domingo, 4 de dezembro de 2022

A Luta contra o Mal

 

A Luta contra o Mal




Por Humberto de Campos

De todas as ocorrências da tarefa apostólica, os encontros do Mestre com os endemoninhados constituíam os fatos que mais impressionavam os discípulos.

A palavra “diabo” era então compreendida na sua justa acepção. Segundo o sentido exato da expressão, era ele o adversário do bem, simbolizando o termo, dessa forma, todos os maus sentimentos que dificultavam o acesso das almas à aceitação da Boa Nova e todos os homens de vida perversa, que contrariavam os propósitos da existência pura, que deveriam caracterizar as atividades dos adeptos do Evangelho.

Dentre os companheiros do Messias, Tadeu era o que mais se deixava impressionar por aquelas cenas dolorosas. Aguçavam-lhe, sobremaneira, a curiosidade de homem os gritos desesperados dos espíritos malfazejos, que se afastavam de suas vitimas sob a amorosa determinação do Mestre Divino. Quando os pobres obsidiados deixavam escapar um suspiro de alívio, Tadeu volvia os olhos para Jesus, maravilhado de seus feitos.

Certo dia em que o Senhor se retirara, com Tiago e João, para os lados de Cesaréia de Filipe, uma pobre demente lhe foi trazida, a fim de que ele, Tadeu, anulasse a atuação dos Espíritos perturbadores que a subjugavam. Entretanto, apesar de todos os esforços de sua boa-vontade, Tadeu não conseguiu modificar a situação. Somente no dia imediato, ao anoitecer, na presença confortadora do Messias, foi possível à infeliz dementada recuperar o senso de si mesma.

Observando o fato, Tadeu caiu em sério e profundo cismar. Por que razão o Mestre não lhes transmitia, automaticamente, o poder de expulsar os demônios malfazejos, para que pudessem dominar os adversários da causa divina? Se era tão fácil a Jesus a cura integral dos endemoninhados, por que motivo não provocava ele de vez a aproximação geral de todos os inimigos da luz, a fim de que, pela sua autoridade, fossem definitivamente convertidos ao reino de Deus? Com o cérebro torturado por graves cogitações e sonhando possibilidades maravilhosas para que cessassem todos os combates entre os ensinamentos do Evangelho e os seus inimigos, o discípulo inquieto procurou avistar-se particularmente com o Senhor, de modo a expor-lhe com humildade suas idéias íntimas.

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Numa noite tranqüila, depois de lhe escutar as ponderações, perguntou-lhe Jesus, em tom austero:

– Tadeu, qual o principal objetivo das atividades de tua vida?

Como se recebesse uma centelha de inspiração superior, respondeu o discípulo com sinceridade:

– Mestre, estou procurando realizar o reino de Deus no coração.

– Se procuras semelhante realidade, por que a reclamas no adversário em primeiro lugar? Seria justo esqueceres as tuas próprias necessidades nesse sentido? Se buscamos atingir o infinito da sabedoria e do amor em Nosso Pai, indispensável se faz reconheçamos que todos somos irmãos no mesmo caminho!...

– Senhor, os espíritos do mal são também nossos irmãos? – inquiriu, admirado, o apóstolo.

– Toda a criação é de Deus. Os que vestem a túnica do mal envergarão um dia a da redenção pelo bem. Acaso, poderias duvidar disso? O discípulo do Evangelho não combate propriamente o seu irmão, como Deus nunca entra em luta com seus filhos; aquele apenas combate toda manifestação de ignorância, como o Pai que trabalha incessantemente pela vitória do seu amor, junto da humanidade inteira.

– Mas, não seria justo – ajuntou o discípulo, com certa convicção –  convocarmos todos os gênios malfazejos para que se convertessem à verdade dos céus?

O Mestre, sem se surpreender com essa observação, disse:

– Por que motivo não procede Deus assim?... Porventura, teríamos nós uma substância de amor mais sublime e mais forte que a do seu coração paternal? Tadeu, jamais olvidemos o bom combate. Se alguém te convoca ao labor ingrato da má semente, não desdenhes a boa luta pela vitória do bem, encarando qualquer posição difícil como ensejo sagrado para revelares a tua fidelidade a Deus. Abraça sempre o teu irmão. Se o adversário do reino te provoca ao esclarecimento de toda a verdade, não desprezes a hora de trabalhar pela vitória da luz; mas segue o teu caminho no mundo atento aos teus próprios deveres, pois não nos consta que Deus abandonasse as suas atividades divinas para impor a renovação moral dos filhos ingratos, que se rebelaram na sua casa. Se o mundo parece povoar-se de sombras, é preciso reconhecer que as leis de Deus são sempre as mesmas, em todas as latitudes da vida.

É indispensável meditar na lição de Nosso Pai e não estacionar a meio do caminho que percorremos. Os inimigos do reino se empenham em batalhas sangrentas? Não olvides o teu próprio trabalho. Padecem no inferno das ambições desmedidas? Caminha para Deus. Lançam a perseguição contra a verdade? Tens contigo a verdade divina que o mundo não te poderá roubar, nunca. Os grandes patrimônios da vida não pertencem às forças da Terra, mas às do Céu. O homem, que dominasse o mundo inteiro com a sua força, teria de quebrar a sua espada sangrenta, ante os direitos inflexíveis da morte. E, além desta vida, ninguém te perguntará pelas obrigações que tocam a Deus, mas, unicamente, pelo mundo interior que te pertence a ti mesmo, sob as vistas amoráveis de Nosso Pai.

Que diríamos de um rei justo e sábio que perguntasse a um só de seus súditos pela justiça e pela sabedoria do reino inteiro? Entretanto, é natural que o súdito seja inquirido acerca dos trabalhos que lhe foram confiados, no plano geral, sendo também justo se lhe pergunte pelo que foi feito de seus pais, de sua companheira, de seus filhos e irmãos. Andas assim tão esquecido desses problemas fáceis e singelos? Aceita a luta, sempre que fores julgado digno dela e não te esqueças, em todas as circunstâncias, de que construir é sempre melhor.

Tadeu contemplou o Mestre, tomado de profunda admiração. Seus esclarecimentos lhe caíam no espírito como gotas imensas de uma nova luz.

– Senhor – disse ele –, vossos raciocínios me iluminam o coração; mas, terei errado externando meus sentimentos de piedade pelos espíritos malfazejos? Não devemos, então, convocá-los ao bom caminho?

– Toda intenção excelente –  redargüiu Jesus –  será levada em justa conta no céu, mas precisamos compreender que não se deve tentar a Deus. Tenho aceitado a luta como o Pai ma envia e tenho esclarecido que a cada dia basta o seu trabalho. Nunca reuni o colégio dos meus companheiros para provocar as manifestações dos que se comprazem na treva; reuni-os, em todas as circunstâncias e oportunidades, suplicando para o nosso esforço a inspiração sagrada do Todo-Poderoso. O adversário é sempre um necessitado que comparece ao banquete das nossas alegrias e, por isso, embora não o tenha convocado, convidando somente os aflitos, os simples e os  de boa-vontade, nunca lhe fechei as portas do coração, encarando a sua vinda como uma oportunidade de trabalho, de que Deus nos julga dignos.

O apóstolo humilde sorriu, saciado em sua fome de conhecimento, porém acrescentou, preocupado com a impossibilidade em que se via de atender eficazmente à vítima que o procurara:

– Senhor, vossas palavras são sempre sábias; entretanto, de que necessitarei para afastar as entidades da sombra, quando o seu império se estabeleça nas almas?!...

– Voltamos, assim, ao início das nossas explicações – retrucou Jesus —, pois, para isso, necessitas da edificação do reino no âmago do teu espírito, sendo este o objetivo de tua vida. Só a luz do amor divino é bastante forte para converter uma alma à verdade. Já viste algum contendor da Terra convencer-se sinceramente tão-só pela força das palavras do mundo? As dissertações filosóficas não constituem toda a realização. Elas podem ser um recurso fácil da indiferença ou uma túnica brilhante, acobertando penosas necessidades. O reino de Deus, porém, é a edificação divina da luz. E a luz ilumina, dispensando os longos discursos. Capacita-te de que ninguém pode dar a outrem aquilo que ainda não possua no coração. Vai! Trabalha sem cessar pela tua grande vitória. Zela por ti e ama a teu próximo, sem olvidares que Deus cuida de todos.

Tadeu guardou os esclarecimentos de Jesus, para retirar de sua substância o mais elevado proveito no futuro.

No dia seguinte, desejando destacar, perante a comunidade dos seus seguidores, a necessidade de cada qual se atirar ao esforço silencioso pela sua própria edificação evangélica, o Mestre esclareceu aos seus apóstolos singelos, como se encontra dentro da narrativa de Lucas: – “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando, e não o achando diz: – Voltarei para a casa donde saí; e, ao chegar, acha-a varrida e adornada. Depois, vai e leva mais sete Espíritos piores do que ele, que ali entram e habitam; e o último estado daquele homem fica sendo pior do que o primeiro.”

Então, todos os ouvintes das pregações do lago compreenderam que não bastava ensinar o caminho da verdade e do bem aos Espíritos perturbados e malfazejos; que indispensável era edificasse cada um a fortaleza luminosa e sagrada do reino de Deus, dentro de si mesmo.
 
Página psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, constante do cap. 7 do livro Boa Nova.


Comentário: O Céu e o Inferno estão na consciência do Espírito.

O bem e o mal é criado na mente. O homem viverá num Inferno se arrastado por sua visão turva, vibrar no ódio, na mágoa, nos desafetos, na calúnia, na injúria, na crítica ferrenha.

O homem  encontrará um inimigo em cada pessoa que lhe estende a mão, e agirá de acordo com suas criações mentais. Não raro está obsediado e não percebe.

Homens assim aprisionam a sua mente, são cegos, amargam a solidão, por não saberem conviver, ´para eles todos são traidores, hipócritas, odientos , menos elas que são eternas vítimas dos algozes que criam com suas elucubrações mentais.

Vivem da idolatria ao ódio, não tem meio termo. Não raro sucumbem em vícios para fugir a realidade criada. Refletem seus sentimentos nos outros numa profundo desiquilíbrio.
Não há quem os satisfaçam, é impossível, porque por mais que sejam gostados e admirados, sempre vão achar que não é amizade nem amor, que é interesse as vezes por coisas até infantis e supérfluas que  super valorizam e se apegam, por não conseguirem enxergar nem seus próprios valores e capacidade de despertar afeto.

Esse é o mal do homem, é a ausência de enxergar o bem, é a desconfiança paranóica por tudo e por todos.

Portanto a luta contra o bem e o mal é intima, cada um escolhe o que quer viver e a companhia  que quer atrair espiritualmente.

O Céu e o Inferno estão no mesmo Lugar

 

O Céu e o Inferno estão no mesmo Lugar

Apesar de renegada pela maioria dos novos cristãos, principalmente os espíritas e espiritualistas, a Bíblia Sagrada é o livro mais importante para qualquer ser humanizado que siga os ensinamentos de Cristo, pois o próprio mestre disse:

Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles e sim dar o verdadeiro sentido deles. (Mateus – Capítulo 05 – Versículo 7)

Ao longo de toda a sua pregação Cristo não só seguiu o que ensinaram os profetas do antigo testamento como afirmou que muita coisa do que vivia era necessário acontecer para que o que estava profetizado acontecesse. Se ele submeteu-se a estas leis, se ele acreditou no que foi ensinado antes, porque os novos cristãos não a seguem? Não saberia explicar...

Acho que isso acontece porque muitos destes novos cristãos não entendem a Bíblia, não a conhecem direito. Por este motivo vou tentar jogar um pouco de luz sobre o que está neste livro sagrado.

A Bíblia começa com a parábola de Adão e Eva. Este casal simboliza os primeiros espíritos criados por Deus no Universo. Eles viviam no paraíso, ou seja, no plano espiritual superior, onde tinham tudo o que precisavam para a sua existência. Lá eles podiam transitar livremente e alimentar-se de todas as coisas, com exceção de um fruto, aquele que nascia da árvore que ficava no meio do paraíso: o fruto da árvore do conhecimento...

Qual o fruto da árvore do conhecimento? O saber... Sempre que um ser acredita naquilo que toma conhecimento (alimenta-se do fruto desta árvoreimagina saber alguma coisa. Portanto, o saber é o fruto que os espíritos que vivem no plano superior não podem usar para alimentar-se.

Mas, a que saber estou me referindo? Para explicar com a palavra a cobra, ‘que era o animal mais esperto que o Deus Eterno havia feito’.

Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão e vocês serão como Ele, conhecendo o bem e o mal. (Gênesis – Capítulo 03 – Versículo 05).

É este saber que estou me referindo: o saber distinguir o bem do mal, o certo do errado, o bonito do feio. Quando o ser humanizado acredita poder distinguir o que é certo do que é errado, o que é bom do que é mal, simbolicamente se transforma naquele que come a maçã, ou seja, comete o pecado original.

Sendo isso verdade e estando os espíritos num mundo de provação, podemos, então, compreender que esta prova se refere a ter o saber ou abrir mão dele. Para que o espírito execute a sua prova, então, é preciso que até hoje a cobra esteja presente neste mundo oferecendo a cada momento o fruto proibido (os códigos que determinam o que é certo ou errado, bom ou mal) para que o ser universal possa fazer a sua opção: fechar seus olhos (deixar de ter certeza do que é bonito ou feio). Sendo assim, a cobra de hoje são as próprias doutrinas religiosas, os códigos morais, de ética ou comportamental que servem como guia para os seres humanizados distinguirem o bom do mal, o certo do errado. Libertar-se deles, ou seja, não utilizá-los para julgar o mundo, é, portanto, o objetivo da encarnação no mundo de provas e expiações.

Mas, isso não deve ser feito com o objetivo de ganhar qualquer coisa, inclusive a elevação espiritual, a volta ao paraíso. O ser que busca se libertar destes códigos deve fazê-lo pelo reconhecimento de que não é igual a Deus, ou seja, não possui o mesmo poder de compreensão das coisas universais que Ele possui e não para ganhar qualquer coisa.

Aí está a provação do espírito e como ela pode ser vencida: reconhecer que os códigos de leis que regem a convivência humana são apenas fruto da árvore proibida e libertar-se de se alimentar deles através da aceitação de que apenas Deus tem o poder de conhecer o bem e o mal. Quando age assim o ser universal demonstra que reconhece no Pai a ascensão moral que Ele possui.

Aqueles que executam este trabalho vão para o Reino do Céu, ou seja, retornam ao paraíso, enquanto que aqueles que não fazem isso permanecem no reino onde se nasce e morre. Este lugar é o próprio planeta onde estão encarnados.

Na Bíblia encontramos a referência ao castigo àquele que continua comendo a maçã, ou seja, continua sabendo distinguir o bem do mal: eles vão para o inferno. Ora, este castigo é permanecer encarnado, isso quer dizer que o planeta onde os espíritos cumprem a pena por saber é aquele em estão encarnando. No caso dos terráqueos, a Terra...

Sim, a Terra para os seres universais que estão no processo de encarnação para provas e expiações é o próprio inferno... Nenhum espírito que continuar praticando o pecado original durante a sua encarnação irá para o inferno ou umbral como os espíritas chama o inferno, quando desencarnarem: apenas continuarão presos ao orbe terrestre.

O umbral ou inferno não está no céu ou abaixo dele, mas no próprio orbe terrestre. E aquele que persistir em atender a tentação da cobra continuará preso aqui.

É para ajudar na luta do espírito para realizar suas provações durante as suas encarnações que a Bíblia Sagrada, tanto o novo quanto o velho testamento, foi escrita. Ela contém ensinamentos que se transformam em caminho para aqueles que querem deixar de se alimentar do fruto proibido: o saber distinguir entre o bem e o mal. A cada trecho, seja ele ditado pelos profetas, apóstolos ou pelo próprio Cristo, a Bíblia traça um caminho que se seguido levará o ser universal a retornar ao paraíso.

Mas, como é descrito na Bíblia o céu, o paraíso, o lugar onde aqueles que conseguirem se libertar da tentação da cobra? Como a Nova Jerusalém.

Se o livro Gênesis mostra o início de tudo e as páginas internas mostram o caminho a ser seguido, o Apocalipse, o último livro da Bíblia, faz um resumo dos acontecimentos do mundo de provas e expiações no planeta Terra e termina falando do lugar onde viverão os espíritos se percorrerem todos os ensinamentos bíblicos.

Vamos conhecer um pouco da Nova Jerusalém ou o Reino do Céu como mostrado a João pelos anjos.

Um dos sete anjos que tinham as sete taças das últimas sete pragas veio e me disse:

- Venha e eu lhe mostrarei a Noiva, a Esposa do Cordeiro.
Então o Espírito de Deus me dominou e o anjo me levou para uma montanha muito alta. Ele me mostrou Jerusalém, a Cidade Santa, que descia do céu e vinha de Deus, brilhando com a glória Dele. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 09 a 11).

A figura da Nova Jerusalém acontece no final da Bíblia Sagrada. Ele é descrita como o lugar onde conseguirão chegar àqueles que seguirem os ensinamentos dos mestres, apóstolos e profetas. Aqueles que por reconhecimento da ascensão moral do Senhor desistem de querer ser, estar ou fazer qualquer coisa baseado no seu saber.

Mas, qual a característica deste lugar é descrita na Bíblia?

Não vi nenhum templo na cidade, pois o seu Templo é o Senhor, o Deus Todo Poderoso e o Cordeiro. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 22).

Eis aí a primeira característica da Nova Jerusalém. Ela não precisa de intermediários entre os seres universais e Deus, pois o templo do paraíso é o próprio Deus. Mais uma vez voltamos à questão do reconhecimento da ascensão moral de Deus que leva à desistência de ter os olhos abertos e com isso saber distinguir entre o bem e o mal.

No mundo espiritual os espíritos não aceitam ser dirigidos por nenhum outro ser, a não ser o próprio Deus. Dirigido no sentido de dizer o que é certo ou errado. Tanto faz se estes sejam leigos ou religiosos: os espíritos aceitam apenas aquilo que Deus diz e faz. Eles submetem-se àquilo que Deus dá, sem concordar ou discordar com o que o Senhor faz fundamentados em códigos de regras traçados por outros seres humanizados.

A cidade não precisa de sol nem de lua para a iluminarem, pois a glória de Deus brilha sobre ela e o Cordeiro é a sua própria luz. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 23).

Mais uma vez a compreensão de João, aquele que escreveu o Apocalipse, nos leva a entender que não há nada artificial na existência daqueles que conseguirem chegar ao fim da Bíblia, ou seja, ao final do seu processo de provas e expiações: tudo se origina em Deus. Viver a partir de Deus, ou seja, viver dando ao Pai o primeiro lugar em tudo: este é o destino daquele que consegue trilhar os caminhos deixados pelos apóstolos, profetas e por Cristo.

Para alcançá-lo é preciso seguir o que João diz que é feito por aqueles que vivem na Nova Jerusalém:

Os povos do mundo andarão na sua luz e os reis da terra vão lhe trazer as suas riquezas. (Apocalipse – Capítulo 21 – Versículo 24).

Para se viver na Nova Jerusalém é preciso que o ser universal ao longo de suas encarnações leve a Deus toda a sua riqueza. Que riqueza maior pode possuir um ser do que aquilo que ele crê? Todos os seus bens materiais podem ser tomados ou se deterioram com o passar do tempo, mas aquilo que cada um acredita jamais pode ser roubado ou tomado. Por isso é a maior riqueza que um ser possui...

Doe todo o seu saber a Deus, ou seja, entregue para Ele toda a sabedoria que pode haver e com isso você poderá viver na Nova Jerusalém.

O trono de Deus estará na cidade e os seus servos o adorarão. Eles verão o seu rosto e o nome Dele será escrito nas suas testas. Ali não haverá mais noite e não precisarão mais de lamparinas nem da luz do sol porque o Senhor Deus será a luz deles e eles reinarão para sempre. (Apocalipse – Capítulo 22 – versículo 03 a 05).

Portanto, quem se liberta de todo o seu saber não possui mais critérios para julgar o próximo. Com isso fecha os seus olhos, ou seja, não percebe mais nada de bom ou mal, certo ou errado, e devolve o poder exclusivo de Deus a Ele. Com isso entra na Nova Jerusalém, ou seja, vai para o paraíso.

Mas, onde é que se localiza a Nova Jerusalém? Relembremos o que o anjo mostrou a João: “Ele me mostrou Jerusalém, a Cidade Santa, que descia do céu e vinha de Deus”... A Nova Jerusalém descia do céu sobre a própria Terra. Ou seja, o paraíso é aqui mesmo...

Foi isso que Cristo ensinou através do Evangelho de Tomé:

“003. Jesus disse: Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza.”

O Reino de Deus está dentro de cada um. A Nova Jerusalém precisa ser construída dentro de cada um através da doação do bem de maior valor que cada um possui: as suas verdades, os códigos que usa para julgar o próximo.

Assim como o inferno é aqui, o paraíso também é aqui. Inferno e paraíso não são lugares para onde o espírito irá depois das encarnações, mas um elemento do interior de cada um: estados de espírito, uma forma como se vivencia a vida carnal. Aquele que tem seus olhos abertos e se julga capaz de distinguir o bem do mal vive o inferno; aquele que coloca Deus antes de todas as coisas entregando, assim, o poder de julgar a Ele, vive o céu.

O paraíso é aqui, mas ele só será achado quando vocês entregarem o comando a Deus. Enquanto estiverem comendo o fruto da árvore proibida, ou seja, acharem que possuem o poder de ser o deus (aquele que pode julgar o bem e o mal das coisas) da sua e da vida dos outros, viverão o inferno.

Aqui pode ser o céu e o inferno: depende apenas de como cada um vivencia a sua existência carnal.

Vivam EM Deus, POR Deus e PARA Deus.


Fonte: http://espiritualismoespiritualista.blogspot.com.br

sábado, 3 de dezembro de 2022

SOMOS SERVOS DA LUZ OU DAS TREVAS?

 

SOMOS SERVOS DA LUZ OU DAS TREVAS?



  No outro dia, estive trocando idéias sobre se somos servos da Luz ou servos das Trevas. Como é que sabemos, mesmo, lá dentro de nós, para onde vamos quando estamos dormindo, se não temos plena consciência do lugar para onde vamos! E o nosso companheiro de batalhas ao nosso lado, a qual banda pertence?
Quando estamos encarnados, torna-se difícil entender se estamos de um lado, de outro ou de nenhum lado, em cima do muro. Estamos todos caminhando lado a lado, disputando dia a dia, não uns contra os outros, mas disputando conosco mesmos. Eu estou disputando comigo mesmo, tentando definir de qual lado eu estou. É uma tarefa muito difícil, pois os obstáculos surgem no cotidiano, a todos os momentos, todos os dias.
As situações surgem, a ocasião faz o ladrão, dizem. São armadilhas que nos pregam, são testes aos quais somos submetidos, em todos os momentos. E lá está, quando menos esperamos.
Como encarnados, somos desatentos, acreditamos que todos os pensamentos que vêm à nossa mente são nossos. Grande erro! Boa parte deles pode ser, na verdade, sugestões externas, provindos de espíritos que nos acompanham. – Dos dois lados! Abaixo os maus pensamentos. Dê atenção somente às boas sugestões.
O espírito, quando desencarnado, não muda, se foi bom, continuará bom e seguirá para esferas mais elevadas. Se foi ruim, continuará ruim, com um agravante: ficará na crosta do planeta ou irá para o Umbral, ou para as trevas. Ele agora terá mais tempo para exercer a sua tendência.
ORAI E VIGIAI!
Dizem os mentores, que nos locais onde nos reunimos para trabalhos espirituais, metade são de um lado, metade são do outro. Quando sai um das trevas, entra outro. Quando entra um da luz, acaba entrando outro das trevas. Assim, o equilíbrio se mantém. Os da Luz são provados, os das Trevas são provados. Então todos nós estamos sendo provados. Acredito que eles fazem referência às nossas tendências mais profundas, aquelas que nem nós mesmos fazemos questão de examinar.
Vai ser difícil mesmo é para quem fica em cima do muro. Nenhum dos lados vai querer ficar com estes. Mas fica difícil definirmos se nós estamos em cima do muro.
Em Mateus, Capítulo 22, Versículos 28 a 32, Jesus contou a parábola dos dois filhos, um era malcriado e respondão, mas depois entendia, voltava atrás, e fazia como o pai havia pedido, com a maior boa vontade. O outro era bonzinho, educado, respondia direitinho ao pai, só que não fazia nada conforme havia dito que faria.
No mundo em que vivemos, nem sempre a coisa aparece tão nítida assim, pois acontecem devagarinho, passo a passo. De repente, o filho que se fazia de bonzinho, começa a fingir que faz como o pai desejava. Arruma intriga com um, prega peças num outro, magoa um terceiro, desmancha o serviço de um quarto, a um quinto dá ordens erradas, e por aí afora. Às vezes, ele apronta só uma de cada vez, dá um tempo, apronta outra. E por aí vai.
Isso já me cansei de ver em centro espírita. Um médium trabalha bem, mas quando outro vai ajudá-lo, maltrata e magoa o ajudante. Se esse segundo é de boa índole, sofre em silêncio a humilhação e faz conforme deseja o primeiro. Quando chega em casa, sente uma dor no peito e chora. Pensa em largar tudo. Talvez o ideal fosse que ele bronqueasse logo de cara, assim as coisas se acertariam sem demora. Mas provas são provas. Por quais delas estamos passando?
Tem o outro que dirige trabalhos, incorpora espíritos de cura, orienta pessoas, lê o evangelho, mas quando dorme, apenas põe a cabeça no travesseiro, o seu corpo astral sai todo lépido para mais uma noitada na casa de massagem, senão para lugar pior. Acorda cansado, nem se recorda do que fez.
Outra ainda, por inveja, ciúme ou sei lá o que, dirige palavras ásperas à vidente que conta o que se passava com o paciente. A vidente engole em seco e a partir daí deixa de esclarecer a todos os participantes. E assim por diante.
Nós vivemos em um mundo de ilusões, quem somos nós realmente? O que acontece conosco quando estamos libertos do corpo físico? Aí sim, no Astral, somos quem realmente somos, com todos os nossos defeitos e qualidades. Com certeza, ajudará bastante se quando formos dormir, orarmos e pedirmos que sejamos levados a lugares de estudos ou de auxílio, para que finalmente sejamos afastados dos males, vícios e más companhias.
Quando voltamos a vestir de novo o corpo carnal e acordamos, voltamos anestesiados, nos esquecemos da nossa verdadeira personalidade e vivemos um papel, uma ilusão. E nem sabemos mais de qual lado do muro nós estamos. Talvez estejamos todos em cima do muro.
Qual a resposta para tudo isso? Se, quando nós estivermos despertos no mundo físico, lutarmos contra os nossos sentimentos mesquinhos como a intriga, o orgulho, a inveja, a crítica mordaz, o ciúme e tantos outros vícios de postura, estaremos sim trabalhando na nossa reforma íntima. Não só parecendo bonzinhos, mas sendo realmente bonzinhos, obedecendo ao Pai, ou ainda, sendo menos agressivos como o primeiro filho, da historia acima, mas ainda assim, em obediência.
Pois então, se nós, estamos todos trabalhando para a Luz, de um jeito ou de outro, vamos tentar, ao menos, harmonizar aquilo que somos, tanto dormindo como acordados. É necessário ser vigilante, fazer o bem, coisas construtivas, pois a Lei de Causa e Efeitos é clara: Se você fizer o bem, receberá coisas boas. Colheremos aquilo que semearmos.
Jesus ainda nos deixou os dois maiores mandamentos: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
E que a Paz do Senhor esteja sempre conosco.
Escrito por: Ricardo Placa-Lar Assistencial Rubataiana

O Poder da Irradiação

 

O Poder da Irradiação



Conforme o dicionário, é o ato ou efeito de emitir ondas, lançar raios de luz ou de calor, ou vibrações.
Em termos de Espiritismo a definição para irradiação é: Transmissão de fluidos espirituais à distância.
No processo da irradiação, transmitimos aos outros, pelo mecanismo da força mental, a carga de força vital que dispomos para doar.  A irradiação se faz à distância, projetando o nosso pensamento e sentimentos em favor de alguém, movimentando as forças psíquicas através da vontade.
A pessoa que irradia deve cultivar bons sentimentos, bons pensamentos e bons atos. Isto vai lhe formando uma "atmosfera espiritual" positiva, criando uma tonalidade vibratória e uma quantidade de fluidos agradáveis e salutares que poderão ser dirigidos através da vontade para outras pessoas.
A pessoa que irradia deve focalizar mentalmente o paciente para quem quer fazer a irradiação e transmitir, através do sentimento, aquilo que deseja: paz, conforto, coragem, saúde, equilíbrio, paciência etc.
Irradiação é a projeção do pensamento e do sentimento, que são energias que conseguimos exteriorizar de nós mesmos. Cada cérebro pode emitir vibrações de alta ou baixa freqüência, de acordo com os pensamentos constantes.
 Irradiamos todos nós através dos nossos pensamentos, sentimentos, palavras e atos.
Essa energia que emitimos continuadamente forma nosso hálito mental e se propaga ao nosso derredor. Essas energias têm reflexos sobre nós mesmos e sobre as pessoas que convivem conosco, os que estão distanciados e todos os seus do ambiente em que vivemos. 
 Nos processos de irradiação, o seareiro, pela ação de sua vontade dirigida, transmite aos outros as suas energias vitais, que são imediatamente repostas pela absorção e metabolização automática das energias do ambiente pelos centros de força (chacras).
Na irradiação, a pessoa, aplicando pensamento e vontade acelera essa absorção-metabolização  de energias vitais e espirituais direcionando-as para aquele que as receberá.
Os fluidos ou energia, se submetem à lei das proporções, isto é, cada um de nós movimenta uma certa quantidade relativa dessas forças, que podem ser ajuntadas com as dos espíritos, proporcionalmente, sendo então carreadas para o seu objetivo. Devemos focalizar o nosso pensamento, restringindo-o a uma certa área, pessoa ou grupo de pessoas, para que ele seja o sustentáculo dessa mesma força. Isto quer dizer que a nossa irradiação deve focalizar alguém, alguns ou uma situação determinada, cientes de que os pedidos feitos genericamente em favor de todos os necessitados não alcançam objetivamente os seus fins. Apenas valem pela intenção. O potencial movimentado é aplicado de acordo com o mérito de cada um. Isto é, não é pelo fato de alguém pedir excessivamente em favor de alguém que conseguirá o seu fim. A pessoa que irradia deve inicialmente concentrar-se; orar em seguida, e depois, pela vontade, focalizar o objeto de sua irradiação e transmitir aquilo que se deseja.

Endereço vibratório
Todas as nossas ações e atitudes refletem as nossas disposições mentais e emocionais. Quando escrevemos ou ditamos para que seja escrito, não apenas alinhamos no papel nossas idéias, mas são grafadas também nossas disposições íntimas. Isso significa que podemos escrever com a luz dos sentimentos nobres ou com as tintas escuras do negativismo. No momento em que adicionamos o nome de alguém para irradiação, aquele nome estará impregnado da energia de quem solicitou a irradiação, pois certamente, quem deseja ajudar estará com o pensamento em quem ele quer ajudar no momento da inscrição do nome. Isto criará o endereço vibratório.
O importante, no momento da escrita, é que alguém esteja mentalizando o paciente para se criar o endereço vibratório. Os espíritos que vão atuar neste processo fazem a localização do paciente através do “endereço vibratório”, não sendo essencial se anotar o endereço. A leitura dos nomes de necessitados e os respectivos endereços são necessários somente para que os médiuns criem uma imagem mental.
O “endereço vibratório” guia os espíritos, assim como os policiais que fazem o cão treinado cheirar algo do fugitivo para encontrá-lo. Se o número de necessitados é muito grande, podemos reuni-los em grupos de dez ou mais e numerar esses grupos e, ao invés de nomes, enunciar os grupos pelos respectivos números, ou ainda, suprimir tal enunciação, somente conservando sobre a mesa os competentes registros, conforme nos orienta Edgard Armond, no livro Passes e Irradiações.
Isto quer dizer que quando escrevermos ou ditarmos para alguém escrever os nomes de irmãos que necessitam de ajuda, o façamos movidos pelo desejo sincero de auxiliar e socorrer, e não com o propósito de nos libertarmos do dever de ter que orar em benefício do semelhante. Isto vai lhe formando uma "atmosfera espiritual" positiva, criando uma tonalidade vibratória e uma quantidade de fluidos agradáveis e salutares que poderão ser dirigidos através da vontade para outras pessoas. Recolhido em prece, o homem de boa vontade recebe recursos do Plano Superior, projetando-os depois, na direção do enfermo ausente, cuja figura mentaliza. 

Superando obstáculos
Os espíritos que trabalham na cura enfrentam sérias dificuldades no serviço de socorro aos pacientes cujos nomes estão inscritos nas listas dos centros espiritualistas. Além das dificuldades técnicas resultantes de certo desequilíbrio do ambiente onde eles atuam, outros empecilhos os aguardam em virtude do estado psíquico dospróprios doentes.
Às vezes, o enfermo tem a mente saturada de fluidos sombrios devidos a conversações maledicentes de intrigas, calúnias e fofocas. Outros, encontram-se em excitação nervosa devido a uma violenta discussão. Existem aqueles que estão presos no vício das drogas e do álcool, dificultando ainda mais o trabalho socorrista.
Outras vezes, os fluidos irradiados das sessões espíritas penetram nos lares enfermos, mas encontram o ambiente carregado de fluidos agressivos provenientes de discussões ocorridas entre os seus familiares.
É evidente que os desencarnados têm pouco êxito na sua tarefa abnegada de socorrer os enfermos quando estes vibram sentimentos de ódio, vingança, luxúria, cobiça ou quaisquer outros sentimentos negativos.
No processo de irradiação, ocorrerá um fluxo de energia que se dirigirá a outra pessoa, chegando ao perispírito desta, que poderá absorvê-las ou não, de acordo com a lei de sintonia, de afinidade, de merecimento e de condições específicas do momento.
Para a irradiação ser eficaz, a pessoa que a ser ajudada deve estar receptiva (favorável ao recebimento da ajuda para melhor absorver   recurso espiritual). Além disso, é fundamental estar disposta a se melhorar espiritualmente. A ajuda da irradiação  é  passageira e tais recursos  fixar-se-ão e novos acrescentar-se-ão quando o indivíduo passar a ter vida moralmente equilibrada.
Aqueles que foram fazer as vibrações (irradiação), deverá recolher-se em oração, evitar desentendimentos, ambientes negativos e intoxicar-se com fumo, alcoólicos etc.
O Evangelho no Lar é muito Importante para ajudar harmonizar o ambiente e despertar nossa religiosidade. Um ambiente harmonioso é extremamente importante. Lar sem harmonia passa a ser habitado por entidades inferiores, que criam desentendimentos colocando todos para fora. Um sai de casa por isso, outro por aquilo, desmantelando toda a família. Com o autoconhecimento e nossa reforma íntima estaremos cada vez mais aptos para ajudarmos e sermos ajudados, inclusive, através das irradiações energéticas.
Escrito por Edvaldo Kulcheski   

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa...

 Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa...



Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa...


Em nossa cultura vivemos quase sempre buscando combater a doença, haja vista o número de remédios, farmácias, hospitais, etc. que as pessoas buscam no sentido de se libertarem dos seus males, e, no entanto elas continuam doentes e mais ansiosas por se verem livres das doenças, num círculo vicioso. Saem de uma doença e surge outra e assim sucessivamente. Novas doenças aparecem a cada dia, doenças milenares ressurgem com toda força. Tudo isso acontece num momento em que a medicina conta com recursos avançadíssimos de diagnóstico e tratamento.

Por que isso acontece?
Talvez este seja um momento para que comecemos a refletir sobre qual é o verdadeiro significado da doença em nossa vida. Em uma visão holística, a doença, seja ela física ou mental, é apenas um sinal de que alguma coisa não vai bem com a pessoa. Normalmente o organismo nos sinaliza através das disfunções em determinados órgãos que são mais frágeis, órgãos estes que variam de pessoa para pessoa. Essa disfunção pode acontecer no fígado, no coração, nos rins, etc. Outras vezes as disfunções acontecem na mente, como é o caso de doenças como a depressão, a síndrome do pânico, a esquizofrenia, etc. A doença é um processo de bloqueio nas energias que compõem o ser humano. Estes bloqueios são causados por fatores psíquicos e emocionais. Todos nós possuímos determinados conflitos psicológicos que, normalmente, não são tratados adequadamente pelo indivíduo. Como se diz popularmente, "problemas, a gente empurra com a barriga". Resultado, esses conflitos vão se acumulando como se fossem uma panela de pressão da qual tapamos a válvula de escape do vapor. Chega um momento em que a pressão é tanta que estoura. Isso vai acontecer no corpo físico, onde o conflito é somatizado, na forma de doenças físicas as mais diversas, ou na mente, onde o conflito acumulado, se transforma em uma neurose (depressão, ansiedade, etc.) ou pior ainda numa psicose (esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva, etc.).
Torna-se fundamental, portanto, desenvolver uma nova postura em relação às doenças que possuímos. Em uma visão holística, querer se livrar da doença não significa a mesma coisa que buscar a saúde. Podemos utilizar remédios, cirurgias, e outros métodos para conseguir saúde, mas qualquer método que venha de fora para dentro, por mais valioso que seja este recurso, vai apenas aliviar a doença, mas, jamais nos poderá dar a saúde. Desenvolver a saúde requer todo um movimento do indivíduo em direção a ela. Não é possível se livrar da doença, através de uma atitude doentia de ansiedade, inquietação no sentido de arrancá-la de nós, através de recursos que venham de fora para dentro, pura e simplesmente. Isso pode nos trazer um alívio temporário para que, posteriormente, possamos agir de uma outra maneira. E necessário desenvolver uma postura saudável, onde com serenidade, vamos buscar a causa da doença, e, assim, com base nesta causa, poder transformá-la e, com isso, conquistar a saúde.
Existe um novo gênero de médico/terapeuta, atualmente em expansão, que busca entender o funcionamento dos seres humanos a partir de uma revolucionária perspectiva de acordo com a qual a matéria é uma forma de energia. Esses cientistas espiritualistas, encaram o corpo humano como um modelo instrucional graças ao qual poderemos começar a entender, não apenas a nós mesmos, mas também o funcionamento interno da natureza e os segredos do universo. Através da percepção de que os seres humanos são constituídos de energia, podemos começar a compreender novos pontos de vista a respeito da saúde e da doença. Essa nova visão quântica deve proporcionar aos médicos e terapeutas do futuro, não apenas uma perspectiva única a respeito das causas das doenças, como também, métodos mais eficazes de curar as enfermidades que afligem os seres humanos. O ramo da ciência - atualmente em grande desenvolvimento - levará a humanidade a esse novo nível de compreensão à medicina holística juntamente com a psicologia transpessoal
Ela busca curar as doenças e transformar a consciência humana atuando sobre os padrões energéticos que dirigem a expressão física da vida. Acabaremos descobrindo que a própria consciência é uma espécie de energia que está integralmente relacionada com a expressão celular do corpo físico. Assim, a consciência participa da continua criação da saúde ou da doença. A ciência holística, na condição de ciência do futuro, talvez nos proporcione indicações que ajudem os médicos a descobrirem por que algumas pessoas permanecem sadias enquanto outras estão o tempo todo doentes.
Só haverá uma medicina verdadeiramente holística quando os médicos vierem a adquirir uma melhor compreensão a respeito dos profundos inter-relacionamentos entre o corpo, a mente e o espírito, e a respeito das leis naturais que regem suas manifestações no nosso planeta. Nós somos, na verdade, um microcosmo dentro de um macrocosmo, como os filósofos orientais há muito compreenderam. Os princípios observados no microcosmo, freqüentemente refletem os princípios mais amplos que governam o comportamento do macrocosmo. Os padrões de organização da natureza repetem-se em muitos níveis hierárquicos. Se uma pessoa puder compreender as leis universais, tal como elas se manifestam na matéria no nível do microcosmo; ela também terá mais facilidade para compreender o Universo como um todo. Quando os seres humanos compreenderem realmente as estruturas físicas e energéticas de suas mentes e corpos, estarão muito mais perto de compreenderem a natureza do Universo e das forças criativas que os ligam a Deus.


por Alírio de Cerqueira Filho
Texto extraído do Jornal Corpo Mente-Feira de Santana – outubro de 2002

A doutrina espírita é clara: Deus não pune! Somos responsáveis por nossas ações e recebemos de volta o resultado delas...

 

 A doutrina espírita é clara: Deus não pune! Somos responsáveis por nossas ações e recebemos de volta o resultado delas...



A doutrina espírita é clara: Deus não pune! Somos responsáveis por nossas ações e recebemos de volta o resultado delas...


Algumas vezes, ficamos refletindo quando vemos uma ação como um assassinato brutal, tentando compreender o porquê daquele acontecimento. E muitas vezes não encontramos uma linha de raciocínio lógico dentro dos padrões da sociedade e buscamos no Espiritismo a explicação. Porém, cada caso é um caso, e sendo assim, ficamos ainda com um ponto de interrogação na mente, já que não existe uma resposta para tudo e sim uma linha de raciocínio na doutrina espírita onde buscamos o entendimento dos motivos que levam a determinada atrocidade. Por outro lado, quando vemos uma ação benéfica, ficamos comovidos e motivados a trabalhar na Seara do Bem.
Quando tive a pretensão de pensar já ter visto de tudo um pouco neste planeta, cheguei à conclusão de que ainda há muito para aprender sobre expiações e provas. Digo isto porque chegou-me, por e-mail, o jornal virtual da BBC Brasil com o seguinte título: “Bebê com dois rostos é tratado como “deusa” na Índia”. O subtítulo concluía: “Um bebê de um mês que nasceu com duas faces devido a um problema raro, virou alvo de devoção dos vizinhos em um vilarejo perto de Délhi, na Índia”.
A primeira impressão que tive é que se tratava de gêmeos siameses, mas ao ler a matéria entendi que o problema da criança é um caso raro, conhecido na Medicina como duplicação craniofacial. Apesar do problema, os médicos diagnosticaram que a menina, de nome Lali, encontra-se saudável. Outra curiosidade neste caso é que ela consegue beber leite por qualquer uma das bocas e também respira normalmente.
Ao ler a matéria, pude refletir que o mundo está mudando, realmente, pois em tempos remotos ou em outras culturas, uma criança que nascesse com esta anomalia seria considerada obra do “demônio” e provavelmente sacrificada. Porém, Lali, transformou-se em objeto de fascinação e reverência, com os moradores fazendo fila para ver a criança. Eles trazem oferendas em dinheiro, acreditando que ela tem poderes especiais.
O pai de Lali, Vinod Singh, um lavrador muito pobre, disse que “A primeira vez que a vi fiquei com medo, é natural. Mas agora me sinto abençoado”. Jatinder Nagar, vizinho que assumiu o papel de guia das visitas à criança, comentou que “Quando se vê algo que não é natural, só pode ser algo de Deus. É tão mágico que acreditamos que ela seja uma deusa”. A população desse vilarejo acredita que Lali seja a reencarnação de uma deusa hindu e estão pensando em construir um templo em sua homenagem.
Apesar dos médicos insistirem em fazer novos exames para saberem da possibilidade de separar a cabeça de Lali, obtendo a certeza que seus órgãos internos são normais, encontram a resistência dos pais, que não concordam que a menina se submeta a novos exames. Vinod Singh é taxativo e questiona: “Qual a necessidade dos exames? Até onde sabemos, ela é como qualquer criança. Só queremos aproveitar o tempo que temos com nossa primeira filha”.
Entretanto, os pais de Lali estão se sentindo desconfortáveis com a situação e já mostram sinais de cansaço, com tanta adoração do povoado do vilarejo, afinal, a família está perdendo a privacidade.
Intrigado com o assunto, perguntei ao conceituado palestrante e escritor espírita, Richard Simonetti, sobre como o Espiritismo explica esta expiação desse espírito encarnado. Ele gentilmente respondeu, dizendo: “Problema curioso! Nunca tinha visto. Situações dessa natureza sempre configuram uma provação para o reencarnante e para os pais ou expiação para o grupo (algo imposto pela lei de ação e reação)”. E acrescentou, escrevendo que “Quanto à natureza do crime ou crimes que tenham cometido para se verem numa situação dessa natureza, é algo que não sabemos. O fato é que não se trata de mero acidente biológico”.
Realmente, um fato como este não acontece por acaso e tem uma explicação, mesmo não sendo de nosso conhecimento no mundo físico. Para fundamentar essa opinião, encerro com O Livro dos Espíritos:

“964. Mas, será necessário que Deus atente em cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? Esses atos não são, na sua maioria, insignificantes para Ele?
Deus tem Suas leis a regerem todas as vossas ações. Se as violais, vossa é a culpa.
Indubitavelmente, quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento, dizendo-lhe, por exemplo: Foste guloso, vou punir-te. Ele traçou um limite; as enfermidades e muitas vezes a morte são a conseqüência dos excessos. Eis aí a punição; é o resultado da infração da lei. Assim em tudo.”.
E Kardec complementa: “Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofremos as conseqüências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futuras. [...]”.


Revista Cristã de Espiritismo, edição 58.