sábado, 11 de janeiro de 2014

Pra Fazer a Caridade!


Uma breve lição sobre a relação
Médium x Mediunidade praticada

Épraxe! Semanalmente abarcam centenas de pessoas nos terreiros com a intenção de desenvolver a mediunidade.

Dia destes um indivíduo em consulta perguntou ao Caboclo que lhe atendia:

- “Caboclo, preciso desenvolver a mediunidade, posso fazer isso aqui?”

Orapaz não conhecia o terreiro, era sua primeira visita, o Sr. Caboclo retrucou:

- Sim filho, pode sim, antes nos responda algumas perguntas simples e saberemos quando e onde iniciará seu desenvolvimento mediúnico.

- Pois sim Caboclo, qual a dúvida?

- Filho, sabe o que é mediunidade?

O rapaz esboçou surpresa em suas feições, pensou rapidamente e prosseguiu:

- Sei Caboclo, é a capacidade de incorporar os guias espirituais.

- Ah sim meu filho, entendo, mas devo dizer que isso não é mediunidade, ao menosnão é bem isso que o Caboclo está perguntando, vou tentar ser mais claro. Você sabe para que serve a mediunidade?

- Sei sim, para fazer a caridade!

- Hum, e o filho quer desenvolver a mediunidade pra quê?

- Para fazer a caridade, ajudar as pessoas.

- Sei, sei… E porque o filho quer ajudar as pessoas?

O rapaz ficou pálido e sem graça arriscou:

- Para evoluir meu pai, porque esse é o caminho da luz.

- Que luz meu filho?

- Oras meu pai! A luz espiritual, como a vossa!

- Hum, como o filho imagina que seja o desenvolvimento mediúnico?

- Bem, já vi algumas vezes, vou vir de branco e vou girar até incorporar, mas já aproveitando, quero dizer que tenho receio de girar, não vou conseguir meconcentrar, então prefiro que me deixem concentrando, assim será mais fácil.

O rapaz já falava como se fosse parte do grupo. O Caboclo interrompeu e disparou:

- Meu filho, que tipo de problemas você imagina que pode ter ao desenvolver a mediunidade?

- Acho que nenhum!? Por quê? Terei problemas?

- Depende.

- Como assim?

- Depende do que o filho escolher.

- Não estou entendendo.

O Caboclo silenciou, olhou para o Congá, baforou do seu charuto no corpo do rapaz, fechou os olhos, parecia estar orando, respirou fundo, olhou fundo nosolhos do rapaz e ensinou:

- Meu filho, você é mais um dentre milhares que se utilizam de discursos prontos, respostas decoradas, ambições estranhas e ansiedade para sentir-se melhor queos outros, o que é pior, via mediunidade.

Chegaráo inevitável dia do seu desenvolvimento mediúnico, e Caboclo deseja que chegue ,onde quer que seja.

Mas este Caboclo deseja mais ainda: que o filho tenha respostas verdadeiras, que encontre de uma forma pessoal o motivo real para o exercício mediúnico.

O filho precisa saber que mediunidade não é entretenimento, não é uma atividade que preenche apenas um espaço vazio da sua agenda.

O primeiro passo para o desenvolvimento mediúnico é o compromisso em buscar o auto conhecimento, é meditar muito, orar mais um tanto e ter a certeza de quequer assumir um compromisso do qual todos os demais compromissos na vida sejam secundários diante seus compromissos espirituais.

É preciso que saiba muito bem o que significa comprometimento, dedicação e respeito á tudo e a todos.

Estude bastante sobre esta religião que quer seguir, pois se não a compreender, jamais sentir-se-á compreendido pelos diferentes.

Considere que caridade não é dar passe, descarregar ou qualquer coisa que seja feito incorporado, saiba que esta é a nossa caridade, não sua, você médium e religioso tem nas incorporações e o que acontece a partir dela apenas uma consequência da fé e da mediunidade. Sua caridade deverá ser outras iniciativa-se não ocultas em nossas incorporações.

Também lembre-se que ninguém ajuda ninguém se ao menos não esteja preocupado em se ajudar primeiro, em lapidar-se e aprimorar-se, antes de pretender ser fonte épreciso ser abastecido.

Você terá preceitos a seguir, então sua rotina de hoje já não será a mesma, o quevocê comeu hoje, se estivesse do lado de cá já não seria permitido.

Observe seus vícios e aceite que se ensina e ajuda mais pelo exemplo do que por boa vontade, se és um indivíduo rendido aos vícios da matéria, mesmo tendo plenaconsciência dos males, então busque livrar-se destes grilhões antes depretender ser alguém que vá libertar os outros.

Ter mediunidade prática não te faz melhor do que ninguém, apenas reforça que você tem mais responsabilidade com o mundo, então não será por meio da mediunidade que poderá extravasar questões de carências mal resolvidas na infância.

Este caboclo poderia prosseguir com muitas outras considerações, mas vejo que o filho já entendeu, então Caboclo pergunta:

- O filho quer começar o desenvolvimento quando mesmo?!

Desconcertado, pensativo e visivelmente desapontado o rapaz responde:

- Meu Pai, desenvolverei quando ao menos conseguir praticar uma de suas ponderações, desculpe-me pelo tempo que lhe tomei, vou pensar sobre isso tudo.

- Não se desculpe meu filho, isso é o que o Caboclo veio fazer, amamos isso que fazemos, esta é a nossa oportunidade de fazer a caridade, se consigo te ajudar, isso me alegra. Mas meu médium não, ele apenas está no transe aprendendo com isso tudo e exercitando sua religiosidade, entendeu?

- Sim meu pai, acho que entendi!

- Então fique em paz e na luz meu filho, se for da sua vontade e dos Orixás, nos veremos mais adiante.

O rapaz agradeceu o Caboclo e emocionado retirou-se do terreiro, voltaria nas próximas semanas e talvez em alguns meses ou anos, ele sentiria o chamado, pela vontade Maior e não pessoal.

Este breve relato, é um fato e nos traz um alerta importante sobre a maneira que nos relacionamos com a mediunidade, então responda: qual é a sua maneira???

Grande abraço,

Rodrigo Queiroz –www.rodrigoqueiroz.blog.br

A Lição que Precisava


Não se deve mais olhar para trás quando decidimos por nos espiritualizarmos. O passado de cada um pode dificultar a caminhada do presente como também pode ajudá-lo na consolidação de promessas feitas. Sejamos sóbrios. Sejamos honestos com as propostas que a cada instante os benfeitores espirituais estão nos oferecendo. Corre o tempo em que as apurações são necessárias. Nosso planeta tão pródigo, tão benigno, merece uma posição melhor no cômputo cósmico. Nosso Mestre Jesus vem há milhares de anos ofertando a todos as bênçãos da Sua presença iluminada, sábia e amorosa. Não se pode precisar o início histórico de cada morador desta casa, pode-se, contudo, avaliar o que cada qual fez e faz do tempo que aqui está a partir das suas posturas e decisões. O planeta necessita de nossas ações positivas para que ele avance na escala dos mundos, atingindo outro estágio que o aproxime da categoria de mundos felizes.
Noutro dia encontrei alguém muito feliz. Ela caminhava com desenvoltura por uma avenida entulhada de gente, carroças de pipocas, bancas de jornal e inúmeros camelôs divulgando em voz alta seus produtos, numa confusão generalizada. Segui-a com os olhos já que estava distante, na sacada do prédio onde funciona a lavanderia na qual trabalho. Era o meu horário de almoço. E aquela pessoa sorria para todos, distribuindo formosas bênçãos. Pensei ser uma religiosa, uma distribuidora de produtos para o comércio dali, uma milionária, talvez relembrando seus tempos de pobreza ou ainda um agênere materializado entre os vivos trazendo-lhes os recados da espiritualidade além.  Fiquei intrigado com tamanha felicidade. Donde vinha ela? Onde se abastecia de tanta festa interior? Passei assim a observá-la diariamente. E ela não falhava. Vinha todos os dias, distribuindo os mesmos benefícios da sua aura em festa.

Fiz um acordo com o patrão. Trabalharia durante uma semana até as 22 horas para que ele me desse um dia de folga durante a semana. Eu precisava descer da sacada, encontrar-me com ela. Assim, numa bela terça-feira, dia da minha reunião mediúnica, aprontei-me com uma roupa melhor, barbeei, peguei algum dinheiro para almoçar num restaurante e lá fui eu encontrar-me com a doadora de alegrias. Cuidei para que meu patrão não me visse andando pela rua, próximo à lavanderia. Sempre se tem um servicinho que é nossa especialidade e aí, pronto: – Olha, que bom que está por aqui. Estou precisando de você. Suba!

Caminhei então por entre aquele ambiente calorento e confuso durante trinta minutos para sentir o que sentia aquela pessoa que transitava com desenvoltura por entre tudo e todos. Ela não aparecia. Caminhei mais um pouco, nada! Um pouquinho mais e não a encontrava. Passei pelos mesmos locais que ela costumava passar e na hora de sempre. E ela não aparecia. Duas horas depois estava extenuado. Quase não tinha mais fôlego. A roupa grudava em meu corpo suado. De tanto levar empurrões e pisões, tinha pré-hematomas por todos os lados do corpo. Até xinguei uma criança que corria esbaforida procurando um algodão doce que havia escapado de suas mãos. Uma mulher obesa, besuntada de maquiagem e trajando enorme vestido vermelho com bolas e fitas brancas, vinda das partes mais exóticas do planeta, pediu-me moedas e companhia. Nem dei atenção a ela, pelo contrário, empurrei-a com força. Um velho capenga mal se firmava nos pés e, absurdo, queria transitar naquele lugar. Ia ao médico. Por que não arranjava um médico na periferia da cidade? Será que não percebia que seu andar lento e manquitola atrapalhava a passagem de todos? Um camelô que vendia azeitonas baratas, infestado daquele cheiro, quase me empurrou goela abaixo uma daquelas sementes verdes: – Prova! Vai perceber que é a melhor da cidade!

Depois veio uma cigana pegando minhas mãos e dizendo que eu iria encontrar bela moça para casar. Ora, já era casado há tanto tempo! Disse a ela que procurasse seu lugar! Tudo aquilo me deixava superestressado. Um grupo de desocupados discutia futebol, numa roda, impedindo a passagem. Ditei-lhes algumas palavras impróprias e falei mal do futebol, dizendo que enquanto eu ganhava três salários mínimos, há jogadores que ganham mais de oitocentos salários mínimos! Depois até pensei no que eu tinha a ver com isto. Mas já havia dado minha infeliz opinião. E fui assim, trombando aqui, ali, levando pisões e arranhões, ditando impropérios tirados de uma imensa rede de variedades, que perambulei por duas horas e duas a mais do tempo que via aquela pessoa feliz passar e sorrir para todos. E, por falar nela, nada! A divina criatura tirou folga justo naquele dia.

Chegou a noite e fui para a mediúnica. Estava cansado demais. Com certeza não produziria nada. Arrependi-me por não ter trabalhado normalmente. O meu trabalho era uma preparação para minhas conversas com Espíritos necessitados. O diretor da reunião deu início à mesma. Silêncio, leitura do Evangelho, prece e aguardos. Uma médium foi logo acionada por um irmão, depois outra e mais outra. Não conseguia tabular boa conversação. Houve um momento que o diretor teve que interferir. Eu não estava bem. Estava muito cansado e aborrecido por não ter encontrado a pessoa feliz.

Já no final, antes da prece de encerramento, dona Justina, médium mais antiga no Centro Espírita que eu frequentava, tomou minhas mãos e olhou-me com carinho: – Está aqui uma entidade que deseja falar com você. Escute bem o que ela tem a dizer. Dito isto, foi logo acionada por uma entidade calma e feliz: – Olá, amigo. Bom te ver aqui. Estou feliz por isto. Meu nome é Xênia e venho de muito longe. Minhas marcas estão arquivadas em sua memória. Faz algum tempo e fomos amigos numa jornada venturosa. Você me encantou pela disposição, alegria e bom humor perante as situações mais difíceis que enfrentava. Eu era apenas uma aprendiz das suas posturas sãs e benevolentes. O tempo passou e você renasceu. Eu permaneci. Consegui descobri-lo trabalhando na lavanderia. Marquei bem o seu horário de folga e passava pela avenida, mostrando a você minhas melhoras no campo do bom humor e do entendimento de como lidar com situações e pessoas difíceis. Hoje não me foi possível passar pela avenida porque tive a autorização de vir a esta reunião para conversarmos. Assim, gostaria de saber o que achou de mim. Melhorei um pouco?

Abaixei a cabeça envergonhado. Jesus havia permitido que eu visse um Espírito desencarnado. Coisa que mais queria. E não era uma visão apenas para meu deleite. Era para que eu, em vendo o Espírito desencarnado, olhasse para dentro de mim. Eu estava desaprendendo tudo. Se fui mesmo o que ela disse, havia despencando de algum cume. Percebi o quanto necessitava melhorar. Quem sabe lá no passado fui impulsionado para os alvores da alegria como um estímulo e agora havia retornado para os processos da consolidação? Olhei para Xênia e a vi novamente. Dona Justina desapareceu e ali aquela pessoa de beleza jovial sorria-me, estendendo as mãos: – Você me recebe como filha?

Quase desfaleci. Eu e minha esposa estávamos nos preparando para nos colocar à disposição de Deus para que nos enviasse um de Seus filhos.  – Renascerei em paz e feliz e, mais ainda, por ser amparada por você que me ensinou a caminhar com bravura pelas avenidas tormentosas do mundo.

Chorei copiosamente. Ninguém ali entendeu. Xênia seria minha filha. E agora, como recebê-la? Que mudanças necessitaria realizar? O que precisava domar em mim das minhas intempestividades, das minhas ranzinzas, das minhas respostas prontas para aquilo que me perturbava? Ontem ela renasceu. Tomei-a nos braços e prometi: – Caminharei com você nas avenidas tortuosas do mundo, mostrando-lhe que tudo é de Deus e que estamos no lugar certo, com as necessidades de que mais precisamos.


Por Guaraci Lima Silveira

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Preto Velho





Saiba o que é caridade clique na imagem abaixo:


Faz caridade fio, faz caridade fio!


Assim era as fala do negro Ambrósio através do 

aparelho mediúnico que lhe servia de canal para fazer proseador.

 

Não era a primeira que aquele consulente ouvia esse

conselho do Pai Velho, já havia se passados oito meses desde o

primeiro dia que aquele senhor tinha adentrado ao terreiro, passando a

fazer parte da assistência, sempre voltando ao negro Ambrósio para

tirar suas duvidas.

 

Naquele dia ele estava decidido. Iria perguntar ao Velho

porque toda vez que falava com ele escutava o mesmo conselho? Será

que como espírito não estava vendo que ele já estava fazendo

sua parte?

 

cachimboEsperou ansioso a sua vez. Aquela noite seria especial,

seria diferente das outras, aquele encontro marcaria uma nova etapa no

caminhar daquele senhor.

 

Como sempre fazia, mais por repetição do que mesmo por

convicção, se ajoelhou diante do negro Ambrósio e foi dizendo:

 

- Benção vô Ambrósio, hoje venho lhe pedir uma

explicação para melhor entender o que o senhor me diz.

 

- Oxalá te abençoe meu fio! Negro Ambrósio fica feliz

com sua presença e gosta de fazer proseador com todos os fios que

aqui vem.

 

- Meu vô, como o senhor mesmo sabe já faz algum tempo que

venho a essa casa e falo com o senhor. Como já lhe disse não tenho

uma situação financeira ruim, ao contrário, nunca tive problemas

dessa ordem o que sempre me facilitou uma vida com fartura e bem-estar

desde a infância.

 

- Certo meu fio, negro Ambrósio já tem cunhecimento de

tudo isso que suncê falou.

 rosario25

- É meu vô, por essa razão gostaria de lhe perguntar

porque o senhor toda vez que fala comigo me aconselha a fazer a

caridade? O senhor não já sabe que faço isso todo mês

entregando gêneros alimentícios aos que estão carentes? Além

do que, na minha empresa mantenho uma creche para os filhos dos meus

empregados para que assim possam trabalhar com mais tranqüilidade.

Por isso gostaria que me explicasse o porquê desse conselho, dentro

da minha consciência cumpro com meu compromisso.

 

- É verdade meu fio, tudo isso que suncê falou pra negro

veio, faz parte de seu compromisso e fio cumpre direitinho sua parte.

Porém fio esse compromisso faz parte de seu social. Suncê alimenta

o corpo material que precisa de sustentação pra ficar de pé, pois

se não for assim fio tem prejuízo, só que o fio também

precisa distribuir o pão espiritual e assim fazer a caridade.

 

- Não entendi meu vô seja mais claro? Que caridade

espiritual é essa?

 

- É a mesma que esse meu aparelhinho faz aqui no terreiro.

Suncê precisa assumir sua condição de médium.

 

cachimbo1Espantado, disse o senhor: como é que é vô Ambrósio

o senhor está me dizendo que tenho compromisso com a mediunidade na

Umbanda é isso?

- É isso sim, meu fio. Suncê tem compromisso com essa banda. 

Ante as muitas verdades que ele já tinha ouvido, nunca uma

afirmação estava tanto a lhe remoer a alma. Como seria possível?

Achava bonito a Umbanda, gostava do cheiro das ervas e do cachimbo dos

vôs, mais daí então a ser médium era demais para ele.

Mesmo de forma acanhada buscando aparentar tranqüilidade

aquele senhor disse ao vô:

- Meu vô acho que há um equívoco, pois nunca senti nada

a respeito da mediunidade. 

- Num sentiu porque se prende e que não quer dizer ou suncê

acha que nego veio não vê o companheiro de Aruanda que lhe

acompanha e que hoje está dando autorização pra fazer esse

conversado? Meu fio diz que gosta do cheiro das ervas e desse terreiro

- o que é uma verdade – mas o que fio não se vê é dobrando

o corpo para prestar a caridade, deixando assim que seu Pai Preto

também lhe traga lições para seu caminhar. Então meu fio,

enquanto suncê não entender, nego veio vai continuar repetindo o

conselho: faz caridade fio, faz caridade fio! Mesmo que tenha que

arrepetir isso por muitas veis, pois água mole em pedra dura fio,

tanto bate inté que fura. Olha fio! Eu tenho um compromisso moral

com esse companheiro de Aruanda que te acompanha e te agaranto que

não será de minha parte que não será cumprido. Pensa no que

esse veio te falou e dispôs vem prosear novamente, pois o passo de

veio é miudinho e devagarzinho, só tem uma coisa fio: o tempo

corre e espero que suncê queira aproveitar enquanto tá desse lado

de cá!

 

Aquele senhor se levantou da frente de negro Ambrósio sem

dizer mais nenhuma palavra, seria preciso tempo para digerir tudo que

ele tinha ouvido.

 

Oito meses se passaram depois daquela prosa, ninguém no

terreiro tinha visto novamente aquele senhor na assistência.

 

Era 13 de maio, gira festiva de preto velho, os trabalhos tinham

se iniciado. Negro Ambrósio olhava para a porteira do terreiro como

se estivesse a esperar por alguém e assim cantarolava "acorda

cedo meu fio, se com velho quer caminhar, olha que a estrada é longa

e velho caminha devagar, é devagar, é devagarinho quem anda com

preto velho nunca ficou no caminho". Acostumados com a curimba os

filhos da corrente repetiam os versos sem perceber que naquele dia a

entonação estava mais dolente. Mais um filho de Zambi venceria uma

etapa, mais um seria libertado.

E foi olhando para a porteira que negro Ambrósio viu aquele

senhor adentrar no terreiro, com os olhos rasos d'água e de joelhos

se postar assim dizendo: Vô Ambrósio se é verdade que tenho

essa tal mediunidade aqui estou para aprender a fazer caridade, nesses 8

meses minha vida perdeu a alegria, relutei muito para chegar aqui

novamente e não nego que fugi por vergonha se ainda houver tempo…


Aquele senhor nem chegou a ouvir a resposta do negro

Ambrósio. Do seu lado já se encontrava um negro que de forma doce

e amorosa assim falou: Meu fio a quanto tempo espero por esse momento,

por esse reencontro. Vamos trabaiá meu fio nas bênçãos de Zambi

e na fé de Oxalá! 

Diante dos filhos daquela corrente, aquele homem branco, de

olhos claros, quase translúcidos, alto, dava passagem nesse momento a

mais um preto velho e foi curvando aquele corpo que se ouviu a voz da

entidade assim dizer: Bendito e louvado sejam o nome de nosso Pai

Oxalá! Saravá negro Ambrósio! Pai Joaquim das Almas se faz

presente nesse Gongá!

 

- Saravá Pai Joaquim!

E daquele dia em diante mais um filho começava a sua

caminhada. Mais um chegava a corrente da casa. Mais uma estrela passou a

brilhar nos céus de Aruanda!

 

Saravá Preto!!!

 

A.D. Mensagem recebida por email.

Mensagens de Preto Velho Pai Jeronimo




Trabalho na linha de pretos velhos com esta maravilhosa entidade.

Um certo dia, ele atendeu de uma senhora que lhe veio consultar sobre um tumor nos seios, diagnosticado por uma mamografia.

cachimboPasses daqui, trabalhos dali, enfim, uma consulta normal…vela, erva, água…

Disse o preto:

- É mizim fia… Tá feito…mas num deixa de procurá o Homi de branco, dispois vem contá pro nego…nego vai ficá no toco esperando zunce vortá…

E saiu a consulente.



Numa próxima gira, estava lá o preto no toco e chegou a sua consulente, já na segunda parte do trabalho.

- Podi entrá mi zim fia, tava le esperano….
- É meu Velho, fui no médico sim…ele disse que o tumor sumiu, vai ver foi engano, o que a mamografia mostrou foi uma sombra de um queloide, que eu já tinha de cirurgia anterior. mas vim lhe agradecer, pois sei que o Senhor me curou..

Diga, meu Pai, o que o Senhor quer de presente, quero lhe agradecer…

Em nossa casa, as entidades as vezes ganham presentes, charutos, bebidas, mas não que peçam, porque as pessoas trazem em agradecimento mesmo, como deve ser em todo lugar.

cachimbo1Mas naquele dia o preto pediu…

- Me traga um bolo de chocolate, mi zi fia, suncê pode faze isso…?? Mais tem qui ser na proxima gira…eu num vô tá aqui, mas fala co caboclo chefe que ele manda mi chamá….


Todos estranharam, e eu mais ainda, passei a semana pensando naquele pedido, eu que amo bolo de chocolate, pensava comigo, Meu Velho…porque um bolo, Meu Pai…Até os filhos da casa acharam estranho e houve uma brincadeira ou outra…do tipo achando que iam comer o bolo….Alguém arriscou dizer que era a comemoração pela cura da mulher… Enfim…esperei ansiosa…Afinal…confio neles.

Em verdade torci para a mulher nem aparecer com aquele bolo…

Mas ela apareceu, e sentou na primeira fila, como tal bolo, todo confeitado de confetes coloridos.



Chegou o preto, com autorização do chefe do terreiro, que é Seu Serra Negra….

- Trouxe meu bolo, mi zim fia…

- Trouxe meu velho…

Então o preto levantou e disse que na assistencia tinha uma menina, de cor morena, que estava fazendo aniversario, 14 anos, e chamou-a.

Disse à menina: 

- Mi zim fia, esse é presente que sunce pediu ao seu anjo da guarda, ele não pode vir, mandou o nego te entregar…


A criança marejou os olhos e saiu com o bolo na mão, sentar ao lado da mãe, que chorava muito na assitência. Em 14 anos, nunca havia ganhado um bolo de chocolate….Nunca mais voltou, nunca mais vimos. E nunca esquecemos esta história.

Autor Desconhecido – Mensagem enviada por e-mail

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

MENSAGEM DO EXU GUARDIÃO MEIA NOITE




Resumo: Mensagem ditada mediunicamente a medium Angela Gonçalves na Ordem Espiritualista da Magia Divina

QUANDO SE VAI EM ALGUM LUGAR, SE DEVE LEVAR ALGUMA COISA BOA...
O QUE SE RECEBE EM QUALQUER LUGAR CORRESPONDE AO QUE VOCÊ LEVA
A ELE...
GOSTO DO TRABALHO AQUI...HEHE SÓ CHEGAM PERTO DE MIM SANTINHOS...UHAUAUAHUAHUA!
DIZENDO PARA MINHA BANDA QUE NADA FIZERAM PARA MERECER DA VIDA O QUE TEM VIVIDO E QUE EXU DÊ JEITO DE ABRIR CAMINHO...
PARA ESSES DOU A MINHA MELHOR GARGALHADA!
SÃO SERES DE DUPLA MEDIDA...UMA PARA SI OUTRA PARA AS COISAS QUE OS CONTRARIAM
SÃO SERES MEDROSOS QUE ESQUECEM QUE DELES MESMOS DEPENDE AS DECISÕES
E CONSEQUÊNCIAS..
MUITOS VEM ATÉ A MINHA BANDA QUERENDO ISSO OU AQUILO E NADA DE REALMENTE BOM E PERENE NOS TRAZEM...
TRAZEM LAMURIAS... TRAZEM QUEIXAS...TRAZEM PEDIDOS...
MAS DIFICILMENTE NOS TRAZEM ACEITAÇÃO...RENOVAÇÃO...DEDICAÇÃO OU GRATIDÃO VERDADEIRAS.
MUITOS NOS OFERECEM COISAS PERECÍVEIS E PASSAGEIRAS PARA QUE POSSAMOS DAR JEITO DE AJEITAR SUAS VIDAS, CAMUFLAR AS FALHAS QUE COMETERAM OU PARA SATISFAZER CAPRICHOS...TRATANDO A BANDA COMO MERCENÁRIOS A SEU SERVIÇO.
PENSAM QUE O CÉU É PARA ELES...E PARA EXU SÓ AS PODRIDÕES...

DIZEM RESPEITAR A BANDA PORQUE QUEREM NOSSOS FAVORES...
DIZEM RESPEITAR A BANDA APENAS PORQUE TEM MEDO DO QUE A BANDA POSSA FAZER...
DIZEM RESPEITAR A BANDA, MAS AO MENOR EMBARAÇO COMEÇAM A DEBANDAR E CAÇAR OUTROS QUE FAÇAM POR ELES O QUE ELES MESMOS NÃO TEM A OUSADIA DE FAZER...
DIZEM RESPEITAR A BANDA E NOS TRATAM COM EMPREGADOS A SOLDO DE MARAFA E SANGUE
SÃO SERES QUE NÃO SABEM BEM O QUE QUEREM E EXIGEM QUE EXU SAIBA...
EXU SABE E POR ISSO EXU FAZ!
PORQUE QUEM SABE FAZ
E O QUE NÃO SABE FAZER, PEDE...

TROCAMOS SIM...PORQUE SÃO INGRATOS E PETULANTES E PENSAM QUE O QUE VALE NADA, NADA VALE!
SÃO SERES QUE QUEREM POR MÁGICA QUE A BANDA RESOLVA SEUS ASSUNTOS EM MINUTOS SENDO QUE LEVARAM ANOS PARA GERAR SEUS PROBLEMAS
QUEREM QUE A BANDA DÊ JEITO DE MELHORAR SUAS VIDAS
SEM QUE NADA TENHAM QUE MELHORAR EM SI MESMOS...
QUEREM RESGUARDO, PEDEM GUARIDA PARA SE MANTER
POMPOSOS E ORGULHOSOS NOS CAMINHOS TORTOS QUE GOSTAM DE ANDAR...
CHEIOS DE IMPÁFIA E SEM A MENOR VONTADE DE FAZER ALGO POR ALGUÉM
E NEM TEM VERGONHA DE VIR PEDIR PARA A BANDA FAZER O QUE ELES MESMOS NÃO FAZEM!
SÃO SERES QUE ACREDITAM QUE PODEM COMPRAR EXU COM UMAS PORCARIAS QUE PARA NÓS NEM TEM MUITO VALOR...
POR SEREM OVELHAS QUE SÓ QUEREM O SUSTENTO DE SUAS VONTADES
SEGUEM AO PRIMEIRO QUE SANAR QUALQUER NECESSIDADE
ACHANDO MESMO QUE COMO SÃO ASSIM, EXU TAMBÉM TEM DE SER.
SEM NEM PESTANEJAR ENTREGAM QUALQUER COISA QUE A BANDA QUISER
DESDE QUE CONSIGAM O QUE DESEJAM SEM PARA ISSO TER QUE SE ESFORÇAR.
POR ISSO TEM MUITO RABO DE ENCRUZA POR AI A SE FARTAR...
ACHANDO QUE O CÉU É PERTO, NENHUM NEM O OUTRO QUER SE CONSERTAR.
SÃO SERES QUE DIZEM LAROIÊ SEM FÉ E SEM RAZÃO
E MOJUBÁ SEM DISSO TER QUALQUER CONVICÇÃO.
PARA ESSES MEUS GANCHOS ESTÃO AFIADOS...
PEDEM A PROTEÇÃO DA BANDA PARA CONTINUAR OS DESMANDOS
E COM ISSO PENSAM PODER CONTINUAR SEM RUMO OU COMANDO
ABUSANDO DA LIBERDADE QUE TEM...
ACHANDO QUE COBRIR UM ERRO COM OUTRO VAI FAZER O ACERTO...

E QUEREM QUE EXU SEMPRE FORTALEÇA AQUILO QUE NÃO É CONQUISTA DELES
BATEM NO CHÃO E NO PEITO DIZENDO: EU TENHO EXU!
SERÁ QUE NOS TÊM MESMO OU SOMOS NÓS QUE OS TEMOS?
ENTÃO JÁ QUE VEM VISITAR MINHA BANDA TRATE DE TRAZER O MELHOR QUE TIVER...NÃO É MARAFO,NÃO É CHARUTO E MUITO MENOS SANGUE DE PIÁ!
É AO MENOS A VERGONHA NA CARA, DE VIR PARA SE MELHORAR
SE VIER PEDIR DEMANDA, DEMANDA VAI LEVAR
NÃO AQUELA QUE PEDIR MAS AQUELA QUE EU MANDAR
PORQUE SE SEU CORAÇÃO É NEGRO NÃO SOU EU QUE VOU TE CLAREAR.

UHAUHAUHAUAH!
GANHEI UMA NOVA ESTRELA E UM POTENTE CAJADO...E GARANTO QUE NÃO FOI POR TER CORRIDO DAS LUTAS OU ABANDONADO MEU COMANDO.
ENTÃO SE VEM ATÉ A MINHA BANDA, TRAGA ALGO QUE PRESTE, PORQUE POSSO
ATÉ FACILITAR ALGUNS TRAJETOS, MAS, NÃO VOU DESONRAR MINHA JURA A QUEM EM MIM CONFIOU, PARA MANTER O EQUILÍBRIO DA MINHA BANDA ...
BOA NOITE QUE JÁ VOU ME RETIRAR...E NO MEU REINO VOU TE ESPERAR
PENSE BEM QUANDO VIER AQUI ME PROCURAR , TENHO PRESSA E ANDO RÁPIDO
E POSSO MUITAS COISAS ESTAR FAZENDO, ENTÃO NÃO GASTE MEU TEMPO
COM BOBAGENS QUE VOCÊ MESMO PODE RESOLVER.
AJO RÁPIDO E ANDO LONGE MAS NÃO GOSTO FALAÇÃO...GUARDA BEM O MEU CONSELHO...RESPEITE A SI PRÓPRIO E NUM VAI TER DO QUE RECLAMAR ...
SE QUER O RESPEITO DA MINHA BANDA...SEJA VOCE O PRIMEIRO A SE RESPEITAR

SALVE O GRANDE! PORQUE É O GRANDE QUEM MAIS PODE!
SALVE A MINHA BANDA!
BOA NOITE!