segunda-feira, 26 de junho de 2023

EXPECIFICIDADES E PODERES DE IYÁ MI OSORONGÁ

 EXPECIFICIDADES E PODERES DE IYÁ MI OSORONGÁ


Pode ser uma imagem de coruja e texto que diz "1 Religião RespeitoHumildade"

Iyami Osorongá são entidades femininas que possuem algumas energias especiais tanto na forma positiva quanto na negativa.

Iyami Osorongá é uma convicção, frequentemente herdada, e às vezes adquirida por atributos orgânicos de uma pessoa. Este atributo faz com que a pessoa tenha poderes que podem prejudicar ou ajudar outros, a uma distãncia e através de meios de descuido.

Mais adiante, a mesma convicção é que uma pessoa pode ter este poder, mas desde que ele não sinta motivos hostis contra outros, permanece dormente e não os afeta.

Inveja, fúria, ódio, malícia são os tipos de sentimentos viciosos em que se fixam o poder de bruxaria, se a pessoa possuí-Ios isto deverá ser trabalhado.

Acredita-se que uma pessoa pode ter este poder e não ter conhecimento disto, até que os sentimentos viciosos dela seja fixados para trabalhar contra os outros.

Em alguns casos, bruxaria e a expressão de tensão ou o mecanismo de conflito entre duas pessoas. Então, bruxaria e um conflito de interesse entre o acusador em uma mão, e o acusado na outra.

Como dito anteriormente, os Yorubas acreditam que todos os destacamentos das coisas devem-se a própria essência delas. Para afetar uma pessoa ou situação, feiticeiros, herboristas, babalawo, etc., extrai a essência por rituais, isto é, terminam aplicando princípios gerais; estes são:

(1) Homeopatia - 0 princípio de semelhança. Como cura; ou como lesões. Um exemplo disto e quando uma pessoa cai de um precipício e fratura o osso da perna esquerda. O osso das pernas de uma ave será tratado simultaneamente. Quando a perna da ave curar, a perna do homem curará. Outro exemplo é a fabricação de uma boneca com imagem de uma pessoa e então alfinetes são enfiados na imagem, a real pessoa estará sentindo a dor.

(2) Preximidade - 0 princípio baseado na convicção de que todas as coisas que tiveram contato com uma pessoa, mesmo que somente uma vez, sempre reterão especialmente aquele contato, caso tenha estado uma vez em nosso corpo ou entrado em contato com ele. Exemplos são nossos excrementos, vestidos, cabelos, saliva e assim por diante. Tudo isso pode ser usados contra nós. Ate mesmo a impressão do pé de uma pessoa pode ser usada para prejudicá-Ia.

(a) “Os médicos de Iyami de preto” normalmente prejudicam os outros. Eles causam esterilidade; confusão, discórdia na comunidade; eles fazem a falta de colheita de outras pessoas, morte para os outros e assim por diante. Mas se uma pessoa encantada pode executar os rituais necessários e conhecer as várias demandas de bruxas, e a força oposta à delas o caso pode ser reconsiderado e a vítima será curada;

(b) “As bruxas vermelhas” também prejudicam os outros e nenhuma quantia de ritual ou sacrifícios podem fazê-Ias reconsiderar uma idéia oposta à delas. Este grupo de bruxas e na maioria das vezes considerado o mais terrível de todos os médicos de Iyami.

Geralmente, estas classificações não podem ser consideradas em absoluto. 0 “funcional de bruxa” para algumas pessoas, pode ser visto como , “disfuncional de bruxa” para os outros, ou seja, pode ter significado totalmente diferente de acordo com quem se relaciona. Por exemplo, nas guerras, as bruxas podem ser usadas para destruir as mentes dos inimigos e poluir o raciocínio coletivo deles. Os Iíderes do oponente podem ser afligidos e levados até mesmo à morte. Isto pode conduzir a perda eventual da batalha para os inimigos.

Para estes a quem as bruxas trabalham a favor, podem ser consideradas ' as bruxas brancas'; mas os quais elas trabalham contra, eles não têm nenhuma outra classificação, que não seja o rotulado ' as bruxas vermelhas'.

Mais adiante, uma bruxa que protege a família de alguém contra outras famílias, pode ir para a intenção de prejudicar, enquanto mutilando e matando, todos que forem considerados inimigos da família. Para a família protegida terá a classificação de “bruxa branca” mas as vítimas classificarão de “bruxa preta” ou “a bruxa vermelha”.

Na prática da arte de Iyami Osoronga, os médicos fazem uso de instrumentos de animais como pombas, pombos, corujas, falcões, morcegos e assim por diante. Não surpreende então o porque de os Yoruba se referirem às bruxas como “ELEYE” - os donos do pássaro.

Eles também podem usar alguns animais como gatos, cachorros, antílopes, e assim por diante. Na cultura Yoruba acredita-se que as bruxas normalmente depositam os poderes delas nestes animais quando Ihes enviam em incumbências. Isto sem dizer que se tais forem capturados, as bruxas ficarão impotentes.

Descobrir uma bruxa não é uma tarefa fácil. No entanto, segundo a tradição uma pessoa que encantou outra pessoa deve ser descoberta e deve ser levada para atarefar na ação dele. A morte deve ser vingada em particular, especialmente se a morte for atribuída à feitiçaria.

Os feiticeiros, mágicos, espiritualistas, adivinhos e babalawos são as pessoas mais populares que descobrem as bruxas.

Rituais, sacrificios, adivinhações, consultas com os oráculos de Ifá são alguns dos dispositivos empregados para descobrí-Ias.

Descobrir uma bruxa em seu próprio meio serve para reduzir o número de vítimas que se considerem inimigas delas.

Porem, o risco de apontar o dedo acusador na pessoa errada não pode ser em cima do governado.

Eles consultam o Oráculo de Ifá para se opôr ao efeito, e no oráculo aprendem o que deve ser feito.

Alguns espiritualistas tambem reivindicam serem os melhores, mas uma experiência mostrou, que a maioria deles tem o hábito de visitar o babalawo à noite para orientação e proteção.

Alguns espiritualistas também acreditam que cantar o nome dos mentores ou de Iíderes espirituais pode servir como uma fonte de proteção contra bruxas.

Mas infelizmente, está estabelecido que devido ao fanatismo os extra-religiosos trazem em si mesmos, um problema neurótico que os levam à procura de atenção de um babalawo e até psiquiatras.

Quando a acusação de bruxaria e mais predominante? Quem são muito suscetíveis da acusação de possuir poder de bruxaria?

Pode ser convenientemente dito que a acusação de bruxaria é mais comum nas crises de comunidade; quando há intempéries na relação inter-pessoal de duas pessoas ou grupos; quando há calamidades incomuns e severas como epidemias, doenças que não são diagnosticadas, perda de propriedades e perda de vidas.

As pessoas tendem a procurar mais explicações que as razões geralmente aparentes.

Os africanos têm por natureza, em geral uma perspectiva bastante filosófica para vida e a saúde em particular. Esses normalmente acusam de bruxaria as pessoas que acreditam ter razões e capacidade para infligir calamidades nos outros.

Isso faz com que as mulheres velhas, pobres, estéreis, normalmente formem 0 grupo de pessoas suspeitas. Esses que são normalmente indevidamente invejosos dos sucessos de outras pessoas também podem ser acusados de bruxaria.

Em geral, bruxaria, magia e feitiçaria são sistemas muito complexos de convicção que exigem provas empíricas das mentes dos que acreditam neles. 0 aspecto mais importante destes três fenômenos e que eles são a expressão de tensão e mecanismo de conflito entre o acusador e o acusado.

O sistema religioso Yorubano é passado de forma oral, de geração a geração, pois acreditam seus sacerdotes que a palavra verbalizada possui o poder de transmitir 0 "Axé", força contida nos ensinamentos herdados de seus antepassados.

Elas também são conhecidas como "Eleye" (mulheres-pássaro), que usaram mal seu poder mágico e por isso tiveram de entregar sua cabaça mágica a Orisa N’La, para que ele fizesse um bom uso do poder da criação.

Enquanto elas estão com energia positiva elas são chamadas como Iyami (mãe), mas quando estão na forma negativa são chamadas Ajé (bruxas).

A energia das Iya são energias tão complexas que chegam ter críticas na sociedade onde ha o culto à elas. 0 culto de Iyami Osoronga é comum na comunidades yorubanas entre as mulheres idosas que depois passam para as mulheres mais jovens para ter continuidade da entidade.

Existem vários tipos de Iyami Osoronga, como por exemplo:

IYAMI OSORONGA - Branco - Sao Iya que usam tudo branco inclusive os animais para matança, Elas são mais positivas do que as outras qualidades de Iya.

IYAMI OSORONGA - Preto - São Iya que usam tudo preto e que carregam tanto o positivo quanto o negativo depende da invocação. Elas são mais ligadas com bichos pretos e principalmente a gatos pretos.

IYAMI OSORONGA - Vermelho - São as Iya que usam tudo vermelho e tem grande ligação com Oya e Egungun. Elas como as Iya de preto têm tanto o positivo, quanto negativo dependendo da invocação.

IYAMI OSORONGA - Mista - São Iyas que pegam energias de todas as outras ja citadas. Servem para defender a quem as cultua.

É este o Odu que revela aos humanos os problemas com as Iyami e também mostra os caminhos para solucionar estes problemas.

o mesmo Odu que fala de pessoas que tem grande possibilidade de cultuar IYami Osoronga quando ela favorece as pessoas, porque às vezes a pessoa tem a energia delas sem saber e assim não podem controlar o positivo ou o negativo que elas irradiam.

As pessoas que possuem estas energias só podem ver isto em sonhos, intuições e pragas que surtem efeitos.

Somente através do jogo de Opele Ifá, que e um jogo específico para ver odu, que pode ser detectado o problema que a pessoa está atravessando com Iyami Osoronga.

Odu:- é formado pelo conjunto de duas colunas verticais e paralelas de quatro índices cada. Cada índice compõe-se de um ou dois traços verticais.

Existem dezesseis combinações possíveis para cada uma das colunas e cada uma delas tem um nome específico.

Exemplo: Osa
Cada um destes dezesseis nomes justapostos com ele mesmo ou com algum outro dos quinze, forma o nome de um dos duzentos e cinquenta e seis odus.

A maioria destes odus, como: Osa Meji, Irete Ogbe, Otura Oriko falam sobre Iyami Osoronga.

Para os Yorubás a representação mais perfeita do universo e a cabaça "Igbadu", onde estão contidos os segredos da criação do "Aiye" (terra).

Ileaseonanlayo
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NANÃ BURUKU (NÀNÁ BURUKU/NÀNÁ BÙKÙÚ/NÀNÁ BRUKUNG)

 NANÃ BURUKU (NÀNÁ BURUKU/NÀNÁ BÙKÙÚ/NÀNÁ BRUKUNG)


Pode ser uma ilustração de texto

Nàná Buruku na África

Nàná Buruku ou Nàná Bùkùkú ou Nàná Brukung é uma divindade muito antiga. A área que abrange o seu culto é muito vasta e parece estender-se de leste, além do Níger, pelo menos até a região tapa, a oeste, além do volta, nas regiões dos guang, ao nordeste dos asbantí.
No entanto, se o culto de Nanã Buruku confunde-se no leste com o de Xapanã Obaluaê-Omolu, dele se afasta completamente no oeste, onde seu nome se pronuncia Nàná Brukung ou simplesmente Brukung.
Parece que, segundo as informações publicadas em notas recolhidas em Oyó, Abeohutá, Kêto, Ifanhim, Saketê e Porto Novo, o Lugar de Procedência, nessas regiões, sejam Savê. No entanto, este é na realidade o local de disseminação desse culto e não seu lugar de origem.
Em Savê e nas regiões mais a oeste não houve essa confusão. Encontramos aí o culto de Nàná Bùkùú, mas também o de várias outras Nanãs, ali chamadas Nèné, uma das quais seria de origem bariba. Isso lembra que a antiga dinastia originária de um filho de Odùduà, fundador de Savê, mais tarde abandonou o trono (para voltar para Ipetumodu, Perto de Ifé) e deu lugar a uma nova dinastia vinda de território bariba.
Por outro lado, é preciso ressaltar que Nàná é um termo de deferência empregado na região de Ashanti para as pessoas idosas e respeitáveis e que esse mesmo termo significa "mãe" para os fon, os ewe e os guang da atual Gana.
Todas as pesquisas feitas a respeito de Nanã Buruku em Dassa Zumê, Abomey, Dumé, Tchetti, Bobé, Lugbá, Banté, Djagbala, Kpesi e Atakpamê indicam Siadé ou Schiari, na região do Adelê do atual Gana e perto da fronteira do Togo, como destino de peregrinação e não como lugar de origem.
É difícil saber, no estado atual das pesquisas, quais são os laços existentes entre todas as divindades cujo nome é precedido de Nàná ou Nèné. Elas são chamadas de Inie e parecem todas desempenhar um papel de deus supremo. Em todos esses templos há um assento sagrado salpicado de vermelho, em forma de trono ashanti, reservado à sacerdotisa de Inie, no qual só ela pode tocar. Todos os iniciados ligados ao templo têm grandes bengalas salpicadas de pó vermelho e, em torno do pescoço, usam cordinhas trançadas sustentando uma conta achatada de cor verde.
O ponto extremo a oeste, até onde nos foi possível fazer pesquisas, foi Atakpamê, no Togo, onde há um templo importante de Nanã Buruku. Ali vivem os aná, originários de Ifé que teriam deixado, talvez, antes da chegada de Odùduà. Os estudos realizados não chegaram a uma conclusão: se eles teriam habitado a região de Adetê, antes de se fixarem em Atakpamê, esboçando um movimento de retorno para o leste, ou então se os aná, segundo outra hipótese, teriam lutado entre si, por ocasião de sua chegada em Atakpamê. Um velho caçador os teria abandonado, indo refugiar-se em Odum (Odómi), perto de Schiari, sede da divindade Bùkùú ou Brukung. "Ela está lá" diz-se em Atakpamê, "dela, aqui, só há representações".
De Atakpamê, como de Kpesi, Tchetti, Dassa Zumê, Savê, Abomey e, provavelmente, Abeokutá, as pessoas cosagradas a Nanã Buruku vão fazer peregrinação em Schiari, no Adélé.
Em Atakpamê forneceram-nos pormenores a respeito dessas peregrinações: "Realizam-se de três em três anos e é preciso fazer três peregrinações sucessivas. Depois disso, suas famílias, devendo abster- se de ter relações sexuais. Durante esse período, devem suportar certas provocações para demonstrar que são dignos de participar da viagem para o Adelê. A peregrinação é dirigida pelo Olíbùkùú, sacerdote da Bùkùú. As famílias acompanham os que partem até a aldeia de Olibissô, vizinha de Atakpamê, onde se despedem. É também ali que as famílias vêm esperar a volta dos peregrinos, três meses mais tarde. Eles partem munidos de grandes bastões, de cerca de dois metros de comprimento, e se um dos peregrinos morrer no caminho, o Olíbùkùú, ao voltar, devolve o bastão à família do finado sem nada dizer. Seu desaparecimento é considerado um castigo aplicado pela divindade, e não se pode realizar cerimônia alguma pelo repouso de sua alma. Ao voltar, cada peregrino deverá ser acompanhado por uma criança. Que desempenhará, em seu lugar, as atividades que lhe são proibidas até o fim de sua iniciação, por um período de seis anos e três meses, isto é, isto é, entre a partida da primeira peregrinação e a volta da terceira. Só algumas famílias têm o direito de participar do culto: od Koko Gberi, os Koko Sale, os Lema, os Lama, Os Modji que vivem em Atakpamê, Tchetti, Kpesi e Savalu".
Sobre Schiari ou Schiadé, a menos que seja Siarê ou Siadê, temos informações datadas de 1896, quando o Tenente Conde Zeck, chefe do posto de Krete-Kratchi e futuro governador do Togo alemão, dirigiu um "comando" contra os habitntes de Schiari e deu a conhecer em seu relatório que "Siadê (ou Siarê) era antes a capital do país Atyuti (Adjuti) e a sede do ídolo Buruku, conhecido em regiões mais longínquas por causa de seu podr. Por essa razão, a região se chama também, em Tschi, Buruku obose,isto é, a região de Buruku. Para se ter uma idéia do poder que teria esse ídolo, é significativo que os reis do Dagomba, do Ashanti, de Gonya, de Tschautcho procurassem, sobretudo em períodos de guerras, obter a proteção do ídolo por meio de presentes e de embaixadas. O feiticeiro era o rei da região e opunha ao governo alemão uma resistência pacífica... Tive que marchar contra o chefe de Siadê. Ele se sentia em segurança na sua residência pelo fato de ser ela cercada, por todos os lados, de altas Montanhas difíceis de serem transpostas. Um só caminho era praticável para uma tropa importante: passava por Odomi, de onde o chefe podia ser prevenido a tempo a tempo, se uma ação fosse empreendida contra ele. Em 4 de outubro de 1896, conseguiu-se prende-lo através de uma incursão. Escolhi, partindo de Bismarckburg, outro itinerário que só era utilizado por comerciantes de borracha extraída nas florestas da região, passando por Digpelleu, Tshoye, Aibahomi e uma montanha extraordinariamente escarpada. Assim chegamos a Siadê, sem que o chefe tivesse sido prevenido de nossa vinda. Ele estava vestido com uma pele de leopardo, sentado em uma cadeira defronte da casa.Foi preso e amarrado. Em sua casa encontravam-se duas imagens de ídolos feitas em uma barra de ferro afiadas, arrematadas por um cabo em forma de pêra, em material desconhecido. Essas espécies de bengala eram fincadas no chão no momento dos sacrifícios, das festas, etc. Vários outros objetos e uma bengala de madeira comum em cuja extremidade superior foram conservado pequenos pedaços de galhos, tendo também um acabamento em forma de pêra, como nas imagens dos ídolos, porém cobertos de sangue e de penas de galos que são, com toda a certeza, vestígios de sacrifícios.
De um trabalho sobre o Adjati, datado de 1934, redigido por J.C. Guinness extraímos algumas informações sobre as origens de Brukung que, embora discutível, apresentam o interesse de terem sido recolhidas na região do Adélé, de um informante do Kotokoli, região vizinha. No trabalho citado, há a curiosa indicação de que na fronteira dos paises Haussa e Zaberima (Djerma) há um rio chamado Kwara (Níger) que deu seu nome a uma cidade situada às suas margens. Em uma gruta, no fundo do rio, vivia outrora um grande ídolo chamado Brukung e com ele viviam sua mulher, seu filho e um homem chamado Langa, que era o criado de Brukung. Viviam todos juntos na gruta. Na cidade de Kwara vivia um homem chamado Kondo, um homem bom que era conhecido, mesmo nos locais mais distantes, pelo nome de Kondo Kwara. Tinha o costume de todos os dias colocar oferendas de galos e de pito (beberagem) e algumas vezes um carneiro nas margens do rio Longo vinha pegá-los e os levava para a gruta debaixo dágua. Um dia, porém, um grupo de pescadores haussa veio da Nigéria para pescar no rio Kwara. Roubaram as oferendas e Kondo ficou tão contrariado que foi para Gbafolo, na região Kotokoli, e instalou-se com sua família em Dikpileu, a seis ou sete milhas dali. Brukung, por sua vez, foi viver em uma gruta na floresta próxima de Dikpileu. Kondo soube disso e recomeçou a colocar suas oferendas. Longa reapareceu também, trazendo assentos que fizera na gruta de Kwara. Mais tarde Kondo reencontrou Brukung. Porém, pouco tempo depois, uma invasão ashanti obrigou Brukung e os seus a refugiarem-se em Shiari.
É interessante constatar que uma lenda recolhida no extremo oeste da área de difusão do culto de Nanã Buruku faça alusão à outra situada no extremo leste dessa mesma área, falando de Kwara, que é o nome utilizado para designar o Estado, na Nigéria, onde vivem os tapa.
Deve-se ver nessa lenda uma transposição de antigos fatos históricos e alusões às migrações leste – oeste, de que falamos no capítulo precedente. Nele evocávamos a migração Ga que foi Benim para Accra, no reinado de Udagbede no fim do século XIII, com posterior retorno para o leste provocado pelas guerras do ashanti, Daryll Forde escreve a esse respeito que a região entre o Weme e o Mono foi ocupada por um refluxo de iorubás estabelecidos perto de Mono, especialmente nas proximidades de Kpesi. A fundação de Kpesi parece ter sido muito antiga, enquanto a das aldeias ao norte de Savalu, fundadas pelos emigrantes que voltavam para o oeste, data do fim do século XVIII, depois que desapareceu a pressão exercida pelos ashanti.
Em toda a região dos Itcha de Dassa Zumê e seguindo para o oeste, voltando à fonte que seria Schiari, encontra-se, nos templos de Nàná Brukung, o mesmo objeto enigmático descrito pelo Tenente Conde Zeck, esse cabo em forma de Pêra, feito com material não identificado, cujo simbolismo nos escapa. Lembremos que nas regiões do oeste esse culto é completamente diferente do de Sapata-Xapanã- Obaluaê-Omolu, enquanto no leste em nenhum templo encontra-se esse estranho cabo em forma de pêra e que o culto de Nàná Brukung, muitas vezes, é confundido com o de Xapanã-Obaluaê-Omolu. Somos, pois, levados a pensar que poderia haver duas divindades cujos nomes se assemelhassem e cujos cultos, porém diferissem sensivelmente. Uma dentre elas teria permanecido independente no oeste, enquanto a outra teria sido incorporada a um culto local.

Cerimônias para Nanã Buruku

A população de Tchetti faz parte dos grupos emigrantes de Ifé, em uma época que antecedeu a chagada de Odùduà e que hoje não mais fazem parte de um reino propriamente dito. "Eles se comportam, escreve J. Igué, "como populações asiladas e apresentam uma estrutura social pouco desenvolvida, limitada unicamente ao poder aldeão. Mas, na ausência de Estado, o impacto das religiões tradicionais é muito forte na sociedade e são precisamente os chefes religiosos que garantem a coesão social".
Tivemos oportunidade de assistir, em Tchetti, às danças em honra de Nanã Brukung.
Na noite anterior, realizou-se a vigília. O quadro era impressionante. Algumas pedras grandes, amontoadas no flanco da colina, avançavam sobre a aldeia. Distinguiam-se, ainda confusamente, os tons avermelhados dos telhados de palha e da vegetação amarelada pela seca. Anoitecendo, não se distinguia mais que a primeira fila dos espectadores, levemente iluminados pela luz de lampião e pelas chamas ondulantes de uma fogueira. As pessoas reunidas bebiam muito sèketé, cerveja de milho, e sapalo, cerveja de milho miúdo. Houve danças de caráter profano em que os dançarinos executavam alguns passos rápidos e batiam os pés, com o corpo inclinado pra frente e os cotovelos jogados bem para trás, em movimentos vivos e enérgicos. Os cantos tinham um curioso aspecto de uivos em que as inflexões das vozes subiam e desciam uma oitava em tempos alternados. Um agogô destacava o ritmo, baseado em uma alternância de duas pancadas fortes, seguidas de duas outras mais fracas.
As danças para Nanã Brukung realizaram-se no dia seguinte, ao redor de uma árvore (odan), um fícus que permaneceu verde, produzindo uma sombra fresca no meio da aridez geral da paisagem. Os dançarinos, de idade avançada, faziam evoluções ao som de tambores apinti e de sinos de percussão. Tinham a cabeça raspada e, em volta dela, um círculo foi desenhado com asùn. Manchas brancas foram feitas com efun (giz) sobre a testa e as têmporas. Estavam vestidos com uns panos, presos acima do peito ou enrolados à cintura, deixando os ombros descobertos. Seus braços e pescoço estavam ornados com pulseiras e colares. Todos eles traziam na mão um cajado salpicado de vermelho, no alto do qual fora conservado um pedaço de galho, como os descritos pelo Tenente Conde Zeck em seu relatório sobre Schiari. A dança consistia num lento desfile dos iniciados de Nanã Brukung e parecia rememorar a peregrinação por eles realizada no passado. Iam apoiados em seus batões, andando um pouco de lado, com passos lentos e circunspectos. Os pés tocavam o chão com precaução, suas atitudes imitavam a fadiga de uma longa viagem através das planícies queimadas pelo sol e os canteiros escarpados das montanhas, à volta de Schiari.
Os cantos, cujas letras são em iorubá arcaico (aná), parecem ser alusões a essa provação:
"Arua nona kò jina, a sin wa nona kò jina".
("Enganaram-me dizendo que não longe, acompanhem-me, não é longe.")
Elas param, vez por outra, inclinando-se para frente para saudar e depois arqueiam o corpo para trás.
Neste momento, os que assistem à dança vêm sustenta-los para evitar que caiam. Em seguida, dançam com precaução, a pequenos passos, inclinando-se para a esquerda e para a direita:
"Okè wa kò rigùn, Okè wa yo
Botolé mofo, o ka jodun.
Onilé wa nílé, Alejo wa berena
Binie fun mi mo gba, binie tan mi o nko bere."
[" Para o alto não podemos subir, do alto escorregamos
De volta para casa, não falar (do que se viu). Vamos celebrar a festa do ano.
O proprietário da casa está na casa, o estranho pede caminho. Se Inie me dá, eu tomo. Se Inie recusa, eu não peço."]
Algumas vezes os tambores param e iniciados interrompem também a dança. Fazem uma roda, virada para o centro, e entre as mãos fechadas, uma sobre a outra, estreitam seu cajado, num gesto semelhante ao dos inciados de Nanã Brukung no Brasil.
Constatamos que os oríkì para Nanã Brukung, colhidos em kêto e Abeokutá, cidades situadas na região leste, descrevem bem as suas diversas características definidas para esse culto na região oeste.
"Proprietária de um cajado.
Salpicada de vermelho, sua roupa parece coberta de sangue.
Orixá que obriga os fon a falar nagô.
Minha mãe era inicialmente da região bariba.
Água parada que mata de repente.
Ela mata uma cabra sem utilizar a faca."

Nanã Brukung no Novo Mundo

Nanã Brukung é conhecida no Novo Mundo, tanto no Brasil como em cuba, como a mãe de Obaluaê- Xapanã. É sincretizada com Santana no Brasil e com Nossa Senhora do Carmo ou Santa Teresa em Cuba. Os colares de contas de vidro, usados por aqueles que são consagrados . São na cor branca com lista azuis. Segundo uns, o seu dia é a segunda-feira, justamente com seu filho Obaluaê; segundo outros, é o sábado, ao lado das outras divindades das águas. Seus adeptos dançam com a dignidade que convém a uma senhora idosa e respeitável. Seus movimentos lembram uma andar lento e penoso, apoiado num bastão imaginário que os dançarinos, curvados para a frente, parecem puxar para si. Em certos momentos, viram-se para o centro da roda e colocam seus punhos fechados, um sobre o outro, parecendo segurar um bastão, num gesto semelhante ao que vimos em Tchetti, na África.
Quando Nanã Brukung se manifesta numa de suas iniciadas é saudada pelos gritos de "Salúba!" Fazem-lhe sacrifícios de cabra e galinhas-d´angola, sem utilizar facas, e oferecem-lhe pratos preparados com quiabos, sem azeite, mas bem temperados.
É considerado a mais antiga das divindades das água, não das ondas turbulentas do mar, como iemanjá, ou das águas calmas dos rios, domínio de Oxum, mas das Águas paradas dos lagos e lamacentas dos pântanos. Estas lembram as águas primordiais que Odùduà ou Òrànmíyàn (segundo a tradição de Ifé ou e Oyó) encontrou no mundo quando criou a terra.
Um mito sugere a existência de uma civilização onde Nanã Brukung (confundida com Yemowo, a mulher de Òrìsànlá-Oba-Ìgbó) estaria presente antes da chegada de Odùduà, com Ògún no seu séqüito, impondo a nova civilização do ferro hipótese já sugerida no capítulo precedente.

Arquétipo

Nanã Brukung é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgaram ter a eternidade à sua frente para acabar seus afazeres. Elas gostam das crianças e educam-nas, talves, com excesso de doçura e mansidão, pois têm tendência a se comportarem com a indulgência dos avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem-equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.

Esse texto foi retirado do livro: "Orixás" de Pierre Fatumbí Verger
🎨 Cláudia A.Argoud
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domingo, 25 de junho de 2023

MAÇÃ E CRAVO PARA LIMPEZA DO AMBIENTE

 MAÇÃ E CRAVO PARA LIMPEZA DO AMBIENTE


Pode ser uma imagem de maçã

A maçã é um ótimo receptor de energia, trata-se de algo bem simples, mas muito eficiente para saber como está a energia de sua casa:

Escolha um bom momento do dia, de preferência quando estiver só, relaxe, e comece o processo.

É interessante que, depois de pronta, coloque a maçã em um ponto estratégico de sua casa ou em um altar, caso você o tenha.

Não é aconselhável colocar em cima de geladeiras e microondas por causa das ondas. Acenda um incenso de purificação de ambiente, desses indianos de varetinha, facilmente encontrado em qualquer local.

Pegue uma maça bem bonita e vermelha, espete nela toda cravos da índia e enquanto faz isso, vá mentalizando purificação, limpeza, proteção…

O cravo da índia funciona como retentor de energias negativas e a maçã absorve essas energias, ou seja, os dois juntos funciona como um termômetro.

Vá observando os sinais que essa maçã irá te dar no decorrer dos dias. Se apodrecer rápido ou se sentir um cheiro muito forte do cravo, significa que a energia densa foi absorvida, então jogue a maçã fora (despachando na natureza, no pé de uma árvore, num jardim, num campo florido, em algum lugar limpo da natureza) e limpe sua casa com uma mistura de aguá com folhas de arruda num balde com água e sal grosso. Não tem uma fórmula certa para este desinfetante natural. Molhe o pano nessa água e vá passando pano em sua casa toda, ficando atenta aos cantinhos. Se quiser, borrife essa água nos quatro cantos da casa.

Depois repita a fórmula da maçã, verá como irá durar bem mais tempo antes de apodrecer, isso significa que sua casa está limpa de energias densas. Repita esse processo sempre que quiser.

Caso a maçã tenha um boa durabilidade, significa que sua casa está com uma boa energia e então uma defumação ou mesmo acender varetinhas de incenso de vez em quando é suficiente para manter a casa num bom astral.

GrupoSantaRosário 🌹
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