Alma [latim: anima, do grego: anemos= sopro, emanação, ar] - É o ser imaterial, distinto e individual, unido ao corpo que lhe serve de invólucro temporário, isto é, o Espírito em estado de encarnação.
O vocábulo alma se emprega para exprimir coisas muito diferentes. Uns chamam alma ao princípio da vida e, nesta acepção, se pode com acerto dizer, figuradamente, que a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo. Estas últimas palavras indicam a fonte universal do principio vital de que cada ser absorve uma porção e que, após a morte, volta à massa donde saiu. Essa idéia de nenhum modo exclui a de um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. A esse ser, igualmente, se dá o nome de alma e nesta acepção é que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado.
Dando da alma definições diversas, os Espíritos falaram de acordo com o modo por que aplicavam a palavra e com as idéias terrenas de que ainda estavam mais ou menos imbuídos. Isto resulta da deficiência da linguagem humana, que não dispõe de uma palavra para cada idéia, donde uma imensidade de equívocos e discussões. Eis por que os Espíritos superiores nos dizem que primeiro nos entendamos acerca das palavras. Livro dos Espíritos - questão 139. A alma (psychê) é a personagem humana em seu conjunto de intelecto-emoções, excluído o corpo_enso e as sensações do duplo_etérico. Daí a definição da resposta 134 do "Livro dos Espíritos": "alma é o espírito encarnado", isto é, a personagem humana que habita no corpo denso. SABEDORIA DO EVANGELHO - Carlos Torres Pastorino Esclareceu-me o Instrutor que o estado natural da alma encarnada pode ser comparado, em maior ou menor grau, à hipnose profunda ou à anestesia temporária, a que desce a mente da criatura através de vibrações mais lentas, peculiares aos planos inferiores, para fins de evolução, aprimoramento e redenção, no espaço e no tempo. André Luiz - LIBERTAÇÃO - Francisco Cândido Xavier
ALMA & ESPÍRITO
A fim de apreendermos adequadamente o sentido que se dá à palavra ‘alma’ quando do estudo das obras da codificação Kardequiana, vejamos o que nos foi informado por Kardec a esse respeito, pois os próprios Espíritos lhe disseram respondendo à pergunta 138 em “O Livro dos Espíritos”: Perg.: Que pensar daqueles que consideram a alma como o princípio da vida material? Resp.: É uma questão de palavras que não nos diz respeito. Começai por vos entenderdes a vós mesmos. Também se deve notar que Kardec, no item 2 da Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita contida em “O Livro dos Espíritos”, escreve o seguinte: “Há outra palavra sobre a qual devemos igualmente nos entender, por constituir em si um dos fechos de abóbada (*), isto é, a sustentação de toda a doutrina moral, e que se tornou objeto de muitas controvérsias por falta de um significado que a defina com precisão determinada. É a palavra alma.”. No entanto, em conformidade com o que se lê nas respostas às perguntas 134; 134a e 134b, é comum nos centros espíritas ouvir-se os confrades definirem a alma como sendo ‘um Espírito encarnado’ sem maiores explicações e sem levar em conta que, como lembrou Kardec: “filosoficamente, porém, é essencial estabelecer-se a diferença” (O Principiante Espírita – item 14, que segue, na íntegra): “14. A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; a alma e o perispírito sem o corpo constituem o ser chamado espírito”. A alma é assim um ser simples, o Espírito um ser duplo, e o homem um ser triplo. “Seria mais justo reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra espírito para o ser semimaterial formado deste princípio e do corpo fluídico; porém, como não se pode conceber o princípio inteligente isolado de toda a matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e espírito são, no uso, indiferentemente tomadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, assim como se diz que uma cidade é povoada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; filosoficamente, porém, é essencial estabelecer-se a diferença” (sublinhado nosso). Já no comentário que tece com referência à resposta dada pelos Espíritos na pergunta 139 em “O Livro dos Espíritos”, Kardec comenta: “A palavra alma é empregada para exprimir coisas muito diferentes. Uns chamam alma o princípio da vida, e com esse entendimento é exato dizer, em sentido figurado, que a alma é “uma centelha anímica emanada do grande Todo”. Essas últimas palavras indicam a fonte universal do princípio vital do qual cada ser absorve uma porção que, depois da morte, retorna à massa. Essa idéia não exclui a de um ser moral distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. É esse ser que se chama, igualmente, alma, e é nesse sentido que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado. Ao dar à alma definições diferentes, os Espíritos falaram conforme a idéia que faziam da palavra de acordo com as idéias terrestres de que ainda estavam mais ou menos imbuídos. Isso decorre da insuficiência da linguagem humana, que não tem uma palavra para cada idéia, gerando uma infinidade de enganos e discussões. Eis por que os Espíritos superiores nos dizem que nos entendamos primeiro acerca das palavras”. Léon Denis observa: “Chamamos Espírito à alma revestida do seu corpo fluídico. A alma é o centro de vida do perispírito, como este é o centro de vida do organismo físico. Ela que sente, pensa e quer; o corpo físico constitui, com o corpo fluídico, o duplo organismo por cujo intermédio ela atua no mundo da matéria”. (Cristianismo e Espiritismo – FEB 10ª edição)
Observação:
Assim como a palavra alma, outras que usamos comumente, como as deste artigo, necessitam ser estudadas com mais profundidade e cautela para ampliarmos o nosso entendimento. Kardec, em sua agudeza de espírito e profundo senso de honestidade para consigo mesmo e para com os demais, procurou fugir destes conflitos buscando a clareza em suas colocações. Nós nem sempre conseguimos acompanhar-lhe o espírito procurando agir da mesma forma. (tarefa difícil e que tem causado tantas divisões dentro e entre grupos e pessoas). Em última análise cada um de nós acaba por desenvolver uma ‘idéia’ ou ‘percepção pessoal’ do significado das palavras e com o tempo até produzir novas definições para as mesmas, modificando o sentido original de quem as empregou. Desta forma os Espíritos nos alertam sobre a questão das palavras para que nos entendamos claramente em nossas comunicações. Exemplo de palavras que pedem um estudo mais acurado para tentarmos captar o sentido empregado pelos Espíritos: pensamento; vontade; consciência; fluido; humanidade; corpo, saúde, etc. Bibliografia: Kardec, Allan - “O Livro dos Espíritos”; “O que é o Espiritismo”; “O Principiante Espírita”. Denis, Léon - “Cristianismo e Espiritismo”; “Depois da Morte”. Zimmermann, Zalmino - “Perispírito” 2ª Edição Revista e Ampliada. Teosofia: Na Teosofia, a alma é associada ao 5º princípio do Homem, Manas, a Alma Humana ou Mente Divina. Manas é o elo entre o espírito (a díade Atman-Budhi) e a matéria (os princípios inferiores do Homem). Assim, a constituição sétupla do Homem, aceita na Teosofia, adapta-se facilmente a um sistema com três elementos: Espírito, alma e corpo. Sendo a alma o elo entre o Espírito e o corpo. MANAS Na teosofia, Manas (da raiz do sânscrito, man, pensar), é o reflexo do 5º princípio na constituição setenária do Homem e é de natureza dual. Manas na sua essência mais elevada (Manas superior) é o "pensador" em nós, nossa verdadeira e divina mente, o Ego humano (não confundir com o ego definido pela psicologia). Manas inferior é definido como corpo mental que tem a tendência de se aliar ao desejo (Kama). Manas tem a função de unir a parte animal (quaternário inferior, formado por Kâma Rupa, Prâna, Linga Sharira e Sthula Sharira) à Atman-Budhi - a parte espiritual. Manas é dividido em Manas superior e Manas inferior, unidos pelo Antahkarana. De acordo com os escritos rosacrucianos de Max Heindel, a mente é a ultima aquisição do espírito humano e está associado à Região do Pensamento Concreto (inferior) do Mundo do Pensamento (Plano mental na teosofia); enquanto que na Região do Pensamento Abstracto (superior) se localiza o 3º aspecto do tríplice Ego (Espírito, Eu Superior ou Centelha Divina), designado por Espírito Humano. A mente não é ainda um corpo organizado e na maior parte dos indivíduos é uma espécie de nuvem disposta na região da cabeça. A mente funciona como o link ou focus entre o tríplice espírito e o tríplice corpo, mas como uma reflexão invertida. Heindel refere que para o clarividente treinado parece haver um espaço vazio no centro da testa imediatamente a seguir e entre as sobrancelhas; esse espaço parece como a parte azul de uma chama de gás, mas nem o mais dotado clarividente pode penetrar nesse véu, também designado por "O Véu de Isís".
Fonte: Wikipédia
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