sábado, 9 de maio de 2020

São raros os médiuns que aguentam a força do seu Tata caveira,por ele ser um exu muito velho que viveu a muito tempo atrás ainda vem curvado,bravo é de poucas palavras e o seu modo de agir é de um autêntico caveira.
Mais com o tempo e com o médium sabendo a doutrinar tudo evolui !!
Em seus pontos riscados geralmente usa vela preta e branca,ou preta e vermelha.
Sua guia é de cor preta,gosta de marafos fortes e de charutos bons(algumas falanges fumam o charuto do lado ao contrário).
É bem conhecido na umbanda e tbm na quimbanda, é um exu de lei !!
Mais não se assuste com esse Exu, sortudos são os que carregam ele na coroa filho do tata caveira não passa necessidade,não passa aperto e sempre ligado a tudo e a todos,sabem quem é falso só por um olhar.
Laroye compadre !💀💀
Autoria : Pablo Campos/povo da calunga.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

ORIXÁ DE FRENTE: QUAL A SUA FUNÇÃO NA MINHA VIDA?

ORIXÁ DE FRENTE: QUAL A SUA FUNÇÃO NA MINHA VIDA?

Os orixás são seres, entidades de luz, que sempre nos rodeiam e fazem parte da nossa existência, tanto a humanada, quanto a espiritual. Todos nós, sem distinção de gênero, etnia ou classe social, somos filhos de orixás. Temos nossos guias e características marcantes destas entidades.
ORIXÁ DE FRENTE, ORIXÁ ADJUNTO E ORIXÁ ANCESTRAL
Antes de entendermos mais um pouco sobre a importância e funções do Orixá de Frente, é de extrema importância que saibamos diferenciar os três principais Orixás guias. Nunca podemos nos esquecer, também, que existem milhares de outros orixás muito importantes.
O Orixá de Frente é aquele que atua sobre a nossa forma de pensar, em nosso raciocínio, ou seja, no lado racional de nossa mente. Ele está à frente de nossa cabeça e é o grande responsável por nossa vida nesta encarnação.
O Orixá Adjunto está na região complementar do Orixá de Frente e, junto com este, auxilia a nossa vida no campo emocional. Quando a nossa mente não consegue raciocinar mais sobre questões complexas ou que a situação demanda uma força irracional, é justamente o Adjunto, também conhecido como Juntó, que entra em ação. No campo dos sentimentos e das emoções.
E, por fim, temos o Orixá Ancestral. Este é aquele dificilmente encontrado e que raramente aparece em jogos de búzios. Para descobri-lo devemos proceder a uma investigação extremamente minuciosa e espiritual. É o Ancestral que irá guiar a nossa natureza enquanto procedentes de um espírito. É ele que resguarda os pensamentos e o íntimo humano.
ORIXÁ DE FRENTE: IMPORTÂNCIA E FUNÇÕES
Além de ser o principal, que mais nos mostra ao mundo como realmente somos, o Orixá de Frente forma, junto com o Ancestral, a representação do masculino e do feminino.
O de Frente é aquele que guiará os seus passos na sua encarnação atual e moldará a sua mente para as questões racionais, a maior parte de nossos pensamentos. Quando pensamos em fazer alguma coisa ou tentamos tomar a melhor decisão, é o Orixá de Frente que está agindo em nossa mente.
Além de desenvolver o nosso chakra frontal e evoluir os intermédios do pensamento, o Orixá de Frente se molda ao Adjunto para a evolução e, por que não criação, de nossa personalidade.

ACAÇÁ

ACAÇÁ

O acaçá é um alimento que desperta muita curiosidade e interesse para as pessoas que procuram o conhecimento dos fundamentos dos orixás.
É um alimento cheio de mistérios como todas as comidas de santo, mas trás em si um dos simbolismo mais profundo para a religião dos orixás.
Alimento que nunca pode faltar em fundamentos que exige sacralização animal.
É símbolo de individualização e coletividade, dentre suas múltiplas funções.
Para entendermos melhor seu fundamento, precisamos rever algumas coisas, que envolvem; Exu (Pambonijila), Nanã(Zumba) e Oxalá (Lembaranganga), que são a base da existência individualizada, e principio dinâmico da vida material.
O acaçá representa uma vida, tanto material quanto espiritual.
Para se fazer esse alimento é necessário a farinha de acaçá(canjica branca moída ou triturada), água, fogo e folha de bananeira devidamente preparada(passada no fogo para amolecer e ficar mais fácil para manuseio) eu chamo esse ato de quebra de quizila da folha de bananeira, afinal a bananeira é uma planta onde muitas entidades gostam de habitar e nem sempre são entidades positivas,a folha pode estar com alguma energia negativa, e sendo assim passada no fogo queimará essas possíveis energias e a tornará própria para a utilização.
A folha de bananeira envolta em uma porção da massa do acaçá, representa o corpo, a sua cor verde(sangue preto vegetal).
A porção da massa dentro da folha, representa a vida do corpo a força ancestral divinizada e individualizada ou se queiram parte de Olorum o ser supremo o sopro da vida.
O acaçá branco é sangue branco vegetal, é ofertado a todas os orixás femininos, a Oxalá, aos ancestrais, a Ori e a todas as Entidades e Divindades que exigem em seus fundamentos o Branco.
O acaçá vermelho, preparado com a farinha de milho vermelho ou o fubá acrescido ou não de sal grosso e dendê, tem os mesmos preceitos e fundamentos do acaçá branco, representa o axé ancestral feminino
Esse acaçá é oferta para todos os Orixás masculinos, embora hoje em dia se usa mais o acaçá branco pra todos os orixás, e reservam esse somente para Exu.
As cores e formas fazem parte do simbolismo dos fundamentos dos Orixás.
O acaçá branco geralmente é enrolado na folha de bananeira para dar o formato de uma pirâmide, com base quadrada ou retangular, simbolizando os pontos cardeais, norte/sul e leste/oeste, em outras palavras força de expansão tendendo para cima, para o alto como símbolo de elevação e crescimento.
Se modelado bem, podemos ver que são quatro triângulos que formam uma pirâmide, que voltado para cima é símbolo do masculino.
O acaçá vermelho também enrolado em folha de bananeira, em forma de uma pirâmide truncada sem ponta. É axé feminino que seu formato lembra uma vulva(mapôa).
As diferenças entre esses alimentos(acaçás) já não são mais observadas com frequência, mas deveriam ser, porque, fazem parte do rico simbolismo que esta presente e todos os fundamentos dos Santos e que deveriam ser observados.

XAXARÁ SIMBOLOGIA

XAXARÁ SIMBOLOGIA

O candomblé é uma Religião rica em simbologia, as danças, os gestos, movimentos corporais, um conjunto de coisas que servem para traduzir o que é a Divindade e os mistérios que a envolvem, a quais elementos da natureza pertence e uma serie de outros fundamentos.
Aqui quero falar sobre o Imbele/Xaxará uma simbologia que faz parte da Divindade Kavungo/Omolu/Obaluayê.
Para falar desse símbolo, o Imbele/Xaxará, precisamos entender cada peça que compõe o seu corpo.
O Imbele/Xaxará é confeccionado a base de nervuras das folhas do dendezeiro, envolvido em uma espécie de rede feita com palha da costa, búzios e miçangas.
Imbele/Xaxará, é o cetro símbolo desta Divindade, muitos o tem como uma vassourinha de Omolu, que serve para varrer as mazelas das pessoas, afastar doenças e também um instrumento de cura, mas o significado desta " ferramenta " vai muito além.
Como símbolo de representação dos antepassados este cetro carrega em si a mais complexa simbologia. Cada uma das nervuras das folhas do dendezeiro representa a estrutura óssea da folha seca utilizada para confeccioná-lo. Folha seca, e como sabemos as folhas ditas mortas ainda guardam em si suas características de cura como as folhas secas que preparamos chás.
Se observarmos uma folha qualquer, podemos ver que aqueles veios que cada folha possui são como os ossos/estrutura que recheados de vida sustentam o corpo das folhas.
Assim são as nervuras/ossos das folhas da palmeira que unidas uma a outra dão suporte a magia e poder que envolve o cetro Imbele/Xaxará, ou seja a reunião de todos os antepassados simbolizados nessas nervuras das folhas, que sustentam o poder desta Divindade.
Contam-se que quando alguém é tocado por este cetro, pode lhe ser infligida tanto a vida quanto a morte. É uma forma de salvar uma pessoa de uma doença grave ou lhe proporcionar a morte, livrando-o de seu sofrimento.
Todas esta nervuras das folhas formando um feixe são envolvidas em uma espécie de rede fina confeccionada com palha da costa, e as vezes também pedaço de couro de boi ou cabrito que simboliza a pele.
Esta especie de rede de palha é bordada com búzios em quantidades variadas, búzios estes que simbolizam ossos/antepassados. Cada losangolo que compõe a rede de palha simboliza expansão e crescimento do axé dos antepassados.
Miçangas de louça ou de cerâmica nas cores desta Divindade compõem a parte estética do cetro dando simbologia ao sangue preto, vermelho e branco sendo cerâmica ou louça sangue mineral masculino, feminino e descendência individualizada representada na cor preta.
E finalizando a composição do Cetro duas pequenas cabaças também enfeitada com pequenos búzios e miçangas, contendo em seu interior elementos como pós de; ervas, de búzios, obi/makaso e orobô/orolê, pembas, elementos dos reinos animal, vegetal e mineral e uma infinidade de outras coisas que dão poder de transformação de vida para morte e vice versa, de acordo com o axé/nguzu de cada caminho/hamba da divindade que o porta.
O Imbele/Xaxará é simbolo de vida e morte. Como símbolo de vida, pode restaurar nossa saúde e nos manter de pé e ainda traduz que mesmo quando perdemos o nosso corpo ou seja morremos nosso axé ainda vive como antepassado.
E como símbolo de morte/restituição nos dá a certeza que não estaremos só, pois esta Divindade nos mostra que somos parte de um todo e que só temos existência por causa deste todo/nossos antepassados que, sem Eles nem existiríamos.

O POVO DO ORIENTE: CIGANOS NA UMBANDA

O POVO DO ORIENTE: CIGANOS NA UMBANDA

Muito se ouve falar que a Linha de Cigano faz parte da Linha de Exú, que os Ciganos são entidades ainda em evolução tentando ingressar na Linha de Exú, que Pombo Gira Cigana ou Ciganinha foram as únicas Entidades Ciganas que evoluíram e ingressaram na Linha de Exú.
Essa falta de entendimento, que é na realidade uma simples dedução, faz com que muitos terreiros não deixem os médiuns trabalharem com essa linha. Chegam a dizer que são entidades sem luz.
Como é a Linha de Ciganos?
Os Ciganos são Entidades "livres". Não se faz "Firmezas" ou "Assentamentos" para Ciganos dentro da "Casa de Exú" ou em qualquer lugar do terreiro.
Cigano trabalha em todos os "lugares", são livres e precisam dessa liberdade para sua evolução.
Não estou dizendo que não possa ter elementos de Ciganos dentro do Terreiro, até porque muitos médiuns precisam de um ponto de fixação para poder entrar em sintonia com seus guias.
Os Ciganos não trabalham a serviço de um Orixá específico, por isso não são guardiões de um terreiro. Essa linha trabalha em paralelo e conjugada com as demais linhas, onde o seu compromisso primeiro é com a caridade e não com nenhuma outra linha específica.
Os Ciganos são protetores e não guardiões. Podem trabalhar dentro da linha de Exú, porém sem função de chefia e de guarda. Já os Exús Ciganos e Pombo Giras Ciganas são Exús e Pombo Giras como outros quaisquer, exercendo todas as funções que qualquer Exú e Pombo Gira exercem. Em resumo: Cigano é uma coisa, Exú Cigano é outra. Eles têm funções diferentes, embora a mesma origem cigana.
Os Ciganos se manifestam nos terreiros de Umbanda, justamente por “Ela” ser uma religião aberta e dar liberdade para qualquer linha de trabalho que venha fazer Caridade.
Por serem muito alegres, os médiuns começam se fascinar por essas entidades, e ter excesso de culto por essa Linha. Aí começaram as vaidades, as roupas enfeitadas, bebidas, fumos, danças, firmezas, assentamentos, jogos em casa ou até mesmo no terreiro, e assim, infelizmente, muitos espíritos que ainda estavam em "desenvolvimento" para ingressar nessa Linha se perderam junto com os médiuns, e hoje podemos ver os absurdos que são feitos usando o nome de entidades de luz.
Os Ciganos trabalham com os quatro elementos da natureza: terra, água, ar e fogo.
O Elemento Terra:
Eles distinguem cada pedra e têm o conhecimento sobre elas, e assim manipulam o elemento terra.
Cada pedra tem um porque de ser usada e uma necessidade. Quando é pedido para que passem a pedra em alguma parte do seu corpo ou para que a segurem, vocês estão se descarregando ou até mesmo se energizando, depende do trabalho que está sendo realizado.
É na terra que se encontra firmeza para enfrentar a vida, resgatar karma e continuar o caminhar.
O Elemento Água:
Podem utilizar copos ou taças com água. Através da água conseguem ver se não há maldade no que esta sendo pedido. Enxergam se há pureza no coração de cada um, pois a água serve de espelho, espelho esse que reflete o que tem dentro de cada um de vocês.
Conseguem ver com clareza o que foi feito por cada um e o porquê de estarem colhendo o que não querem colher.
Os Elementos Ar e Fogo:
Podem utilizar o cigarro e com ele estar manipulando dois elementos, o ar e o fogo. O fogo muitas vezes é usado para queimar invejas, miasmas, larvas e cascões astrais.
A fumaça quando é direcionada ao consulente serve para envolvê-lo numa cortina para que naquele momento os obsessores sejam confundidos e tenham a visão obnubilada e fiquem desorientados, procurando o consulente. Assim torna-se mais fácil ao sistema de defesa da Casa (através dos guardiões) resgatá-los e afastá-los.
Nem sempre esses elementos são usados de uma só vez, e quero deixar bem claro que não precisamos diretamente dos mesmos, podemos plasmá-los perfeitamente usando o ectoplasma do médium.
Para um Cigano poder trabalhar em prol da caridade não é necessário um baralho, uma taça de vinho, ou qualquer outro elemento. Isso é mito. Eles podem usar e usam elementos da natureza em alguns trabalhos, entretanto, quando estão incorporados nos médiuns, a energia de trabalho e o próprio corpo do médium limitam a visão e o campo de ação da entidade.
Como são e como trabalham
Os Ciganos se manifestam na Umbanda como uma Linha voltada bastante para a magia visando a prosperidade, a união familiar, o amor, a cura e a superação de preconceitos e de bloqueios emocionais.
Os Espíritos Ciganos são também, uma linha de trabalhos espirituais que busca seu espaço próprio, pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente com "encantadas".
São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda. Erroneamente no começo eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exús, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exús e Pombas-Gira.
Ciganos na Umbanda são espíritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano. Os ciganos em geral têm seus rituais específicos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais.
Dentro da Umbanda, trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espirituais, os ciganos trabalham para a cura de doenças espirituais.
Os ciganos, dentro da ritualística umbandista, falam a língua "portunhol", alguns poucos, falam o romanês, língua original dos ciganos.
As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú.
Hoje, o culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos.
Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; se apresentam também em rituais do tipo mesa branca, Kardecistas e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza.
Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam.
São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego às coisas materiais.
Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual.
São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.
Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita, pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda, são elas que se incumbem de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem.
Santa Sarah Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual (PADROEIRA DO POVO CIGANO) e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.
“É preciso que tudo na vida esteja bem equilibrado, e o equilíbrio, para nós que praticamos, tem um nome que se chama Umbanda.
Umbanda é a paz interior, é fazer caridade ao desconhecido, é o amor pela vida e pelo o próximo.
Umbanda é luz, vida e amor”.
Saravá o Povo do Oriente!
Salve os Ciganos!
Arribabô, Arriba!
Saravá a Umbanda!
Axé...

segunda-feira, 20 de abril de 2020

OS FALANGEIROS DE DEMANDA OU DE QUIMBANDA

A Umbanda é o “conjunto das Leis Divinas”; conjunto esse que, como tudo originado do Criador, se irradia por todo o Cosmos através da expansão dos Sete Raios Divinos, e que pode ser representado pelo próprio símbolo da CENTELHA, onde os raios coloridos representam a Luz de Deus em ação, irradiando-se sobre a escuridão, infinita e constantemente, de forma semelhante ao próprio movimento cósmico de expansão do Universo. A partir do Logos Divino (triângulo branco), os raios luminosos avançam sobre o espaço exterior preenchido pelo negro, que representa a ausência de luz e simboliza os locais onde há consciências resistentes à Luz Divina, que não a desejam ou que não a compreendem, seja no Mundo Material ou no Mundo Espiritual. É óbvio que essa é apenas uma representação simplória da atuação da Luz sobre as Trevas, pois a Luz de Deus já está - e sempre esteve - presente em todos os lugares devido à sua onipresença; mas a representação gráfica nos facilita o entendimento da atuação dos Orixás e de seus falangeiros, agindo para fazer cumprir o conjunto das Leis do Criador.
Nessa representação, há quatro zonas distintas que merecem destaque. A primeira é o próprio triângulo branco. Ele representa Deus, de onde tudo parte; a origem de todas as coisas. A segunda corresponde aos Raios Divinos. Eles são as emanações da mente de Deus, em constante expansão e ação criadora. Dentro de cada raio há potencialidades, Orixás e vibrações irradiadas do Criador em profusão e em expansão. É a própria Lei Divina em ação! A terceira zona é a exterior aos Raios Divinos, onde sua luminosidade ainda não alcançou. Essa zona é representada pela cor preta, pois o negro é a ausência de luz, e simboliza os locais onde há resistência à aceitação da Luz Divina ou das Leis de Deus, que são carregadas dentro de cada um de seus raios de luz. Essa região representa as localidades no mundo material ou espiritual povoadas por espíritos sombrios e negativos, por exemplo. E há, por fim, a quarta zona, que compreende a tênue região fronteiriça entre a luz irradiada através de cada raio e a escuridão externa à Luz Divina. Essa pequena faixa é justamente aquela zona situada na extremidade de cada raio, na sua porção que invade a escuridão para que a luz possa se fazer presente; é a zona de combate entre luz e trevas; representa o esforço da Luz e das Leis Divinas conduzidas pelos Sete Raios para entrar onde há sombras, dissipando a escuridão e a ignorância. É nessa zona que são encontradas as vibrações divinas de EXU, aquele que vai na frente, o que dá o primeiro passo, o que rompe barreiras e o que aniquila as trevas portando a luz e o amor de Deus! Por ser a zona onde a Luz avança sobre as Trevas, chamamos os falangeiros que ali atuam de “Falangeiros de Demanda”, em alusão ao constante combate que realizam para levar as Leis Divinas onde ainda não é aceita, ou de “Falangeiros de Quimbanda”, em referência ao sentido dessa palavra que, em banto, significa “curador” e, portanto, retrata o trabalho final desses espíritos, curando as chagas morais e conscienciais dos que ainda relutam contra a Luz.
Nessa zona fronteiriça, ao redor de todos os Sete Raios, há portanto a vibração do Orixá Exu e a presença de espíritos de alto nível consciencial - seus falangeiros - que o representam na luta contra o mal, a ignorância e as trevas, buscando levar a luz onde há escuridão. No entanto, como cada um dos sete raios transporta vibrações divinas distintas e forças diferentes, exige-se desses falangeiros a especialização no controle e manuseio de energias diversas, para que possam fazer expandir as potencialidades presentes em cada raio. O raio vermelho, por exemplo, carrega consigo a potencialidade divina de FORÇA; o raio amarelo de CONSCIÊNCIA. A primeira é uma potência diretamente combativa, agressiva, impositiva; a outra é uma potência cuja ação é puramente mental e, portanto, mais relacionada à mentalização e à magia. Sendo assim, para expandir os raios vermelho e amarelo, levando as potencialidades divinas de cada um deles aonde há sombras, o conhecimento e a especialidade dos falangeiros de Exu que atuam em suas zonas fronteiriças com o negro devem ser diferentes. Por isso, embora haja a vibração de Exu ao redor de todo o limite dos raios divinos, essa vibração se expressa de maneira distinta nas zonas limítrofes de cada raio, pois também mantém relação com as características próprias de cada faixa de luz.
O falangeiro, portanto, que trabalha nessa zona limítrofe de qualquer um dos raios com o negro, além de possuir familiaridade com a vibração divina Exu – o Orixá regente dessa região -, deve também conhecer as vibrações intrínsecas ao raio em que trabalha. Por este motivo, algumas vezes – e em alguns terreiros - são considerados “falangeiros de Exu”, e são tratados como “Exus e Pombagiras”; e, em outras ocasiões, são vistos como integrantes de falanges de trabalho subordinadas a um determinado Orixá. Essa é a causa da secular discussão se o Povo Cigano é Exu ou falangeiro do Oriente, e se os Marinheiros são Exus ou uma falange de trabalho de Iemanjá. Se fôssemos considerar a teoria das Sete Linhas de Umbanda, onde cada espírito é colocado dentro de uma linha e não pode ser entendido de outra forma, realmente, essa duplicidade vibratória ficaria difícil de ser entendida, porque o Marinheiro só poderia ser uma coisa ou outra: ou Exu, ou integrante de falange de trabalho de Iemanjá. Mas, com o conceito dos Sete Raios Divinos, fica muito mais fácil visualizar que, por esses espíritos atuarem em uma zona transitória, podem ser considerados tanto como falangeiros de Exus – e serem tratados como Exus -, quanto como integrantes de “Falanges de Demanda” de cada um dos raios, sendo subordinados aos Orixás regentes daquele raio e podendo atuar de uma ou de outra forma, a depender apenas das vibrações que estiverem manuseando no momento.
Para ficar ainda mais claro, vamos apresentar os grupos de falangeiros que trabalham nas zonas limítrofes de cada raio e que, por isso, algumas vezes (ou em alguns lugares) atuam como falangeiros do Orixá Exu (sendo considerados Exus e Pombagiras) e, em outras ocasiões, como falangeiros de demanda, subordinados aos Orixás regentes de seu raio. Mas é bom relembrarmos que há diferença entre ser um “falangeiro de Exu” e ser “capangueiro” de outro Orixá! Esses espíritos, como serão descritos, são considerados, simultaneamente, FALANGEIROS de Exu e integrantes da Falange de Demanda de um Orixá, mas podem, também, ser CAPANGUEIROS (ou servidores) de qualquer outro Orixá, dependendo apenas de quem seu médium for filho.
Começando pelo raio vermelho, onde há a vibração de Ogum e de Xangô, encontramos em sua extremidade dois grandes grupos de falangeiros. A potencialidade divina com que ambos trabalham é a FORÇA, que é a potência transmitida através desse raio; mas cada um desses dois grupos tem sua própria forma de expandi-la, avançando sobre a região simbolizada pelo negro. O primeiro de que vamos falar é o grupo ligado a Xangô. Xangô é o Orixá da Justiça, e os espíritos que trabalham em sua Falange de Demanda podem ser chamados de “EXECUTORES DA LEI”, mas são também, simultaneamente, falangeiros do Orixá Exu, e correspondem a todos aqueles que, na maior parte dos terreiros são tratados somente como Exus e Pombagiras (Tranca-Ruas, Maria Padilha, Tiriri, Maria Molambo, etc). Possuem facilidade no manuseio do elemento FOGO (elemento do raio vermelho e de Xangô) e, trabalhando na sua Falange de Demanda, executam a Lei Divina pelo uso da potência FORÇA!
Mais uma vez, faço questão de lembrar: O fato de trabalhar como “Executor da Lei” e, portanto, SOB a vibração de Xangô, NÃO QUER DIZER que seja servidor de Xangô! O Exu e a Pombagira podem ser servidores (ou capangueiros) de QUALQUER Orixá, dependendo apenas de quem seu médium seja filho. Quando falamos que esses falangeiros do Orixá Exu trabalham também SOB as vibrações de Xangô, é somente porque sua falange de trabalho é quem EXECUTA a Lei Divina, compondo, por isso, a Falange de Demanda do Grande Legislador!
A segunda Falange de Demanda presente na mesma zona do raio vermelho é a ligada a Ogum. Esses espíritos também expandem a potencialidade FORÇA, mas seu papel não é o de serem “Executores da Lei Divina”, mas sim de “Condutores” da mesma; aqueles que, assim como Ogum, apontam o caminho e impulsionam à frente, ensinando, contudo, a ser maleável para desviar das adversidades sem perder o rumo, e a agir com perspicácia para identificar as melhores oportunidades de progresso. Esses espíritos compõem a “Falange dos MALANDROS”. Em muitos terreiros são considerados apenas falangeiros do Orixá Exu, sendo tratados como Exus e Pombagiras Malandros; em outros são considerados uma falange de trabalho à parte, subordinada ao Orixá Ogum. Mas, como temos explicado, tanto faz uma coisa ou outra pois, na verdade, essa falange trabalha na zona limítrofe do raio vermelho com o negro e, por isso, pode trabalhar tanto como Exu, quanto como uma Falange de Demanda ligada a Ogum, o Senhor das Estradas.
Na zona limítrofe do raio laranja com o negro há a falange de trabalho dos “BAIANOS”. São trabalhadores “quentes” como o dendê de Iansã, Orixá regente desse raio. Podem, portanto, trabalhar como falangeiros do Orixá Exu ou como integrantes da Falange de Demanda de Iansã. Como falangeiros de Exu, têm grande habilidade no desmanche de trabalhos e feitiços e, como subordinados a Iansã, sabem manipular energias repulsivas a eguns, auxiliando em processos desobsessivos e de limpeza espiritual. A potencialidade divina que conduzem é a CORAGEM (ou “ousadia”, em sua linguagem) e, embora possam atuar como Exus, tradicionalmente não costumam ser tratados assim, visto terem surgido na Umbanda já associados à uma falange independente. Mas, embora não sejam tratados como Exus, é notória sua ação “quimbandeira”, desfazendo feitiços e curando chagas espirituais.
Na zona limítrofe entre o raio amarelo, comandado pelo Povo do Oriente, e o negro, aparece uma Falange de Demanda que por muito tempo foi considerada apenas falangeira do Orixá Exu e que, de algum tempo para cá, começou a ser observada como um grupo de trabalho sob as vibrações do Oriente. Estamos falando do “POVO CIGANO”, alvo, até hoje, de grandes discussões nos meios umbandistas, se devem ser tratados como “Exus” ou não. Como todas as outras falanges situadas nas zonas limítrofes de cada raio, esses falangeiros, na verdade, podem tanto trabalhar como falangeiros do Orixá Exu, quanto como falangeiros de um grupo de trabalho subordinado ao Povo do Oriente, dependendo apenas das vibrações que estejam manipulando. Como trabalhadores ligados ao Povo do Oriente, expandem a potencialidade divina de CONSCIÊNCIA, sendo, portanto, exímios manipuladores de forças mentais e, consequentemente, de mentalizações e magias.
Na zona limítrofe do raio verde para o negro, há duas Falanges de Demanda, cujos integrantes podem ser considerados tanto falangeiros do Orixá Exu como falangeiros de um dos grupos subordinados aos Orixás regentes desse raio, Ossâin e Oxóssi. O grupo dos “CABOCLOS QUIMBANDEIROS”, também conhecido como “dos feiticeiros das florestas”, compõe a Falange de Demanda do Orixá Ossâin, expandindo a potencialidade divina do AUXÍLIO através do uso dos elementos curadores da Natureza e da ação conjunta dos elementais, auxiliando a revitalização e regeneração do corpo, mente e espírito. Já o grupo dos “BOIADEIROS”, Falange de Demanda de Oxóssi, irradia a mesma potencialidade divina do AUXÍLIO, ajudando na caminhada segura da mesma forma que o vaqueiro toca seu gado pela estrada, impedindo a perda de rumo, protegendo e diminuindo os perigos da jornada, por mais longa que seja. Nem os Caboclos Quimbandeiros e nem os Boiadeiros têm sido tratados, tradicionalmente, como Exus, mas é consenso, em grande parte dos terreiros, suas características peculiares – que muitos chamam de “traçada”; embora, até o momento, muitos não soubessem explicar a finalidade dessa duplicidade e nem como ela seria possível.
Na zona limítrofe do raio azul com o negro, há a presença da falange dos “MIRINS”, também conhecida como “Exus Mirins”, por atuarem tanto como falangeiros do Orixá Exu, quanto como integrantes de aparência infantil, da Falange de Demanda de Oxum, regente desse raio. Tais falangeiros avançam sobre a escuridão procurando estimular a pureza de sentimentos (assim como os falangeiros de Ibêji, presentes na transição desse raio para o índigo), para que possa haver a expansão da potencialidade divina do AMOR.
Na zona limítrofe do raio índigo para o negro, há a manifestação da falange dos “MARINHEIROS”. Esses espíritos, assim como os Ciganos, por muito tempo foram vistos apenas como falangeiros do Orixá Exu, sendo que, de algum tempo para cá, começaram a ser entendidos também como um grupo de trabalho ligado a Iemanjá. Como já explicado, as duas colocações estão corretas, e esses trabalhadores podem ser considerados tanto como falangeiros de Exu, sendo chamados de “Exus Marinheiros”, quanto como integrantes da Falange de Demanda de Iemanjá, a regente do raio índigo, dependendo apenas das vibrações com que estejam trabalhando. Expandem a potencialidade divina da CRIAÇÃO, removendo os obstáculos emocionais que impedem o caminhar ou, em sua linguagem, o “navegar”, para que possam ser criados novos rumos e alcançados novos horizontes.
Na zona limítrofe do raio lilás para o negro, há uma falange de trabalhadores especial. Estamos nos referindo aos PRETOS-VELHOS que, apesar de não serem considerados, tradicionalmente, falangeiros do Orixá Exu, podem trabalhar com essas vibrações, com grande facilidade, na quebra de demandas e no desmanche de trabalhos. Daí vêm as expressões muito comuns que se referem ao Preto-Velho como “quimbandeiro”, “mandingueiro” ou “mirongueiro”. Essa ligação acontece justamente porque, como qualquer outra falange de trabalho situada em zona limítrofe, os Pretos-Velhos, na verdade, também podem atuar como falangeiros do Orixá Exu ou como integrantes da Falange de Demanda subordinada a um Orixá; nesse caso a Xapanã, Orixá regente do raio lilás.
Resumindo, todas essas falanges que trabalham nas zonas limítrofes entre qualquer raio e o negro atuam tanto como falangeiros do Orixá Exu, quanto como falangeiros de uma Falange de Demanda subordinada ao Orixá regente do raio; explicando, de uma vez por todas, que aquele espírito que ali é tratado como “Pombagira Cigana”, também pode atuar sob a regência do Povo do Oriente, deixando de ser, enquanto estiver nessa vibração, a “Pombagira falangeira do Orixá Exu”, e passando a ser apenas a “Cigana nas vibrações do Oriente”, falangeira de demanda do raio amarelo. O mesmo também acontecendo com os Marinheiros, Malandros e todos os outros trabalhadores dessa zona de transição entre a Luz e as Sombras.
Aliás, por estarem situados ali, nessa faixa de transição, no “front de batalha”, são esses espíritos os primeiros a defender contra demandas, ataques espirituais e obsessões. São eles também que auxiliam na expansão do bem, desfazendo trabalhos negativos, magias e feitiços. São os soldados da Lei Divina, os que vão na frente e que batalham incansavelmente contra as trevas; são as Falanges de Demanda de cada Orixá, os seus comandados mais fiéis, que trabalham por amor às Leis de Deus, expandindo a Luz Divina por onde quer que haja Escuridão!
OBS: Para melhor entendimento desse texto, não deixe de ler os textos abaixo:
AS SETE LINHAS E OS SETE RAIOS DIVINOS
OS SETE RAIOS E SUAS VIBRAÇÕES
FALANGEIROS, CAPANGUEIROS E CATIÇOS

MÉDIUNS CONSCIENTES E SEMICONSCIENTES

O médium não é boneco vivo, insensível e de manejo mecânico, mas sim uma organização ativa com vocabulário próprio e conhecimentos pessoais adquiridos pela sua experiência e cultura humana. Além de tudo, é alma guardando em sua memória forjada nas existências pregressas a síntese dos seus esforços para a ascese espiritual. E quando se trata de médiuns conscientes ou semiconscientes, só lhes resta a tarefa de vestir e ajustar honesta e sinceramente as idéias e as frases que melhor correspondem ao pensamento que lhes é manifesto pelos espíritos desencarnados através do seu contato perispiritual. Deste modo, os comunicantes ficam circunscritos quase que totalmente à vontade e às diretrizes intelectuais e emotivas do seu intérprete encarnado, o qual fiscaliza, observa e até modifica conscientemente aquilo que foi incumbido de dizer Lembra o mensageiro terrestre que ouve o recado para transmitir verbalmente a outrem, mas na hora de cumprir sua tarefa tem de usar de suas próprias palavras para comunicá-lo. No caso, tanto o mensageiro como o médium são intérpretes do pensamento alheio e por isso influem com o seu temperamento, engenho e cultura nas mensagens que traduzem, resultando disso os textos lacônicos ou prolixos, precisos ou truncados.
Só o médium com propósitos condenáveis é que poderia ter remorsos de sua interferência anímica, pois nesse caso tratar-se-ia realmente de uma burla à conta de mediunismo. Não é passível de censura aquele que impregna as mensagens dos espíritos com forte dose de sua personalidade, mas o faz sem poder dominar o fenômeno ou mesmo distingui-lo da realidade mediúnica. É tão sutil a linha divisória entre o mundo espiritual e a matéria, que a maioria dos médiuns dificilmente logra perceber quando predomina o pensamento do desencarnado ou quando se trata de sua própria interferência anímica.
Ramatís
In Mediunismo.