DEUSA NÓRDICA DO AMOR

Berchta era uma deusa da fertilidade, dos campos, das mulheres, do gado, cujo nome significava “brilhante”. Regia os arados, a tecelagem, a fiação, os fusos e as rodas de fiar. Assim como Holda, Berchta também regia o tempo e trazia a névoa e a neve.
Era representada como uma mulher velha e desleixada, com cabelos bracos desgrenhados, coberta por um manto branco. Seu rosto enrugado, seus olhos se um azul vivo, sendo ora gentil, ora raivosa, quando punia as tecelãs preguiçosas, arranhando-as ou espetando-as com seu fuso.
Berchta regia os “doze dias brancos” que se iniciavam na “noite da Mãe”, em 20 de dezembro, e se encerravam em 31 de dezembro, comemorando com panquecas, leite e mel. Após a cristianização, esse período de repouso e comemoração foi alterado; seu início mudou para a noite e seu final, para a véspera da Epifania (5 de janeiro). Nesse período, ela percorria o mundo em uma carruagem puxada por um bode, sendo proibido o uso de qualquer veículo com rodas ou movimentos giratórios. Acreditava-se que, quando penteava os cabelos, o Sol brilhava e, quano sacudia os travesseiros, a neve cobria a terra.
Em seu aspecto de “Senhora Branca”, Berchta protegia as almas das crianças não-nascidas, que, à espera de renascimento, ajudavam-na a cuidar dos brotos das lavouras e dos jardins, regando-os.
Assim como Holda, Berchta pode ser invocada em rituais para aumentar a fertilidade (vegetal, animal ou humana), para melhorar as condições do tempo, no momento do plantio ou da coljeita e para abençoar qualquer atividae artesanal que utilize lã, linho ou fios.
Alguns autores consideram Berchta a precursora do arquétipo de Papai Noel (versão cristã da lenda e Odin e das experiências xamânicas). Ela representava a face escura da Anciã, do inverno e dos medos que as pessoas sentiam. Mas, ao mesmo tempo, sua comemoração, no solstício de inverno, mostra que ela também trazia na sacola as promessas do aumento da luz e do renascimento da Natureza, mostrando-se uma Mãe Antiga dadivosa.
Elementos: ar, terra, vento, neve.
Animais totêmicos: ganso, aranha, urso, cabra, bode, gado.
Cores: branco, dourado, amarelo.
Ávores: sabugueiro, pinheiro prateado.
Plantas: alfineiro, linho, snow-drop (”pingo-de-neve”, a primeira planta que brota na primavera), quenopódio.
Pedras: calcita, colomita, celestita, astéria (”pedra-estrela”).
Metais: prata, estanho.
Datas de celebração: 11, 20 e 30/12; 5/01.
Símbolos: roda de fiar, fuso, carruagem, berço, travesseiros de penas, fios, pente, vassoura de galhos, sacola, lã, linho, leite, mel, panquecas.
Runas: Peorth, Eihwaz, Berkna, Erda.
Rituais: de fertilidade, para abençoar o plantio e agradecer a colheita; para orientar, inspirar e abençoar os trabalhos de tecelagem e as atividades artesanais com lã, linho ou fios; para melhorar o tempo; para purificar (casas, objetos, pessoas, animais).
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