedutor, ou um personagem misterioso que traja capa escura e aparece nas noites sem lua, ou ainda como uma pessoa comum. O comportamento também varia: o que usa capa realiza operações mágicas e seduz mocinhas; o homem comum é reconhecido pelo apetite fabuloso e pela menção aos familiares; e o animal consome uma quantidade anormal de alimentos, abate bezerros, ataca cachorros, mata e deixa feridos, muitos de uma vez só. E as mães ameaçam as criancinhas com aparições desse monstro se não dormirem cedo.[1]

Versões[editar | editar código-fonte]

A primeira explicação é que o Joaquim Antunes (Bicho de Pedra Azul) era um alcoólatra que agredia a própria mãe pedindo dinheiro para beber mais, porém um certo dia Joaquim agrediu muito a sua mãe então a sua mãe jogou praga em Joaquim, logo após Joaquim falecer de cirrose, o seu tumulo foi deixado as cegas, então rachaduras foram aparecendo no tumulo e reza a lenda que todas as noites o Bicho de Pedra Azul fica vagando pela cidade e principalmente vaga por perto da sua casa e dizem que se você encosta um capim seco em cima da rachadura do seu tumulo, esse capim é sugado pra dentro pelo Bicho de Pedra Azul.
A segunda versão envolve um personagem histórico da cidade; Joaquim Antunes de Oliveira, político e fazendeiro, considerado pessoa letrada veio da cidade de Gorutuba/MG, atual Janaúba, a convite de seu primo e cunhado, Quintiliano Antunes de Oliveira por volta dos anos de 1860 e se estabeleceu no Arraial de Nossa Senhora da Boca da Caatinga.
Joaquim Antunes que era descendentes de cristãos-novos (denominação dada aos judeus recém convertidos ao cristianismo em contraposição aos cristãos-velhos), durante uma visita de uma comissão de padres jesuítas na década de 1890, teria invadido a igreja durante uma missa realizada pelos padres sendo por esse motivo excomungado.
Por volta do ano 1900, foi vitimado por uma doença desconhecida que o deixou paralisado e afastado do convívio social o que fez com que a população se lembrasse do episódio ocorrido na igreja.
Não demorou muito e Joaquim Antunes veio a óbito. Foi sepultado em um túmulo projetado por ele mesmo, com gavetas, o que era uma novidade na época. Na década de 1930, a administração do já emancipado município de Fortaleza resolveu mudar a localização do cemitério da cidade e o coveiro responsável pelo translado dos corpos ao notar que o caixão de Joaquim Antunes pesava mais que os outros resolveu abri-lo e descobriu que o corpo de Joaquim Antunes estava em perfeito estado de conservação.
Após a fixação definitiva da sepultura de Joaquim Antunes no novo cemitério, seu túmulo rachou e foram achados pelos de animais nas rachaduras. As rachaduras foram por diversas vezes tampadas voltando a se fender. Daí surgiu o nome Bicho da Carneira, nome comumente usado para designar túmulo. A lenda estava definitivamente formada. [2]
Numa terceira versão diz que Joaquim Antunes, um rico fazendeiro, tinha a obrigação de cuidar de todo um rebanho em sua fazenda usando uma mula para o trabalho. Certo dia a mula após todo um dia de trabalho estava muito cansada, porém mesmo assim Joaquim insistiu em selar o animal para ir passear. Sua mãe revoltada com a atitude tirou a sela da mula e tocou o animal para o curral. Joaquim então ficou furioso e xingou a mãe. Como se na bastasse ele selou a própria mãe e foi montado nela até a cidade, batendo muito na pobre senhora. Um tempo depois Joaquim morreu, porém sua mãe continuou viva. Mas certo dia quando o caixão foi aberto notou-se uma pelugem sobre os ossos como só um animal teria. E desde então diz a lenda que o Bicho de Pedra Azul sai do caixão para assustar as pessoas e arrancar a cabeças de cachorros rua afora, para tentar se livrar um pouco da raiva que passa. [3]
Em outra explicação é para a transformação de Joaquim Antunes em monstro foi que ele foi enterrado no pequeno cemitério de Catingas, que ficava na praça principal do povoado, e foi objeto de disputas políticas que determinaram seu deslocamento, já em 1919, para local mais afastado. Seus restos foram então transferidos para a nova sepultura, que misteriosamente rachou. Além disso, apareceram pelos de animal entre as fendas. A sepultura foi reparada, mas as rachaduras voltaram a surgir mais de uma vez, também misteriosamente. Na mesma época, na Fazenda Gameleira, onde Joaquim vivera, sumiu uma banda de porco. Estava criada a lenda

Boitatá

Boitatá


Boitatá capturando o caçador
Boitatá é um termo tupi-guarani, usado para designar, em todo o Brasil, o fenômeno do fogo-fátuo, e deste derivando algumas entidades míticas,[1] das primeiras registradas no país

Etimologia e variantes nominais[editar | editar código-fonte]

O termo mais difundido é boitatá. O termo é a junção das palavras tupis boi e tatá, significando cobra e fogo, respectivamente, ou ainda de mboi — a coisa ou o agente. Significa, assim, cobra de fogo, fogo da cobra, em forma de cobra ou coisa de fogo.[2]
Sobre a etimologia, escreveu Couto de Magalhães que "como a palavra o diz, boitatá é cobra-de-fogo'" (in: O Selvagem, Rio de Janeiro, 1876[2]).
No Sul, é chamado de baitatá ou batatá e até mesmo de boitatá. Na Bahia, aparece como biatatá. Em Minas Gerais chamam-no de bata. No Nordeste, é comum o termo batatão. Nos estados de Sergipe e Alagoas, recebem os nomes de Jean de la foice ou Jean Delafosse.[2]

Primeiros registros[editar | editar código-fonte]

Em 1560 registrou o Padre José de Anchieta:
"Há também outros (fantasmas), máxime nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá, que quer dizer cousa de fogo, o que é o mesmo como se se dissesse o que é todo de fogo. Não se vê outra cousa senão um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os, como os curupiras; o que seja isto, ainda não se sabe com certeza." (in: Cartas, Informações, Framentos Históricos, etc. do Padre José de Anchieta, Rio de Janeiro, 1933[2])
No folclore brasileiro, o Boitatá é uma gigantesca cobra-de-fogo que protege os campos contra aqueles que o incendeiam. Vive nas águas e pode se transformar também numa tora em brasa, queimando aqueles que põem fogo nas matas e florestas.
A origem deste mito está ligada a um fenômeno chamado fogo-fátuo. A decomposição de matéria orgânica, seja de vegetação ou animais mortos, libera gases que inflamam-se espontaneamente em contato com ar. Correntes de ar causadas pela passagem de uma pessoa nas proximidades podem deslocar as chamas fazendo com que pareçam uma cobra de fogo que a persegue.
Na obra Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto, há um conto com esse nome que descreve bem a lenda. A ideia era de uma luz que se movimentava no espaço, daí "veio a imagem da marcha ondulada da serpente". Foi essa imagem que se consagrou na imaginação popular. Descreve-se o Boitatá como uma serpente com olhos como dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas, nas beiras dos rios. Em Santa Catarina, a figura aparece como um touro de "pata como a dos gigantes e com um enorme olho bem no meio da testa, a brilhar que nem um tição de fogo".
No Rio Grande do Sul, narra-se a lenda de que houve um período de noite sem fim nas matas. Além da escuridão, houve uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado a fim de se protegerem. A boiguaçu, uma cobra que vivia numa gruta escura, acordou com a inundação e, faminta, decidiu sair em busca de alimento, com a vantagem de ser o único bicho acostumado a enxergar na escuridão. Decidiu comer a parte que mais lhe apetecia: os olhos dos animais. De tanto comê-los, foi ficando toda luminosa, cheia de luz de todos esses olhos. Seu corpo transformou-se em ajuntadas pupilas rutilantes, bola de chamas, clarão vivo, boitatá, cobra de fogo. Ao mesmo tempo a alimentação farta deixou a boiguaçu muito fraca. Ela morreu e reapareceu nas matas serpenteando luminosa. Quem encontra esse ser fantástico nas campinas pode ficar cego, morrer e até enlouquecer. Assim, para evitar o desastre, os homens acreditam que têm que ficar parados, sem respirar, e de olhos bem fechados. A tentativa de escapar da cobra apresenta riscos porque o ente pode imaginar fuga de alguém que ateou fogo nas matas. No Rio Grande do Sul, acredita-se que o "boitatá" é o protetor das matas e das campinas. A verdade é que a ideia de uma cobra luminosa, protetora de campinas e dos campos aparece freqüentemente na literatura, sobretudo nas narrativas do Rio Grande do Sul.
Ainda hoje, essa lenda folclórica impressiona adultos e crianças, sendo citada, inclusive, como personagem de destaque em várias obras contemporâneas como, por exemplo, “Quem tem medo do Boitatá?”[3], de Manuel Filho, lançada em 2007. Nesta história infanto-juvenil, o avô do protagonista, Sandrinho, é cego pelo próprio Boitatá. A serpente também é relembrada na história de José Santos, “O casamento do Boitatá com a Mula-sem-cabeça”,[4] onde o autor descreve de forma lúdica a união de vários seres de nosso folclore. O mito, em sua versão sincrética, aparece ainda no livro "A lenda do Batatão"[5], de Marco Haurélio, escrito em sextilhas de cordel. O Batatão, embora conserve sua característica ígnea, se aproxima das almas penadas. Nas referidas obras, assim como em muitas outras, o ser fantástico é citado como “o Boitatá”, mas é possível encontrar citações como “a Boitatá” tal como ocorre na obra recente de Alexandra Pericão, "Uaná, um curumim entre muitas lendas",[6] em que a serpente, também comedora de olhos, é descrita de um jeito bem contemporâneo, com citações divertidas, como “Mas ninguém, até hoje, e isso é o mais espantoso de tudo, conseguiu colocar uma foto sua na internet. Apesar do tamanho gigante, a serpente é tão discreta, que só conseguem vê-la aqueles que ela mesmo captura”. Também João Simões Lopes Neto, em obra supramencionada, refere-se ao ser no feminino, valendo citar o trecho: “Foi assim e foi por isso que os homens, quando pela primeira vez viram a boiguaçu tão demudada, não a conheceram mais. Não conheceram e julgando que era outra, muito outra, chamam-na desde então, de boitatá, cobra do fogo, boitatá, a boitatá!”.

Referências

  1. ↑ FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Dicionário Aurélio
  2. ↑ Ir para:a b c d e CASCUDO, Câmara, Dicionário do Folclore Brasileiro
  3. ↑ Filho, Manuel. Quem tem medo do Boitatá?. Editora Escala, 2007, 1ª ed.
  4. ↑ Santos, José. O casamento do Boitatá com a Mula-sem-cabeça. Companhia Editora Nacional, 2007, 1ª ed.
  5. ↑ Haurélio, Marco. A lenda do Batatão. SESI-SP Editora, 2012, 1ª ed.
  6. ↑ Pericão, Alexandra. Uaná, um curumim entre muitas lendas. Editora do Brasil, 2011, 1ª ed.

Encantado (entidade)

Encantado (entidade)

Encantado é uma figura do folclore Brasileiro com origem principalmente indígena, um tipo de entidade sobrenatural. Há multiplicidade de crenças a respeito dos encantados, variando entre criaturas que vêm de um reino paradisíaco subaquático, podendo se referir a seres espirituais, tais como os antepassados, até mesmo a cobras encantadas. Também são associados ao mito do boto que se transforma em ser humano para atrair mulheres.
Embora a crença em si está começando a minguar[carece de fontes], ainda há abundância de sul-americanos que acreditam em sua existência ardentemente, e afirmam ter visto e interagiram com eles. Os encantados podem também ser considerados análogos às fadas do folclore europeu.
De acordo com a mitologia Kalankó, os encantados seriam ancestrais que após morrerem, tornaram-se parte da natureza.[1]
Encantado também pode se referir a entidades de religiões de matriz africana da região amazônica ou nordestina, como o tambor de mina, terecô, babaçuê, pajelança, jurema e catimbó, vivendo em um mundo ou reino especial, a encantaria.

Festa de Iaci ou 'Festa da Lua'

Festa de Iaci ou 'Festa da Lua'

A Lenda Sagrada de Izi diz que era punido com morte toda mulher que tocasse num armamento de guerra ou caça, ou instrumentos utilizados em festas secretas. Essa opressão gera um misto de curiosidade e indignação pelo sexo feminino. Creditando às índias uma audácia crescente do proibido algumas se rebelam, tomam o arco e a flecha para si, com as lanças matam seus filhos varões, com facas cortam seus cabelos e lançam os fios ao chão, e partem enfim abandonando seus afazeres domésticos. Depois de muito andar, atravessar precipícios, vencer rios e cortar a floresta densa encontram um recanto do éden onde múltiplas orquídeas desabrocham celebrando sua chegada. Ali creem ter sido a morada de Iaci, Mãe dos Lagos e Enfermeira dos Corações Doentes. Nomeiam o local de Iaci-Taperê(Serra da Lua) e lá construiram seu reino, autointitulando-se Icamiabas. Abaixo da Serra há um lago que batizam Iaci-Uaru (Espelho da Lua).

O Encontro[editar | editar código-fonte]

Ao Retornar da caça, os índios caçadores encontram suas casas como descrito acima e assim sentem grande pesar, surpresa e arrependimento. Partem então desesperados a procura das fugitivas de sua tribo. Igualmente às mulheres, passam por grandes desafios, barreiras, encostas, rios e perigos até chegarem a Iaci-Taperê. São recebidos com grande hostilidade e violência pelas mulheres que os expulsam. Sem ter para onde ir permanecem às margens do Iaci-Uaru, até que a grande Iaci surge com toda sua glória no céu. É quando as mulheres decidem dar uma chance aos homens, desde que passem pela Jornada Expiatória.

Jornada Expiatória[editar | editar código-fonte]

Antes das tais festas do Amor, havia a jornada expiatória ao lago do Espelho da Lua, tão belo quanto misterioso e oculto da profanação dos homens. Reunidas em torno do Lago Sagrado, as Icamiabas, nas noites certas de fases lunares, provavelmente na Lua Cheia ou Quarto Crescente celebravam a festa do Iaci, a Lua, a mão querida e temerosa das filhas selvagens e à "Mãe do Muiraquitã", que habitava o fundo da referida lagoa. Subiam então, aos céus, no meio da imensidade do sertão amazônico, através dos cantos, que nenhum homem pode ouvir, nem jamais ouvirá.
O óleo balsâmico do umiri e fina essência do molongó alcançavam os ares como uma oblação aromal à deusa das noites serenas, que tece cuidadosamente com seus raios de prata os filtros misteriosos os invisíveis amores e as germinações.
Maceradas de longas vigílias e de flagelações, as filhas de Iaci, caíam em êxtase antes de obter a purificação suprema das águas cristalinas do Espelho da Lua, em cujo fundo se visualizava as pedras verdes.

Muiraquitã[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Muiraquitã
Quando, as horas mortas, a face da lua refletia bem clara na superfície polida do seu líquido Espelho, então as amazonas mergulhavam nas águas e recebiam das mãos da Mãe dos Muiraquitãs as pedras verdes, como penhor da sua consagração, o presente dessas jóias sagradas. Antes de expostas ao ar e à luz do sol, dos quais recebiam a sua dureza e consistência, eram os muiraquitãs como barro e assim tomavam do capricho das amazonas que afeiçoavam à sua guisa, as mais bizarras formas: qual de uma flor, uma rã ou ainda a cabeça de uma fera.[2]

Fim da Festa[editar | editar código-fonte]

Ao fim das festa as Icamiabas junto de seus pretendentes dirigiam-se às suas tendas para aliviar o fogo que os queimavam por um ano, no dia seguinte os índios eram novamente expulsos. Aquelas que geravam índias mantinham suas crias até se tornarem novas Icamiabas, porém as que pariam varões entregavam-os aos cuidados dos homens para que se tornasse um caçador guerreiro porém longe dos braços de Iaci.

Menino da Tábua

Menino da Tábua


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Antônio Marcelino (Cândido Mota -SP, 1900 - Maracaí - SP, 31 de agosto de 1945), conhecido como o Menino da Tábua, é uma personalidade religiosa de devoção popular brasileira, cultuada informalmente pela realização de supostos milagres.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Marcelino, segundo os relatos, foi um bebê prematuro, tendo nascido de sete meses[2].
Vítima de uma doença que o impedia de andar e restringia seu crescimento, passou a maior parte da sua vida deitado sobre uma tábua de lavar roupa. Para se alimentar consumia apenas leite e água, não gostava de usar roupas e não deixava que forrassem sua tábua. Também se diz que nunca saía de casa e jamais viu a luz do sol.
Morreu no ano de 1945 e foi enterrado junto com sua tábua.

Devoção popular[editar | editar código-fonte]

Logo depois da morte de Marcelino, seu túmulo se tornou o destino de romeiros, que vinham pedir sua ajuda. Uma capela foi construída ao lado para abrigar devotos e agradecimentos pelos milagres a ele atribuídos. Foi instituída uma festa anual em sua homenagem[3].
Em 2011 a comemoração atraiu milhares de fieis. No mesmo ano, o deputado estadual Mauro Bragato (PSDB) apresentou projeto de lei declarando a cidade de Maracaí uma Estância Turística Religiosa e inclui a festa no calendário turístico de São Paulo[4].
Embora tenha morrido aos 45 anos de idade, a imagem venerada pelos romeiros é a de uma criança.

Música[editar | editar código-fonte]

Parte da popularidade alcançada pelo culto se deve às canções gravadas pela dupla sertaneja Pardinho & Pardal.
Em 1978, eles gravaram Menino de Tábua. O sucesso levou à continuação Os milagres do Menino da Tábua, em 1981, com a participação de Pardinho e Pardal
. A trilogia se encerrou com Capela do Menino de Tábua[5].

Referências

  1. ↑ Os santos de casa que fazem milagres Arquivado em 21 de novembro de 2015, no Wayback Machine.. Portal Ciência & Vida
  2. ↑ Menino da Tábua. Prefeitura Municipal de Maracaí
  3. ↑ Maracaí organiza festa do Menino da Tábua Arquivado em 12 de fevereiro de 2012, no Wayback Machine.. Viacult
  4. ↑ Milhares de pessoas visitam o túmulo do Menino da Tábua em 31 de agosto de 2010 Arquivado em 3 de março de 2016, no Wayback Machine.. Folha da Estância, 27 de agosto de 2011
  5. ↑ Biografia de Pardinho e Pardal. Letras.com.br

Nhanderuvuçú (também grafado Nhamandú, Yamandú ou Nhandejara) considerado o deus supremo na mitologia tupi-guarani.

Nhanderuvuçú (também grafado Nhamandú, Yamandú ou Nhandejara) considerado o deus supremo na mitologia tupi-guarani.

Na mitologia grega é equivalente à Caos, ou ao Deus abraâmico YHWH. Nhanderuvuçú não tem a chamada forma antropomórfica, é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçú existe mesmo antes de existir o Universo.[1]
No princípio ele destruiu tudo que existia e depois criou a alma, que na língua tupi-guarani diz-se "Anhang" ou "añã" a alma; "gwea" significa velho(a); portanto anhangüera "añã'gwea" significa alma antiga.[2] Nhanderuvuçú criou as duas almas e, das duas almas (+) e (-) surgiu "anhandeci" a matéria.
Depois ele disse para haver lagos, neblina, cerração e rios. Para proteger tudo isso, ele criou Iara. Depois de Iara, Nhanderuvuçú criou Tupã que é quem controla o clima, o tempo e o vento, Tupã manifesta-se com os raios, trovões, relâmpagos, ventos e tempestades, é Tupã quem empurra as nuvens pelo céu.
Nhanderuvuçú criou também Caaporã o protetor das matas e de todos os seres vivos.

Referências

  1. ↑ CLAUDIO ALMIR DALBOSCO, ELDON HENRIQUE MUHL, EDISON A. CASAGRANDA (2008). Filosofia E Pedagogia, Aspectos Históricos e Temáticos. [S.l.]: Autores Associados. 297 páginas. 978-85-7496-212-2
  2. ↑ OLIVEIRA, Josaphat Pinto (2003). Evangelho e diálogo inter-religioso. [S.l.]: Loyola. 136 páginas. 85-15-12715-1